quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Mia Couto diz que é triste quando temos que mendigar respeito pela vida dos outros

Escritor moçambicano falava sobre a situação político-militar que o país atravessa 

Em tempos não tinha reservas, mas agora, que a tensão político-militar está cada dia a agudizar-se e a intimidar os moçambicanos, a opinião do escritor Mia Couto já é limitada. Isso é também influenciado pela crise que se tornou insustentável por isso já nem sabe o que pensar sobre o assunto. Para o escritor, “é uma extrema penúria quando temos que pedir a alguém que não ataque hospitais e não ataque civis e que respeite a vida dos moçambicanos”, lamenta e acrescenta que “é triste estar a negociar algo tão básico como a paz”.
Couto não vê a luta política mais do que uma luta digna, de ideias e de causas. Não pensou que em Moçambique chegasse ao extremo de termos que mendigar o respeito pela vida dos outros.
“A obsessão pelo poder tem que ser questionada internamente pelas duas forças (Governo e Renamo) ”, critica. Em segunda estância, Couto olha para a questão das cedências. Neste campo, o escritor elogia o posicionamento do Governo. Mas não se alonga, justificando que essas são questões meramente políticas.
O que não é uma questão de ordem política, refere, é o apelo para o calar das armas e que as negociações decorram em paz. “Não vejo em nenhum lugar do mundo um governo com uma situação dessas, um pouco estranha (diga-se): uma força política que está sentada no Parlamento a discutir umas coisas e a mesma força tem uma máscara militar a discutir outras coisas noutro fórum”, é por essas e por outras que o autor de “Terra Sonâmbula” volta a sublinha que não sabe pensar sobre este assunto, e termina a sua locução com a seguinte frase frase: “Estou perdido!”. O País

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