sábado, 3 de fevereiro de 2018

Coreia do Norte viola sanções através de negócios com Moçambique, revela CNN

Uma investigação aponta para a existência de empresas de fachada, cooperação militar e treino de forças de elite com o objetivo de facilitar negócios entre a Coreia do Norte e Moçambique violando as sanções impostas pela ONU e os EUA

A cadeia de televisão norte-americana fez uma investigação de meses que a levou a concluir que Moçambique é uma plataforma que está a ser usada pela Coreia do Norte para contornar as sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU)e dos Estados Unidos da América (EUA). O porto de pesca de Moçambique é um dos palcos da prática de ilícitos.
"Aparentemente não há nada de notável no adormecido porto de pesca de Maputo", em Moçambique, mas escondido do olhar entre barcos e navios estacionados na doca estão os enferrujados Susan 1 e Susan 2, conta a CNN. E explica porquê a estranheza: não são embarcações pesqueiras comuns, são arrastões tripulados por tripulações norte-coreanas que estão a violar sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos Estados Unidos da América (EUA).
O interesse de Pyongyang na dupla de velhos arrastões africanos pode parecer estranha, mas segundo a CNN faz parte de um plano mais vasto para escapar às sanções. A pesca é um grande negócio em Moçambique - é, aliás, uma das indústrias mais lucrativas do país. E a Coreia do Norte quer uma fatia dessa grande capacidade de fazer dinheiro. Além disso, os barcos são fáceis de mover e de camuflar.
Participar nos negócios da pesca é apenas uma parte da ilicitude em que os dois países estarão envolvidos. Numa longa investigação de meses, a CNN descobriu ligações a empresas de fachada, cooperação militar e treino de forças de elite, visando facilitar os negócios entre a Coreia do Norte e Moçambique. Tudo isto violando as sanções internacionais, segundo investigadores das Nações Unidas.
A 28 de setembro de 2017, o então ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Balói, negava que Moçambique tivesse comprado armamento à Coreia do Norte, mas admitia que recebia apoios de vários tipos, inclusive militar, noticiava o jornal Moz News. Oldemiro Balói descrevia então como sendo históricas as relações entre Moçambique e a Coreia do Norte, e lembrava de que Pyongyang apoiou de forma ativa a luta de libertação nacional, apoiada pela Frelimo. Sem precisar datas, o chefe da diplomacia moçambicana adiantou ainda que quando Moçambique "ficou sem condições para resolver algumas situações de natureza militar, a Coreia do Norte foi um dos países que esteve ao lado" de Maputo.

Contratos que valem milhões

A CNN afirma que analisou documentos que mostram que a cooperação é selada com contratos ilegais que valem milhões de dólares. O canal norte-americano explica que o dinheiro passa para Pyongyang através de diplomatas norte-coreanos, muitos vezes situados a mais de 7500 milhas de Maputo.
Oficiais norte-americanos sustentam que o dinheiro resultantes de parcerias de negócio vão diretamente para o fundo secreto nuclear do líder norte-coreano, King Jong-Un, conhecido como Office 39.
Com as pesadas sanções a apertarem o Estado pária, Kim Jong-Un precisa de grandes somas de dinheiro para continuar a desenvolver o seu programa nuclear e de mísseis balísticos.
A administração Trump tem lutado parar travar os fluxos de dinheiro em direção à Coreia do Norte. Juntas as sanções das Nações Unidas e dos Estados Unidos da América, apoiadas pela pressão da China, fazem parte da estratégia de Washington para apertar o cerco à Coreia do Norte. Mas até agora o plano não parece estar a resultar, conclui na CNN. Expresso

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