sexta-feira, 22 de março de 2013

Mídia portuguesa estremece com o envolvimento angolano

Por: Jean-Paul Marthoz

Os jornalistas portugueses estão cada vez mais preocupados com o crescente investimento e influência de Angola em seu país. Estimulados pelos petrodólares e diamantes, poderosos interesses angolanos lançaram-se em uma onda de compras em sua antiga potência colonizadora. O capital angolano investido em Portugal aumentou 35 vezes na última década, segundo as informações da imprensa. Em um processo muitas vezes descrito mordazmente em Lisboa como uma forma de “colonização inversa”, os angolanos não estão apenas devorando porções significativas nas áreas bancária, de telecomunicações e empresas de energia de Portugal, como também investindo no setor de mídia.
Uma fonte de preocupação é o grupo de mídia Newshold, empresa de propriedade da Pineview Overseas, companhia offshore sediada no Panamá cujos acionistas são poderosos angolanos, incluindo o magnata Álvaro Sobrinho. A Newshold controla o Sol, o terceiro maior semanário português, e possui participação em duas importantes revistas, Visão e Expresso, assim como no Correio da Manhã, o tabloide de maior circulação de Lisboa, e no jornal econômico Jornal de Negócios. Também expressou interesse no caso de o governo português eventualmente decidir privatizar a empresa pública RTP (Rádio e Televisão Portuguesa).
Muitos investidores angolanos são conhecidos por serem estreitamente ligados à comitiva presidencial de Angola e ao MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), que tem dirigido o país sem interrupção desde a independência, em 1975. Isabel dos Santos, filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos, é a principal investidora da companhia portuguesa de telecomunicações e multimídia ZON.
Esses investimentos provavelmente levantariam menos objeções se Angola fosse uma inspiração em matéria de liberdade de imprensa. Na verdade, Angola é um dos piores infratores em termos de liberdade de expressão. A mídia é estritamente controlada pelo partido no poder e os jornalistas independentes são perseguidos regularmente. Dez jornalistas foram assassinados por seu trabalho, com absoluta impunidade, desde que o CPJ começou a manter registros em 1992.
Conscientes de sua fragilidade econômica, as autoridades de Lisboa têm receio de perturbar o poderoso parceiro econômico, dizem jornalistas locais. “Falar de Angola tornou-se tabu em Portugal”, disse Raquel Freire ao jornal francês Libération na semana passada. Até o início do ano passado, Freire era colunista da Antena 1, canal de rádio da RTP. Seu programa, “Este Tempo”, foi cancelado depois que um de seus colegas, o internacionalmente aclamado escritor Pedro Rosa Mendes, criticou a RTP por ajudar Portugal a pintar um retrato lisonjeiro do regime angolano.
“O cerne da questão”, disse ao Libération o subeditor do semanário Expresso, Nicolau Santos, “é que as autoridades de Luanda não aceitam que a imprensa portuguesa escreva artigos que não os agrade. Nós não temos o mesmo conceito de liberdade de expressão”.
A preocupação com a intrusão angolana surge em um momento de grande incerteza econômica em Portugal, onde a crise da zona do euro levou a uma ajuda financeira condicionada a profundos cortes orçamentários. No contexto dessas duras medidas de austeridade, a mídia tem sido golpeada, o que a deixa potencialmente mais vulnerável a pressões externas. “Em tempos com este, de crise profunda, é quando mais precisamos que a mídia possa fazer seu trabalho nas melhores condições” disse Sofia Lorena, do jornal Público, ao Deutsche Welle. “O que temos é exatamente o oposto. Todos os jornais de Portugal perderam dezenas de pessoas este ano”. “Meios de comunicação sem dinheiro, ao menos alguns deles, acham que podem ser salvos pelo dinheiro angolano”, disse ao CPJ o membro do Parlamento Europeu representando o partido Verde, Rui Tavares. “Portanto, eles têm interesse em manter boas relações com Angola, o que leva à autocensura”, acrescentou Tavares, que é relator do Parlamento Europeu sobre liberdade de imprensa na Hungria.
“O fato de as autoridades portuguesas estarem de joelhos (perante os governantes de Angola) não ajuda”, acrescentou Santos, subeditor do Expresso. No entanto, se o governo português do primeiro- ministro Pedro Passos Coelho parece pronto a se prostrar diante de governantes de Luanda, outros agitam a bandeira da resistência. Nos últimos meses, o Expresso publicou uma série de reportagens expondo a corrupção de poderosas figuras militares e do governo angolano, provocando a retaliação imediata da mídia oficial angolana, que acusou as “elites” portuguesas de odiar Angola.
E, em fevereiro, promotores portugueses indeferiram um processo penal de difamação de nove generais angolanos contra o escritor angolano Rafael Marques de Moraes e sua editora portuguesa, Tinta-de-China, pelo livro ‘Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola’. Os demandantes estão prosseguindo com o caso em um tribunal civil, onde pedem 300 mil euros (US$ 387 mil) em danos morais por calúnia e difamação.
“Os meios de comunicação portugueses estão sob grande estresse para conter reportagens com informações negativas sobre Angola. A principal razão é que a mídia portuguesa tem forte impacto em Angola, onde o Estado tem controle sobre os meios de comunicação”, disse Marques ao CPJ. “Mas isso também serve aos interesses das elites dominantes em Portugal, pois eles podem usar algumas das atitudes africanas como vantagem para sua própria política interna. Tudo é faturado como interesse nacional em salvar a economia portuguesa, permitindo todos os tipos de investimentos angolanos obscuros”.

