terça-feira, 26 de junho de 2018

Filhos de imigrantes africanos, mas que nasceram e cresceram em Portugal, enfrentam racismo institucional

Sofia Rodrigues, de 32 anos, trabalha em Lisboa, é ativista, licenciada em serviço social. É filha de pais cabo-verdianos e nasceu em Portugal. Há alguns meses, enviou o currículo para uma oferta de trabalho, porém disse que só foi chamada para a entrevista porque esqueceu de enviar a foto, que denunciava sua origem.
“A verdade é que eu fui chamada para essa entrevista nessa entidade, e para espanto, não estavam à espera que fosse uma jovem africana”.
Rodrigues conta que a ausência da fotografia fez com que a pessoa responsável por escolher os candidatos para as entrevistas focasse apenas na competência e na experiência de trabalho que ela tinha.
Segundo a ativista, o racismo institucional em Portugal não diminuiu, porém está mais discreto. A desigualdade sofrida no ambiente profissional é mais visível em cargos que exijam mais responsabilidade e que tenham maior visibilidade.
“A ascensão tem um nível e nós não podemos subir muito mais do que aquilo que eles pretendem”.
Rodrigues conhece poucos africanos em posições de destaque que conseguiram superar o racismo.
“São esses que me dão coragem e brio para chegar aonde nós queremos. Temos que acreditar em nós mesmos, estar cientes daquilo que somos, e lutar por lugares de destaque, porque nós temos perfil para desempenhar qualquer função”.
Mas Rodrigues ainda tem muitos desafios pela frente. Aonde ela quer chegar nenhuma mulher africana chegou.
Depois de passar por várias experiências, a ativista tem um conselho para todos: que não enviem fotografias com os currículos, porque o foco tem que ser na experiência, na competência e no profissionalismo.
“Acreditar e nunca desistir é a chave do sucesso”.
Confira a entrevista na íntegra para saber mais sobre o assunto, além de conhecer como a lei da nacionalidade afetou os jovens africanos nascidos de pais que emigraram para Portugal. VOA

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