quinta-feira, 20 de outubro de 2016

"A corrupção começa na Cidade Alta", acusa líder da UNITA

Isaías Samakuva afirma que José Eduardo dos Santos falou de outro país no discurso sobre o estado da Nação.

O presidente da UNITA acusou nesta quarta-feira, 19, o Presidente José Eduardo dos Santos de ter apresentado no seu discurso sobre o estado da Nação na passada segunda-feira um outro país que não Angola, onde a crise é enorme e a corrupção a base dos problemas do país.
Na réplica à intervenção de Santos na Assembleia Nacional, Isaías Samakuva acusou-o de estar na origem da corrupção no país, que começa na cidade alta.
O líder do principal partido da oposição disse não conseguir entender como José Eduardo dos Santos disse que o país atingiu 50 por cento dos objectivos do milénio das Nações Unidas.
“Quando toda a gente sabe que os hospitais estão desprovidos de medicamentos, de fios de sutura, de seringas, de luvas e de tudo mais, o senhor Presidente acha que não é bem assim”, afirmou Isaías Samakuva, lembrando que quando agentes do Estado recorrem a actos de “pura crueldade consubstanciados em demolições brutais das casas dos angolanos em meio a assassinatos, até de crianças, e de abusos sexuais contra mulheres em defesa de interesses particulares, o senhor Presidente considera que está tudo a andar bem”.
Para Isaías Samakuva, a principal causa de todos os problemas em Angola está na corrupção, mas, segundo ele, José Eduardo dos Santos não sabe por onde começar o combate já que o problema está em casa, “em si próprio.
“O fenómeno da corrupção começa na Cidade Alta e vai como um vírus afectando tudo o que encontra pela frente”, acusou.
Numa longa intervenção que ele chamou de réplica ao discurso sobre o estado da Nação, Samakuva disse que os três principais desafios que o país enfrenta são “a organização estrutural e funcional do Estado, o impacto da estrutura política no processo eleitoral e a sustentabilidade da dívida pública”.
O presidente da UNITA reiterou ainda que só a democracia poderá libertar Angola dos seus medos e dar um futuro melhor e reiterou a visão liberal do seu partido. VOA

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