domingo, 13 de novembro de 2016

Previsões económicas de Moçambique são "irrealistas", diz agência

Analistas financeiros da revista britânica "The Economist" consideram projeções para evolução das receitas do Governo moçambicano demasiado otimistas e preveem crescimento económico lento, com alta inflação.

A Economist Intelligence Unit, agência britânica independente de análise e consultoria, alertou este sábado (12.11) que as projeções do Governo de Moçambique para o crescimento económico do país são demasiado otimistas, num contexto de fracas receitas e empresas públicas falidas. 
Devido às pressões orçamentais que afetam o país, os economistas consideram "irrealistas" as previsões do Governo para receitas futuras. A administração de Filipe Nyusi estima receitas de 5,8 mil milhões de euros para 2023, o que representa 60% do PIB atual.
De acordo com o relatório financeiro, a pressão para aumentar os gastos e o acesso limitado aos mercados estão a acentuar os impasses económicos.

Os analistas acreditam que a crise deverá gerar uma "política orçamental incoerente e marcada pelo aumento dos atrasos nos pagamentos a fornecedores e credores" e alertam que não há solução rápida para o problema. Além disso, o fim da "era de muitos créditos" deve elevar a instabilidade política.
A desvalorização do metical poderia ser benéfica, acreditam, mas "as receitas e os lucros, equivalentes a um terço das receitas do Governo, devem ser abaladas pelo fraco crescimento", acrescentam. Com isso, a perspectiva é de inflação galopante, taxas de juros elevadas, insegurança  e preocupações sobre a qualidade do crédito soberano.

Crise

A crise económica em Moçambique agravou-se no início de 2016, após a revelação de dívidas ocultas no valor de 1,29 mil milhões de euros. Financiamentos de parceiros internacionais foram suspensos e a confiança em indicadores macroeconómicos do país foi abalada.
Em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) também suspendeu créditos e exigiu uma auditoria internacional independente sobre as dívidas não veiculadas para retomar o apoio ao país africano. DW

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