sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Concurso público para moçambicano ver milhões de dólares serem gastos na Migração Digital em vez de comida, água potável, saúde, educação...

Num País onde falta comida e água potável para a maioria do povo, onde não existem escolas nem hospitais para todos, onde existem mais 15 milhões de pobres e pelo menos 3,8 milhões de crianças desnutridas o Governo não tem vergonha de endividar-se em centenas de milhões de dólares norte-americanos para a migração digital. Será que algum moçambicano vai morrer por não ver televisão ou ouvir rádio? Se desta vez pelo menos houve concurso público, que não aconteceu na adjudicação inicial em 2010, a verdade é que o negócio voltou a ser atribuído a mesma empresa de capitais chineses que tem como parceiro moçambicano a filha do ex-Presidente Armando Guebuza, a Startimes.
Moçambique está mergulhado em crise, embora timidamente o Executivo de Filipe Nyusi está implementar alguns cortes em vários investimentos públicos. Muitas escolas ficaram por ser construídas este ano e outras tantas não serão no ano que vem; profissionais de saúde, médicos, professores e extensionistas rurais continuam em défice e ficaram por contratar; o orçamento para programas de Protecção Social Básica foi cortado... todavia o jornal estatal divulga na sua edição desta quarta-feira(02) a adjudicação à empresa Startimes do concurso público para a implementação da Migração da Radiodifusão Analógica para Digital no valor de 156 milhões de dólares norte-americanos.
Para além do absurdo que é priorizar a Migração Digital em detrimento de outros investimentos mais prementes para o povo este é apenas mais um capítulo em torno de um negócio que está fechado desde 2010 entre os Governos de Moçambique e da China e que envolve empresas privadas de ambos países, do lado moçambicano está uma empresa onde o antigo Chefe de Estado, Armando Guebuza, tem interesses comerciais, e do lado chinês o gigante Grupo StarTimes.
Em Junho de 2010 o então primeiro-ministro de Moçambique, Aires Aly, reuniu-se na capital da China com o presidente do Grupo StarTimes, Xin Xing Pang, e terá nessa altura decidido o futuro da Migração Digital para o nosso País. Aliás na mesma viagem o governante reuniu-se com responsáveis do Banco de Exportação e Importação(EXIM Bank) da China que mostraram-se disponíveis “a financiar o projecto de digitalização da televisão e rádio em Moçambique, sob execução de... uma empresa chinesa”.
À data não existia ainda nenhuma estratégia nacional para o processo acontecer, só foi aprovada em 2014, e nem legislação. Entretanto o Grupo StarTimes registou-se em Moçambique e obteve uma licença lançar um serviço de televisão digital pré-paga. Paralelamente o Executivo de Armando Guebuza incluiu no seu Plano Económico e Social para o ano de 2011 a migração do Sistema de televisão analógica para Digital que tinha como meta o “Sistema de Televisão Digital Instalado a nível Nacional” que deveria estar operacional em 2015. LER+

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