O dilema dos meios de comunicação portugueses está sendo acompanhado de perto em Bruxelas, onde a liberdade de imprensa e o pluralismo da mídia tornaram-se preocupações crescentes por toda a União Europeia. O eurodeputado Tavares espera que, em breve, o Parlamento Europeu discuta uma resolução sobre o impacto da crise econômica sobre a liberdade de imprensa na Europa. Portugal se
destacará como um emblema de uma preocupante tendência. Canalmoz

(Jean-Paul Marthoz/Consultor Sênior do CPJ)

A música de intervenção em Angola vive tempos difíceis

As notícias da alegada apreensão dos últimos DVDs do músico angolano "Brigadeiro 10 Pacotes" levantaram novamente as dúvidas sobre a existência ou não de censura musical em Angola.

De um lado, uma voz feminina do hip-hop feito em Angola, Khris MC, assevera que existe censura e repressão direta aos músicos ligados a este género musical. Do outro lado, uma voz masculina do rap criado neste país africano, Afroman, afirma que há vozes revolucionárias a serem pagas “para não cantarem mais”, pondo em causa a sua credibilidade.
“Desde há três anos que a censura aumentou devido às manifestações e quase toda a gente ficou a saber o que se passou, porque alguns jovens colocaram vídeos na Internet e aqueles que estavam na liderança dos protestos eram músicos de hip-hop”, salienta Khris MC em entrevista à DW África.
A artista garante que as músicas mais comerciais beneficiam de um tratamento diferente em relação às músicas apelidadas 'underground' e de intervenção.
“As músicas mais comerciais não são censuradas. São abraçadas e os artistas têm maior facilidade em dar concertos. Há uma grande facilidade e, porventura, muitos nem precisam de tratar de papeladas para dar espectáculos. Já para os fazedores de hip hop isso não acontece. Há mesmo muita censura”, afirma.

A "repressão directa" aos músicos de intervenção

Khris MC afirma peremptoriamente que a censura de que fala dificulta a vida a alguns músicos angolanos. “Alguns não têm posses financeiras para fazerem a promoção e divulgação das suas músicas. Nos meios de comunicação há uma censura tremenda, porque não aceitam passar certo tipo de música”, conta. E dá outro exemplo. “Se se estiver num programa de televisão e quiser falar sobre alguns temas ou ser um pouco mais frontal e aberto, o apresentador logo interrompe e corta”, detalha.
A artista de hip-hop chega mesmo a falar em “repressão direta” e que as pessoas “procuram fingir o que não existe”. Já quem sofre desta repressao, como diz Khris MC, muitas vezes “não consegue fazer face” à mesma, por falta de meios próprios.
Afroman, voz do rap angolano, refere, por seu turno, que o conteúdo das músicas deste género musical “está cada vez mais vazio”.
“Está a nascer uma nova geração dos meninos do colégio, que vivem muito a vida dos videoclips e vão cantando sempre com a postura de que eu sou, eu faço, eu sou o melhor”, critica. Do outro lado da moeda estão aqueles que fazem “bom” rap de intervenção, mas cada vez em menor número.
A opção por músicas consideradas “mais vazias” não se deve ao medo, garante Afroman. O que está em cima da mesa é o dinheiro. “A certa altura, as pessoas deram conta de que a música vende, mas a música de intervenção tem de vir da alma. Porém, as pessoas querem estar mais na moda, querem estar com ‘swag’ [em linguagem juvenil significa ter estilo, ser fixe] e querem fama. Estas músicas são mais facilmente aceites na rádio e na televisao”, explica à DW África.

