terça-feira, 25 de outubro de 2016

Angola: Aumento da criminalidade em Luanda é reflexo da pobreza

Polícia reconhece crescente onda de crimes na capital de Angola e diz que vai adotar medidas para conter ação de criminosos. A pobreza seria o principal motivo do aumento da violência, aponta pesquisador.

A capital angolana voltou a registar um aumento de casos de criminalidade nos últimos dias. A polícia reconhece o elevado índice de deliquência e anuncia mecanismos de combate. Entretanto, investigador social afirma que elevado índice de crimes está diretamente relacionado  com o aumento da pobreza no país, e defende a realização de um estudo para se inverter o quadro.
O comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrosio de Lemos, reconheceu a subida à pique da criminalidade, em Luanda. No último dia 17 de outubro, ele garantiu que medidas estão a ser tomadas para conter a onda da crimes que assola os moradores da capital.
"Nosso esforço vai ser dirigido para esta cidade (Luanda) no sentido de transmitir à nossa população aquele sentimento de segurança que a polícia sempre preconizou e que, de vez em quando, tem as suas baixas em termos de prestação de serviço”, reconheceu.

Vítimas da criminalidade 

O morador de Luanda Geraldo José é uma das vítimas da delinquência. Ele relata à DW África que foi assaltado num dos estádios de futebol da cidade, às barbas da polícia.
"Aquilo estava abarrotado de adeptos. Quando pus a mão na pasta, o telefone tinha ido. E, sim, havia polícia, mas sabe como é que é a nossa polícia atualmente”, critica Geral José.
A criminalidade não poupa, inclusive, agentes da corporação. Um efetivo da Polícia Nacional foi alvejado mortalmente, numa esquadra policial, em outubro deste ano. Segundo informações da polícia, o ataque aconteceu porque os bandidos tentavam resgatar um comparsa.

Pobreza impulsiona os crimes 

O desemprego e a carência de bens de primeira necessidade das famílias, como a alimentação, são apontados como algumas causas que impulsionam o aumento da criminalidade, em Luanda.
O investigador do departamento social do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, Cláudio Fortuna, aponta estes fatores sociais como causa para o agravamento da insegurança na capital do país.
"Hoje o nível de criminalidade está diretamente ligado à esta situação de carência de bens alimentares que as pessoas vão tendo, isso de alguma forma indicia o agravamento da criminalidade de uma maneira geral”, destaca o pesquisador.
Ainda em outubro, três membros da mesma família foram mortos a tiros durante um assalto, no Cazenga. Um dos acusados do crime foi contemplado pela Lei da Amnistia, em vigor desde agosto deste ano em Angola.

Estudo sobre a situação social

Cláudio Fortuna diz que "houve alguns criminosos que saíram e que encontraram as condições fora da cadeia ainda piores do que as que tinham na cadeia e isso, de alguma forma, acabou por ser incentivo a recorrência a atos pouco abonatórios”.
O investigador defende a realização de um estudo sobre o fenómeno, com objetivo de inverter a situação social vivida hoje pelo angolanos. "Tentar fazer um estudo para tentar ver até que ponto se pode diminuir um pouquinho ou eliminar que é desejavel, mas não acredito que aconteça assim num ápice”. DW

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