quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Falta "vontade política" para a paz em Moçambique

Para entidades diplomáticas, políticas, governamentais e jurídicas do país, as mortes de membros de partidos revelam ódio e intolerância entre o Governo e a RENAMO.

Os assassinatos de membros da RENAMO, o maior partido da oposição em Moçambique, e da FRELIMO, atualmente no poder, mostram que a paz está longe de se concretizar. A informação circula entre políticos, diplomáticos e jurídicos do país, que dizem não entender a razão da escalada de violência.

A preocupação agora é como acabar com estes atos. O representante da União Europeia em Moçambique, Sven von Burgsdorff, considera que deva haver mais confiança entre as partes: "O problema é falta de confiança entre a oposição e o Governo, assim como entre muitos atores de âmbito político e social", diz von Burgsdorff.
Enquanto houver partidos armados, o país nunca terá uma paz duradora, reafirma a FRELIMO, através do seu porta-voz António Niquice: "nós só podemos acreditar que esta onda de assassinatos e de crimes bárbaros que têm estado a ocorrer é daqueles que, de facto, não querem a paz em Moçambique e que ilegalmente continuam a deter armas e a semear este clima de pânico e terror", diz.

RENAMO queixa-se de assassinatos políticos

A guarda presidencial do líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, nunca fez mal a ninguém com as armas que detém; diz o porta-voz do partido, António Muchanga. "O presidente Dhlakama viveu todos estes anos com aquela segurança e ela nunca criou problemas. Queremos garantias do que se faz com a segurança dos quadros da RENAMO", informa Muchanga.
Ainda segundo a RENAMO, as mortes dos seus membros são encomendadas pelo Governo para fragilizar o partido. O seu porta-voz diz que muita gente está a ser morta em Moçambique pela polícia e com o conhecimento do comandante das Forças de Defesa e Segurança, por ordem do ministro do Interior e do Comandante Geral da Polícia.

A polícia diz que está preocupada

A polícia preocupa-se cada vez mais com este cenário, afirma o porta-voz do Comando Geral, Inácio Dina. Até ao momento, no entanto, a instituição não fez detenções de vulto mas promete trabalhar para deter os implicados nos assassinatos de políticos.

A polícia anunciou ainda a detenção e a posterior fuga do assassino do procurador Marcelino Vilanculos; e seu porta-voz diz haver necessidade de que o mesmo seja reconduzido para ser responsabilizado pelo crime do qual é acusado.
Por sua vez, o bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Flávio Menete, apela ao Governo e à RENAMO para que sejam feitos esforços para se alcançar o mais rapidamente possível a paz.
Mas a instabilidade político-militar dever continuar no país. A RENAMO segue a reivindicar sua vitória eleitoral nas eleições ocorridas 2014 em seis províncias do centro e norte do país. DW

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