A forma como o povo angolano lida com a verdade

Afroman não relaciona esta falta de força nas mensagens com censura e dá o exemplo de MCK, que, em janeiro, ganhou o prémio na categoria Rap do Top Rádio Luanda 2012, emissora que, confidencia Khris MC, é, de certa forma, controlada pelo partido no poder.
“O facto de o MCK ter ganho o prémio mostra que as pessoas estão a ouvir. O povo hoje já sabe ver o que dá para consumir e o que não dá. Mas certas músicas, como as do Brigadeiro 10 Pacotes, revelam que o nosso povo gosta da verdade, mas não sabe como lidar com ela”, afiança Afroman.
Neste ponto em concreto, o músico refere que quando as músicas expõem a verdade “é o proprio povo que, por vezes, se vira contra o artista”. “Será o governo ou o povo que não gosta da verdade?”, questiona o rapper.
Afroman afirma ainda ter ouvido relatos de músicos de intervenção “pagos para não cantarem mais”, algo que faz com que percam a credibilidade, porque, assevera, “um revolucionário não se pode vender nem pode aceitar dinheiro para se calar”.

A problemática da auto-censura

Tal afirmação conduz à problemática da auto-censura, fator que Khris MC diz estar presente, sobretudo pela situação sócio-económica e sócio-cultural vividas em Angola. “Existem pessoas com dinheiro e outras que vivem de uma forma miserável”, relata. Para além destas duas dimensões, a rapper diz ainda que se está perante “uma questão de carácter e de educação”.
“Se eu não recebi a educação de que a honra e a dignidade estão acima do dinheiro, facilmente me corrompo e auto-censuro. Em vez de dar a conhecer as coisas e de ir contra o mal, alio-me a ele. Saio vencedor, encho o meu bolso e fico a viver bem”, destaca.

A Internet como um novo mundo para a música de intervenção

A Internet é vista como uma forma de “escape” a qualquer tipo de censura e Khris MC afirma que, hoje em dia, acaba por ser “um meio muito usado” para as pessoas “dizerem livremente o que pensam e sentem”, citando a revolução no Egipto, a qual foi organizada através da World Wide Web.
Já para Afroman, o facto de haver músicas a afirmarem que o presidente angolano “não está a trabalhar bem ou que não é honesto”, motivo para que as mesmas não sejam transmitidas numa rádio “que é do governo”, não impede que este tipo de canções seja ouvido na Internet. Deutsche Welle

Nakie Mabuza confirma a existência de tráfico e extracção de órgãos

Francisco Júnior

Para fins relacionados com a chamada magia negra


quarta-feira, 20 de março de 2013

LEGISLAÇÃO DE CRIMES DA INTERNET - Quando as redes sociais invadem a privacidade e ferem a integridade

A AQUISIÇÃO acessível dos meios tecnológicos mais avançados, como são os casos de computadores, telemóveis, iphone e ipod, bem como a rápida expansão da rede de telefonia móvel, é tido como factor determinante para a massificação do uso da Internet e a consequente adesão às redes sociais. 

Contudo, o uso destas vias de comunicação rápida está a trazer para a sociedade moçambicana uma maneira de ser entre os usuários, com um impacto negativo, sobretudo quando se transformam aqueles espaços de debate e troca de ideias em meios para denegrir a imagem de figuras públicas e não só. O facto já inquieta alguns sectores da sociedade, numa altura em que o país e não só não possui nenhum instrumento regulador, pois já se fala de casos de frustração e até fatalidades em consequência de actos de difamação pública. Entretanto, tudo acontece numa altura em que não existe no país nenhum instrumento regulador capaz de ser aplicado em caso de um crime de violação de privacidade e difamação pela via da Internet.
Para uns é pertinente e urgente uma legislação e para outros não passa de uma questão de auto educação, baseada em princípios éticos aliados às boas maneiras de quem tem a Internet como meio de comunicação e espaço de debate. Os leitores abordados pelo “Notícias” defenderam por um lado a necessidade de uma educação iniciada na família e que molde sobretudo as novas gerações para boas práticas, pois expor a vida privada de alguém passa pela falta de uma boa educação, princípios éticos e morais.

