terça-feira, 25 de outubro de 2016

Pesquisa indica que maioria dos africanos veem como positiva influência da China em África

A pesquisa mostra que apesar das críticas nos media aos interesses e operações chineses em África, a população africana vê com bons olhos o papel do investimento estrangeiro e da assistência ao desenvolvimento por parte de entidades chinesas.

Lisboa - A maioria dos africanos (63%) vê a influência da China em África como positiva e o gigante asiático é o segundo mais votado, a seguir aos EUA, como modelo de desenvolvimento a seguir, segundo uma sondagem hoje divulgada, informa a agência Lusa.
As conclusões são do Afrobarómetro (www.afrobarometer.org), um estudo realizado através de entrevistas junto de mais de 54 mil cidadãos de 36 países africanos, representando as opiniões de mais de três quartos da população do continente.
Segundo o barómetro agora divulgado, apesar das críticas nos media aos interesses e operações chineses em África, a população africana vê com bons olhos o papel do investimento estrangeiro e da assistência ao desenvolvimento por parte de entidades chinesas.
Em média, 63% dos inquiridos vê a influência da China no seu país como "positiva" ou "muito positiva", perceção que se deve em grande parte ao setor das infraestruturas/desenvolvimento e aos investimentos empresariais da China.
No entanto, a opinião varia muito consoante o país, com 92% dos inquiridos no Mali a considerarem a influência chinesa como positiva, contra apenas 33% dos argelinos questionados.
A Argélia e o Gana são os únicos países onde as opiniões negativas superam as positivas.
Quando questionados sobre que modelo de desenvolvimento o seu país deveria seguir, a maioria dos africanos inquiridos (31%) escolheu os EUA, logo seguido da China (24,3%) e só depois as antigas potências coloniais (12,5).
Já quando se pergunta que país tem atualmente a maior influência nos seus países, a maioria dos inquiridos (28%) identifica as suas antigas potências coloniais, seguidas da China (23%) e dos EUA (22%).
O nível de influência percebida varia muito entre países, mas as antigas colónias francesas são os países que mais se sentem influenciados pela ex-potência colonial (89% na Costa do Marfim, 80% no Gabão ou 73% no Mali).
Com efeito, os 14 países mais influenciados pela ex-potência colonial são todos ex-colónias francesas.
Os cidadãos das antigas colónias britânicas, assim como os das ex-colónias portuguesas, têm menos probabilidade de ver a sua ex-potência colonial como maior influência, dividindo a sua preferência entre a China e os EUA.
Entre as ex-colónias portuguesas, por exemplo, mais de metade dos moçambicanos escolhe a China como a potência que mais influencia o país, enquanto Portugal é escolhido por apenas cinco por cento dos inquiridos.
Os cabo-verdianos veem os EUA como a sua maior influência (31%, contra 25% de Portugal), enquanto os são-tomenses veem a China como a potência que mais influencia o seu país (24% contra 17% de Portugal).
Segundo os autores do estudo, a China tem vindo a aumentar rapidamente os seus laços com a região africana, usando o Fórum Cooperação China-África, criado em 2000, como principal veículo institucional para a parceria estratégica com a África subsaariana.
As trocas comerciais entre a China e a África aumentaram de cerca de 10 mil milhões de dólares em 2000 para 220 mil milhões em 2014 e estava a aproximar-se dos 300 mil milhões em 2015.
Investigadores citados no documento explicam que, por o mercado africano ser sensível aos preços, o desenvolvimento das telecomunicações e infraestruturas do continente tornou-se dependente da tecnologia chinesa, que tem preços competitivos e serviços de apoio fortes, quando comparados com os concorrentes ocidentais.
O continente africano também tem visto aumentar fortemente os pequenos investimentos chineses em restaurantes e lojas, enquanto a China importa de África sobretudo minerais, mas também algum petróleo e produtos agrícolas.
Estima-se que mais de um milhão de chineses, a maioria trabalhadores e comerciantes, tenham emigrado para África na última década, acrescenta o relatório.
Mas este crescimento tem motivado críticas nos media, nomeadamente de que o interesse da China em África se limita ao acesso aos recursos naturais; de que quer comprar a terra de África e de que só emprega chineses, desprezando a mão-de-obra local.
Outros críticos argumentam que muitas empresas chinesas fornecem serviços e produtos de baixa qualidade, vendendo a preço reduzido e prejudicando os concorrentes locais; e outros ainda acusam as empresas de terem regimes autocráticos ou pouco transparentes.
No entanto, opinião da maioria da população africana não parece refletir estas críticas. África 21

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