sábado, 21 de janeiro de 2017

Fitch diz que falha de Moçambique no pagamento da dívida aumenta incerteza

A agência de notação financeira Fitch considera que a falta de pagamento da prestação de janeiro por Moçambique vai "aumentar o período de incerteza" sobre a reestruturação da dívida soberana emitida em abril do ano passado.

Maputo - A agência de notação financeira Fitch considerou, sexta-feira (20), que a falta de pagamento da prestação de janeiro por Moçambique vai "aumentar o período de incerteza" sobre a reestruturação da dívida soberana emitida em abril do ano passado.
"A falta de pagamento dos juros no valor de 59,8 milhões de dólares sobre os títulos de dívida pública aponta para uma extensão do período de incerteza num contexto de tentativa de reestruturar a dívida", disse o analista da Fitch que segue Moçambique.
Numa nota enviada aos investidores, a Fitch escreve que a falta de pagamento "não tem impacto no 'rating' soberano porque já tinha descido o 'rating' para Incumprimento Seletivo em novembro, depois da confirmação de que uma empresa pública tinha falhado uma tranche de um empréstimo com garantia estatal em maio de 2016", informa a agência Lusa.
O processo de resolução do 'default' de Moçambique deve demorar mais tempo depois do falhanço do pagamento, considera a Fitch, lembrando que "uma parte importante da nossa análise tem a ver com a reestruturação ou recalendarização da dívida às instituições financeiras multilaterais, já que estas representam 83% da dívida pública externa total, sendo que um quarto é detida pelo Banco Mundial".
O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou na segunda-feira que não vai pagar a prestação de janeiro, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro ('default').
"O Ministério da Economia e Finanças da República de Moçambique quer informar os detentores dos 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023 emitidos pela República que o pagamento de juros nas notas, no valor de 59,7 milhões de dólares, que é devido a 18 de janeiro, não será pago pela República", lê-se num comunicado disponibilizado em Maputo.
No documento, Moçambique lembra que já tinha alertado em outubro para a falta de liquidez durante este ano e salienta que encara os credores como "parceiros importantes de longo prazo, cujo apoio à necessária resolução do processo da dívida vai ser crítico para o sucesso futuro do país".
Na sequência deste anúncio, a Standard & Poor's cortou o 'rating' do país para 'SD/D', ou seja, incumprimento financeiro parcial, e considerou que a falta de pagamento era uma estratégia governamental para forçar os detentores de dívida a negociarem uma reestruturação da dívida, o que até agora têm rejeitado.
A Moody's, por seu turno, também considerou a falta de pagamento como um incumprimento, mas não desceu o 'rating', considerando que a avaliação de Caa3 já implica uma assunção de potenciais perdas para os credores de 20 a 35%, que podem chegar a quase 50% de acordo com a média histórica de 'defaults' soberanos. África 21

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