Liberdade de expressão sim mas deve reinar auto-regulação - Celestino Vaz, académico

PARA Celestino Vaz, a elevada taxa de participação dos cidadãos moçambicanos nas redes sociais também aumentou de forma exponencial  na formação de opinião e no controlo de  sistemas de governação. Por um lado, os telemóveis criam redes sociais de comunicação de partilha de informação, facto que vai resultar no cidadão reforçado pelas novas tecnologias de comunicação e por outro, em consequência do primeiro impacto, obrigam a reavaliação das estruturas de governação.
Sobre a presença dos moçambicanos nas redes sociais, Celestino Vaz considerou esta como uma matéria que escapa a regulação, pois faz parte da liberdade de expressão.  Nas redes sociais existe auto-regulação feita pelos próprios usuários, como denunciar, banir como amigo, esconder a publicação.
Na matéria de  legislação sobre  o comércio electrónico e de conflitos de interesse que possam existir, Vaz considerou urgente a necessidade do Governo incluir na nova Constituição da República essa matéria, pois a forma de transacção comercial clássica está sendo substituída pela forma electrónica.  Por exemplo, quem poderá dirimir ou em que poderá resolver o conflito de uma transacção feita electronicamente com um vendedor de automóvel do Japão.
Contudo, comparativamente aos outros países do mundo e da África o número de usuários em Moçambique é, segundo Vaz, muito insignificante.

Urgente reflectir sobre desafios impostos pela Internet - Marlino Mubai, docente 

PARA Marlino Mubai, docente universitário, o que deve prevalecer nos utentes é a ética e boas maneiras dada a natureza do espaço em que um crime possa ocorrer. Lamenta o facto de haver indivíduos que usam as redes sociais como facebook, twiter e até e-mail para enviar conteúdos que atentam contra a dignidade de outrem.
“Há meses repugnei via Imprensa a falta de ética e profissionalismo por parte de funcionários de uma instituição bancária nacional que fez circular requerimento de um cliente seu alegadamente por conter erros gramaticais, tenho vindo a expressar a minha repugnância a e-mail e facebook posting de bilhetes de identidade de cidadãos, cujos pais decidiram lhes baptizar com nomes que alguns julgam ridículos”, exemplificou Mubai.
O nosso interlocutor tem a felicidade de poder comparar o teor de mensagens postadas no facebook por amigos seus de diversos quadrantes do mundo e as que ocupam maior de tempo dos seus compatriotas. Continue lendo aqui.

Tráfico de seres humanos em Mpumalanga, província que faz fronteira com a de Maputo

Francisco Júnior

A criança fica inconsciente e, quando desperta, não sabe onde está


terça-feira, 19 de março de 2013

Queixa da UNITA contra José Eduardo dos Santos continua a dividir os angolanos

Manuel José
 
Partido da oposição persiste na confrontação com o presidente angolano, e os analistas políticos consideram a acção de uma causa perdida
 
A queixa-crime apresentada pela UNITA a PGR contra alguns actos protagonizados pelo presidente da república e seus colaboradores aquando das eleições de 2012 continua a suscitar polemica na sociedade.
O professor universitário Celso Malavoloneke analista de política da Emissora Católica de Angola, citando juristas do MPLA considerou que a UNITA errou ao endereçar a queixa-crime a Procuradoria-Geral da República.
"Não era para a Procuradoria-Geral da República que deviam encaminhar o processo mas sim a Assembleia Nacional"
Para o docente de comunicação social o acto da UNITA constituiu um atentado a paz social.
"Isto que a UNITA fez é algo que beliscou a paz social"
O analista acha que a UNITA não conseguiu digerir até hoje o facto do presidente da república ter salvo a vida de muitos dirigentes seus em 2012.
"UNITA não pode fugir ao facto se os seus dirigentes hoje estão vivos, se não houve morticínio aquando de 2002 foi porque o presidente da república evitou que isto acontecesse."
Em resposta e falando a VOA, a constitucionalista Mihaela Webba afirmou que este e outros pronunciamentos que se levantam acerca do assunto demostram a falta de conhecimento real da matéria e seus autores serem apenas "Bocas de aluguer”.
"Não leram e não conhecem o conteúdo da participação da UNITA, vem como "bocas de aluguer" falar a toa, desvirtuando conceitos jurídicos aceites internacionalmente e desinformando a população"
A também deputada pela UNITA aconselhou as pessoas em causa a lerem mais, os artigos da nossa constituição, por exemplo o 185 sobre as competências da PGR.
"Se o ministério público chegar a conclusão que o cidadão José Eduardo dos Santos cometeu um crime e verificar a qualidade de presidente da república não o pode indiciar porque não tem competências para o fazer, terá de enviar as informações a Assembleia Nacional, para iniciar um processo de destituição do presidente"
O que a UNITA fez, lembra a jurista não foi um pedido de destituição do presidente da república.
"A UNITA não está ainda a pedir um processo de destituição do presidente da república, ainda não porque para isso é preciso bases sólidas e quem fornece essas bases sólidas é a procuradoria da república"
Sobre o facto de alguns dirigentes da UNITA terem sido protegidos em 2002, para a jurista não faz com que os actos do presidente da república fiquem impunes.
"Isto não invalida que a UNITA venha apresentar junto da Procuradoria-Geral, uma participação pelo facto de ter tido conhecimento da sua participação no esquema para subverter a soberania popular." Voz da América

