quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O que não é de Isabel dos Santos em Luanda?

Em Luanda, facilmente se percebe os investimentos de Isabel dos Santos. A filha do Presidente angolano tem negócios na banca e nas telecomunicações. E também está presente no comércio e nos setores petrolífero e mineiro.

A mulher mais rica de África dirige a UNITEL, a maior empresa na área de telecomunicações móveis. Na banca comanda o BIC e o BFA. É dona da ZAP, a empresa de televisão por satélite, da rede de hipermercados Candando e do Shopping Avennida. A Nova Cimangola, fábrica de produção de cimento, também lhe pertence.
Agora, depois de ter assumido a estatal Sonangol, Isabel dos Santos também está ligada ao futebol. Como é Presidente do Conselho de Administração da petrolífera, foi eleita recentemente Presidente da assembleia-geral do clube, como mandam os estatutos.
A DW África andou pelas ruas de Luanda para saber qual é a opinião dos cidadãos sobre a presença marcante da empresária no mercado. Alguns, como Paulo Ngando, entendem que o monopólio de Isabel dos Santos não facilita o surgimento de novos empreendedores.
"Representa um fracasso, por ser filha do Presidente, pois pela idade que ela tem, não teria de capacidade de acumular essa riqueza toda em sua volta. Se formos a entender que há uma delapidação das riquezas dos angolanos por parte de quem controla o poder político", disse.

Não há concorrência no mercado

Segundo o jurista Nelito Ekuikui, a quantidade de empresas ligadas a Isabel dos Santos é uma das razões que impedem a concorrência. "As empresas dela não têm concorrência. Elas constituem um monopólio", explica.
"Temos a UNITEL que é da Isabel e temos a Movicel que está ligada à família, portanto elas fazem o querem com as telecomunicações. Podíamos falar do ramo da saúde, das grandes clínicas que Angola tem, acabam por estarem ligadas a elas, empresas de diamantes. Estas empresas não têm concorrência e isto é mau para o país",considera o jurista.
Para o ativista Benedito Jeremias Dito Dali, o número de empresas que Isabel dos Santos tem não foi adquirido com mérito. O jovem, que integra o grupo dos 15+2 ativistas condenados por crimes de atos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores, acusa o Presidente da República de usar o dinheiro da nação para enriquecer a filha.
"Não é por uma questão de mérito que Isabel do Santos domina hoje o mercado económico angolano. Tudo que a Isabel dos Santos ostenta, a quantidade de empreendimentos que ela tem, é fruto do favoritismo e dos privilégios do próprio pai, José Eduardo dos Santos".

Futuro na política

E qual poderá ser o próximo passo de Isabel dos Santos? O jurista Nelito Ekuikui acha que a empresária "vai ser emprestada à política", já que, em termos de gestão de empresas, Isabel dos Santos atingiu o topo.
"A Sonangol é a maior empresa que temos no país. Depois da Sonangol, suponho que vai experimentar o poder político. Estará a emprestar o seu saber à política. O seu pai talvez estará a prepará-la para isto", sugere.
Também o ativista Benedito Jeremias acredita que na lista da empresária já só falta o poder político, "porque já tem o poder económico". Segundo Jeremias, "se calhar (ela) já manda nos bastidores".
"Já está com a Sonangol, com a banca, com o setor mineiro. A única coisa que lhe falta é ser Presidente da República. Acho que ela aspira a ser Presidente, porque já ostenta poder suficiente no país e a única coisa que lhe falta se calhar é dar golpe ao pai dela e ser Presidente da República". DW

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