A luta de um marfinense pelos direitos dos homossexuais em África

Só uma dezena de países africanos assinou a convenção das Nações Unidas de 2011 que condena a discriminação contra as minorias sexuais. A homofobia persiste no continente, mas também há casos positivos.

Stéphane Djedje é cristão e é homossexual. Diz que no seu país natal, a Costa do Marfim, ia à igreja sete dias por semana. Durante 16 anos pediu perdão por ser quem era, chorou e rezou para mudar. Hoje estuda Direito no Reino Unido. Antes também estudou Teologia no país e foi vítima de discriminação:
“Durante a aula levantei o braço e disse que não faz mal ser gay. Como cristão, acredito que Deus ama toda a gente", conta.
Mas o seu ato teve consequências. Stéphane foi chamado a uma reunião com o diretor, nigeriano, e o seu assistente sul-africano. Nessa altura, perguntaram-lhe se era homossexual. O marfinense não se coibiu e disse que sim. "Então, eles responderam: se não quer ajuda terá de sair da escola". Foi isso mesmo que Stéphane fez.

"Terá de me aceitar como sou"

Sem um estabelecimento de ensino, o marfinense não podia validar o seu visto de estudante no Reino Unido. Encontrou outra universidade.
Quando se reuniu com o diretor disse que era homossexual – "terá de me aceitar ou rejeitar como sou", disse na ocasião. O diretor respondeu que podia ficar. Ainda assim, Stéphane continuou a encontrar dificuldades.
"Eu era o único negro, o único gay, e toda a gente sabia e comentava. Foi esgotante, eu acordava de manhã e não queria ir para as aulas", lembra. "O ódio era tão grande que eu realmente olhava para o espelho e queria mudar, mas era impossível. Mas consegui acabar o meu curso", diz hoje, orgulhoso.

África e a Europa

Agora, o seu movimento, House of Rainbow, dita que é possível ser-se gay e cristão. O movimento trabalha na Nigéria, Lesoto, Burundi, Malawi, Costa do Marfim, e também no Reino Unido, França, Holanda – e Alemanha, onde Stéphane quer viver. Ele gosta do sentimento de liberdade da comunidade gay alemã e compara o progresso entre África e a Europa:
“Na verdade são iguais, mas não estão ao mesmo nível histórico. O que África está a sofrer agora foi o que a Alemanha viveu há muitos anos. Somos pouco pacientes em África porque, com a velocidade atual da informação, vemos que os homossexuais já podem casar e ser quem são", refere.

Nem tudo é negativo

Hoje em dia, há 36 países africanos onde a homossexualidade ainda é considerada ilegal. No Zimbabué, por exemplo, o novo projeto constitucional proíbe o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O Presidente zimbabueano, Robert Mugabe, tem criticado fortemente os direitos dos homossexuais.
Mas cada país africano é diferente, ressalva Marc Epprecht, professor canadiano de estudos de desenvolvimento. Moçambique e Cabo Verde estão na linha da frente no que se refere a este tema, explica.
Muitos moçambicanos emigraram para a África do sul, e durante mais de 100 anos houve relações entre pessoas do mesmo sexo. Havia um conhecimento de que isto acontecia. Penso que as ex-colónias portuguesas eram mais honestas do que outros países africanos".
Segundo o especialista, ambos os países servem hoje como um modelo alternativo ao que Epprecht chama de "predadores hipócritas do ocidente que dizem para fazer isto ou aquilo". Deutsche Welle

Autora: Débora Miranda (Londres)
Edição: Guilherme Correia da Silva / Helena Ferro de Gouveia

segunda-feira, 18 de março de 2013

Khongolote: Criminalidade em alta

MORADORES do bairro de Khongolote, no município da Matola, na província do Maputo, queixam-se do elevado índice de criminalidade que nos últimos tempos tende a recrudescer, “ tirando sono” a milhares de cidadãos que ali residem.

O “Notícias” escalou na semana finda aquela zona residencial, onde constatou que os crimes mais frequentes são assaltos na via pública, violações sexuais de mulheres e roubos a residências.
Em contacto com os residentes, soubemos que tais crimes são protagonizados por indivíduos desconhecidos e com recurso a armas de fogo e instrumentos contundentes, como facas, chaves de fendas e catanas, que variadas vezes são usados para ameaçar as suas vítimas.
Segundo os nossos entrevistados, todas as ruas que dão acesso ao bairro de Khongolote com destaque para as ruas da Mafureira, Mulombela e de Drive in já registaram casos criminais como assassinatos.
Afirmaram ainda que na calada da noite, os bandidos escondem-se ao longo das vias à espera de cidadãos que regressam dos seus locais de trabalho ou escolas, de onde são ameaçados e despojados dos seus bens.
Eva Mavoco, residente em Khongolote, disse-nos que os assaltos são cada vez mais preocupantes porque mesmo em plena luz do dia, é normal os marginais entrarem numa casa e roubarem.
“A onda de criminalidade no nosso bairro aumentou e pedimos intervenção de quem de direito para estancar o problema. È normal em plena luz do dia, os bandidos arrombarem uma casa e roubarem”, desabafou Mavoco.
Por seu turno, Angelina Comé, também residente naquela zona, precisou que a acção dos criminosos piorou e que os moradores e os agentes da Polícia que patrulham o bairro não conseguem travar a acção dos malfeitores.
“Estamos a passar maus momentos por causa dos criminosos que actuam no nosso bairro. Há assaltos a residências, roubos de diversos bens, violações sexuais e ainda assassinatos”, queixou-se.
Eduardo Cunhane, igualmente morador de Khongolote, acrescentou que a resolução do problema de criminalidade que se faz sentir no seu bairro passa, necessariamente, por um trabalho árduo dos agentes da lei e ordem.
“Nós como população não temos muito a fazer de forma a combater a criminalidade nesta zona. Pedimos socorro porque estamos cansados”, disse Cunhane.

Bandidos reinam - afirma o secretário do bairro, Julião Sumbe


A acção dos malfeitores está a tomar conta de tudo e todos, em Khongolote, ao ponto de se afirmar que os bandidos estão a reinar. O ponto é que os malfeitores actuam tranquilamente porque na zona não há patrulhamento policial e nem agentes comunitários de segurança à altura de combater o crime.
Segundo o secretário do bairro, Julião Sumbe, a criminalidade na sua zona manifesta-se de diversas formas. Disse que há casos em que são encontrados corpos sem vida nas vias públicas e não sabem se as pessoas foram ou não assassinadas naquela zona residencial.
Sumbe afirmou, por exemplo, que nos finais do ano passado dois corpos sem vida foram encontrados no terreno da Igreja Presbitéria de Moçambique e não sabem se foram assassinados noutro bairro e depois atirados naquele local.
Outro corpo, por sinal de uma moradora do bairro, foi encontrado semana passada na zona de 1º de Maio e desconhecem-se as causas da sua morte.
“O que se sabe em relação a esta morte é que o seu corpo foi encontrado no quarteirão 52 e possivelmente tenha sido jogado de uma viatura durante à noite. As causas deste assassinato nós não sabemos”, informou Sumbe, acrescentado que a criminalidade no bairro de Khongholote, está a atingir proporções alarmantes, pedindo socorro às autoridades  de direito.
A mesma fonte informou-nos que para além de assassinatos na via pública e posteriormente abandono de corpos, há casos de roubo de viaturas que estão a crescer de forma galopante.
A título de exemplo, semana passada indivíduos desconhecidos e munidos de armas de fogo e instrumentos contundentes introduziram-se numa residência de onde roubaram uma viatura e puseram-se em fuga.
“As vezes pensamos que se trata de ajuste de contas a julgar pela forma como muitos crimes têm acontecido. Tentamos fazer a nossa parte com ajuda de agentes da Polícia mas não é fácil”, lamentou Sumbe.
A fonte indicou que no quarteirão 80, indivíduos desconhecidos, também armados e apetrechados de instrumentos contundentes, introduziram-se numa residência e roubaram uma viatura.
O secretário do bairro acrescentou disse que em Janeiro, a Polícia da República de Moçambique trabalhou arduamente ao ponto de desmantelar três esconderijos de criminosos onde encontraram diversos electrodomésticos com destaque para congeladores, geleiras, plasmas, fogões, aparelhagens sonoras e outros bens do uso doméstico. Continue lendo aqui

sábado, 16 de março de 2013

Relatório da ONU sobre desenvolvimento humano coloca Moçambique em antepenúltimo

Os países mais pobres do mundo estão se desenvolvendo mais rapidamente do que os mais ricos. Isso significa que o planeta está se tornando menos desigual, mostra a ONU. Ainda assim, Moçambique está no fim da lista.

O Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 do Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD) apresentado nesta quinta feira (14.03) traz boas notícias para o países lusófonos.
O relatório analisou 187 países e destaca que em todos os grupos e regiões houve notáveis melhorias em todos os componentes do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Progressos mais acelerados foram percebidos em países de IDH baixo e médio.

Moçambique

No índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, Moçambique está na posição de número 185. Está entre os quatros países do continente africano com maior taxa de incidência de pobreza. Moçambique está entre os países cuja pontuação subiu mais de 2% ao ano desde 2000. Ainda assim, mantém-se no fundo da escala. No quesito avaliado, é melhor apenas que o Níger e a República Democrática do Congo.
Ainda assim, o país apresentou melhores resultados nas questões de igualdade de gênero. O Índice da Desigualdade de Gênero (IDG) foi avaliado em 148 países e é um de dois índices experimentais (o outro é sobre pobreza multidimensional). O IDG analisa os resultados registrados na saúde reprodutiva, na capacitação das mulheres e na participação no mercado laboral. Nisso, Moçambique se destacou.

Angola

Angola está no grupo dos países com baixo desenvolvimento humano. Mas da mesma forma que Moçambique está entre aqueles cuja pontuação subiu mais de dois por cento ao ano desde 2000. No IDH, o país subiu uma posição nos últimos cinco anos. Atual colocação é 148. Vem mantendo a tendência de aumento ligeiro da sua pontuação.
Em média, os países perdem 23,3% da sua pontuação quando se contabiliza as desigualdades. Neste caso, Angola é o que mais perde (43,9%). Para comparar, recorda-se que a República Tcheca está no extremo oposto (5,4%).

Guiné-Bissau

Já a Guiné-Bissau piorou. Aproximou-se dos últimos colocados. Este ano, está na posição de número 176 no IDH. Exatamente a mesma colocação em que esteve em 2011, na frente apenas de 11 nações. Apesar de ter vindo a melhorar a pontuação desde 2005, a sua posição no ranking desceu quatro lugares desde 2007. Levando em consideração as desigualdades, o índice da Guiné-Bissau desce 41,4% para 0,213.

Cabo Verde

Entre os países de desenvolvimento médio, Cabo Verde caiu apenas uma posição. Recuou de 131 para 132, apesar de uma ligeira melhoria da pontuação. O melhor registro do país foi em 2009, quando se qualificou na 118ª posição. Um ano mais tarde, porém, caiu 15 lugares.

São Tomé e Príncipe

Dos países lusófonos no grupo de baixo desenvolvimento, São Tomé e Príncipe é o melhor colocado. Mantém a posição 144 desde 2007. O valor do desenvolvimento são-tomense tem vindo a crescer desde 2005, quando era de 0,488, até 0,525 em 2012.

Timor-Leste

Neste cenário de melhorias generalizadas, destaca-se Timor-Leste. Nos últimos dois anos, o país não teve uma variação no ranking, mas entre 2007 e 2012, o território subiu cinco posições. Entre 2000 e 2012, registrou o maior crescimento médio anual no IDH se comparados os países do leste da Ásia e Pacífico. Seguido, ele é pela Birmânia. Timor-Leste figura na colocação de número 134, no IDH do PNUD.
No que diz respeito às desigualdades, o país apresenta a maior lacuna da região (33%), sendo seguido pelo Camboja (25,9%).

Portugal e Brasil

Na Europa, Portugal é considerado de desenvolvimento muito elevado. Assim como Moçambique, também Portugal apresentou melhores resultados em questões de igualdade de gênero do que no desenvolvimento humano em geral. Portugal ocupa a 16ª posição, muito acima do lugar atribuído no IDH geral (43ª).
O IDG inclui dados para apenas dois outros países lusófonos: Moçambique, que sobe 60 níveis, em comparação com o resultado obtido no IDH, e Brasil, que não muda de lugar, mantendo-se em 85ª.
O país lusófono melhor posicionado na tabela é Portugal. Ele é o único de desenvolvimento muito elevado que perdeu quatro posições em 2012. O motivo: foi ultrapassado por outros países.
O Brasil estagnou na tabela desde 2007, apesar de muitos dos seus programas de inclusão ao nível da Saúde, Educação ou Rendimento serem modelo a nível internacional. Um dia após a divulgação do relatório, o governo brasileiro contestou o IDH elaborado pelas Nações Unidas.
O governo brasileiro considera que a classificação do Brasil (85ª) foi "injusta", por utilizar dados desatualizados sobre educação. Porém, o PNUD refere no documento que alguns dados são antigos e recomenda que, uma vez que há sempre inovações e acréscimos de países nos cálculos, que não sejam feitas comparações com anos anteriores.

Os últimos e os primeiros da lista

O país com o melhor IDH é a Noruega. Depois vem a Austrália, os Estados Unidos, a Holanda e Alemanha.
O Níger (186) é a nação que apresenta o pior IDH no ranking do PNUD, ao lado da República Democrática do Congo (186). Melhores que eles: Moçambique (185), Chade (184) e Burkina Faso (183). Ao todo, foram 187 países analisados. Deutsche Welle

Autora: Bettina Riffel (Lusa)
Edição: Renate Krieger

SELO: Sobre a actuação da Polícia e do Governo, por Freddy

Bom dia, caros amigos! “Onde termina a Lei começa a tirania e a ignorância aguda por parte daqueles que não raciocinam por si próprios”. A Polícia deste país é composta na sua maioria por descontentes, embora não se identifiquem por medo de sofrer represálias que podem culminar com a sua retirada prematura das fileiras.
Minimizam a sua fome com menos de 5.000,00 Mt (Cinco mil meticais) que auferem mensalmente, para além da extorsão que praticam com perfeição, mesmo tendo mais de uma década de trabalho sem alguma promoção de carreira, ainda têm a coragem e muita cara de pau de se amotinarem na Avenida 25 de Setembro, na Capital do Lixo (Maputo) para lançarem jactos de água suja e gás lacrimogéneo contra tudo e todos. Vocês são ignorantes, que se acham mentores da ordem pública. São palermas mesmo, vão defender o Chefe de Estado que no fim do dia nada faz para melhorar as suas condições mínimas de sobrevivência.
Neste país a manifestação é permitida por Lei, como vem bem explícito na Constituição da República que eles mesmos elaboraram, no seu Artigo 87. Paradoxalmente, esta Polícia, sob direcção de verdadeiros Comandantes e seus seguidores corruptos, ladrões, praticante do nepotismo e amantíssimo em quase todo o país, ainda aparecem na televisão dizendo que a Polícia agiu bem. Veremos até onde vai o vosso Governo, já em Novembro este povo que vocês tratam mal vai mostrar-vos a outra face da moeda nas Eleições Autárquicas, e o pior ainda vem em 2014 nas Eleições Presidenciais.
No passado os meus ancestrais lutaram contra o jugo colonial para libertar esta pátria. Hoje o futuro dos jovens está quase hipotecado por um punhado de gente que faz e desfaz para satisfazer os seus caprichos, pondo o povo a lutar contra a polícia e eles assistindo dizendo porras, sentadinhos numa das suas casas de campo ou mansão construída com o dinheiro do povo. Os jovens conscientes e comprometidos com o futuro melhor deste país vão mostrar- vos que têm o poder de decisão nas mãos.
Vocês já nos chamaram de marginais, vândalos, arruaceiros por causa das manifestações que levantámos no dia 5 de Fevereiro e nos dias 1 e 2 de Setembro, já nos expulsaram coercivamente das Residências das Universidades, vendem grandes porções de terra a empresários estrangeiros e multinacionais um pouco por todo o país, e apenas constroem residências dizendo que são para jovens mas cobram uma renda mensal que só os vossos filhos é que podem pagar.
Mas que raio de políticos sois vós, seus contemporâneos de Kaúlza de Arriaga e Salazar? Publico este artigo de consciência bem tranquila e sei que nada me vai acontecer como é hábito, e quem tiver um familiar ladrão, corrupto, com mãos sujas, avisa-lhe que o FIM está próximo. Porque diferentemente destes governantes ladrões e corruptos, nós os jovens estamos a pensar seriamente no legado que pretendemos deixar para as próximas gerações.
Vocês já não têm motivos para pensar assim porque a vossa geração está eminente, de tanta riqueza acumulada, os senhores vão morrer como se nunca tivessem vivido. “As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram as que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos”, disse Malcolm X. @Verdade