sexta-feira, 5 de abril de 2013

7 DE ABRIL, DIA DA MULHER MOÇAMBICANA: - Entre lamentações e conquistas

DOMINGO, 7 de Abril, é Dia da Mulher Moçambicana em homenagem à heroína Josina Machel, pelo seu papel activo na luta pela libertação do país e pela emancipação da mulher. Há 42 anos que a data foi estipulada, muitas foram as conquistas alcançadas, mas os desafios permanecem.

O Notícias ouviu a opinião de diferentes pessoas sobre quais são os problemas que ainda afectam a mulher. A educação e o acesso a cuidados de saúde são os mais apontados pela maioria dos entrevistados.  
Manuela Xavier, coordenadora-adjunta de Comunicação e Imagem na Autoridade Tributária (AT) considera prioridade a formação da mulher por ser uma das armas fundamentais para o combate à pobreza.
"Acho que o Governo deveria se preocupar mais com os aspectos qualitativos da mulher, o que passa pela formação", disse Xavier, adiantando que não basta ter muitas mulheres chefes, mas sem valores para transmitir. A nossa interlocutora lançou um apelo às mulheres no sentido de não se levantarem contra elas próprias. "Sinto que falta união entre nós porque algumas, quando são nomeadas a cargos de chefia, têm a tendência de prejudicar as outras", lamentou.
Sandra Medina, representante da Mulher na Autoridade Tributária, comunga a visão de Manuela Xavier ao considerar a área da educação como prioritária.
No seu entender, muitas mulheres no país vivem abaixo da linha da pobreza como consequência da falta de formação. "A experiência prova que uma mulher formada supera todos os obstáculos e tem maior oportunidade de formar e proporcionar melhores condições de vida à sua família", defende Medina.   
Sendo funcionária da Autoridade Tributária, Sandra apontou também a importância do pagamento de impostos, ao indicar que sendo a mulher a maior força motriz do país, que representa 52 por cento da população total, a AT tem realizado várias campanhas de sensibilização para a aquisição do NUIT, sobre a importância do pagamento de impostos e taxas, através dos órgãos de comunicação social, de palestras e cursos de capacitação dos disseminadores.

Campanhas contra o cancro da mama

Para Fárida Cassamo, da Organização da Mulher Moçambicana (OMM), a saúde da mulher constitui uma das grandes preocupações do seu dia-a-dia. "Temos os cancros da mama e do colo do útero, doenças sérias e responsáveis pela morte de centenas de mulheres anualmente", afirmou Fárida Cassamo.
Segundo a nossa entrevistada, tem sido levadas a cabo campanhas de sensibilização para o controlo destas doenças, mas as mulheres ainda não encontram bom acolhimento quando se dirigem aos postos de saúde para o efeito. "Eu mesma já fui várias vezes ao posto de saúde do distrito onde vivo, mas a resposta que tive das enfermeiras é de que devo marcar consulta no Hospital Central de Maputo e, para muitas mulheres não tem sido fácil a deslocação para lá", disse defendendo a necessidade de se criar condições de diagnóstico em todos os hospitais do país. Fárida Cassamo apela ainda ao Governo no sentido de rever a Lei da Família que apresenta alguns aspectos que no lugar de ajudarem acabam prejudicando a mulher.

Falta reconhecimento

Narciso Faduco, director do gabinete de comunicação e imagem do Conselho Municipal da cidade de Maputo, entende que poucas são diferenças de problemas que afectam as mulheres em detrimento dos homens. Justifica que toda a luta que está sendo feita é no sentido de quebrar essas desigualdades.
Contudo, avançou que a educação e o não reconhecimento da mulher como sendo a célula base da sociedade são os problemas que mais afectam a mulher moçambicana. Para Faduco é difícil definir prioridades de acção para estes dois problemas por ele levantados.
“Em verdade não existe acção prioritária. A mudança de percepção social sobre importância do papel da mulher na construção da sociedade requer a educação. A Mulher sempre foi e sempre será importante na construção da sociedade”, explicou.

Escola melhora qualidade de vida

ara Maria de Líria, enfermeira do Centro de Saúde de Bilene Macia, província de Gaza, o grande problema da mulher moçambicana é a escolarização. “A escola é fundamental para a melhoria da qualidade de vida das mulheres. Uma mulher escolarizada consegue fazer um pouco mais em relação àquela que nunca foi à escola. Ela melhor faz o programa da sua vida, acompanha mais a educação dos filhos”.
Para sustentar a sua posição, Maria de Líria fez saber que no seu trabalho, por exemplo, há mulheres que têm vontade de acompanhar os filhos à unidade sanitária para as consultas, mas elas enfrentam dificuldades em perceber a explicação médica devido às suas limitações de  alfabetização . “Há aquelas que não conseguem ver horas no relógio”, sustenta.
Para a nossa entrevistada, a prioridade seria de se construir centros de alfabetização em todas as localidades para que as mulheres que não tiveram a oportunidade de estudar ainda jovens possam ser instruídas para que elas fiquem orientadas para a sua vida e da sua família. Continue lendo aqui.

Lei de petróleo não agrada sociedade civil em Moçambique

Em Moçambique o CIP, diz que a Lei de petróleo, ainda em revisão, responde aos interesses das empresas petrolíferas, mas não satisfaz as demandas da sociedade civil. A ONG questiona vários aspetos, como a transparência.

No seu serviço der partilha de informação pública do mês de março o Centro de Integridade Pública (CIP) questiona alguns aspetos relativos, por exemplo, a transparência, conflitos de interesses, e  consulta pública. A DW África entrevistou William Telfer, jurista moçambicano especializado em direito para gás e petróleo, para conhecer melhor a lei e saber até que ponto ela contém lacunas e omissões.

DW África: A quem satisfaz realmente a lei em revisão?
William Telfer: Primeiro, as empresas de petróleo procuram sempre ter uma lei de petróleo que lhes favoreça. Os lobbies dessas empresas a nível mundial são muito fortes. Então, é difícil as petrolíferas não terem influência nas leis. Segundo, há uma característica de países emergentes na área de petróleo, como Moçambique, por exemplo, Angola acaba de sair desta fase, e onde se constata uma ausência do regulador porque o poder político mantém nas suas mãos o controle sobre a indústria de petróleo. O Governo nunca pode ser um regulador. O Governo faz leis e normas, mas não é por excelência um órgão técnico que possa regular uma indústria tão complexa como a indústria de petróleo e gás.

DW África: E Moçambique está em condições de não aceitar as pressões das empresas petrolíferas?
WT:  Claro que sim. É só ver agora qual é o movimento da CTA, a Confederação das Associações Económicas. Na sua conferência anual do setor privado, há um mês, teceu duras críticas pela ausência de empresas moçambicanas na indústria de petróleo. Isto já é uma pressão ao Governo, e com a participação dos moçambicanos os internacionais têm menos voz activa. Isto significa que Moçambique está em condições de impor regras que possam favorecer não só ao Governo, mas a todas empresas privadas que atuem nesta área no país.

DW África: O CIP questiona no seu serviço de partilha de informação aspectos como concorrência nas concessões, transparência, propriedade das empresas, conflitos de interesses. Como ficam os interesses nacionais? Estão salvaguardados?

WT: Até agora, a versão comentada pelo CIP, de julho de 2012, não salvaguarda os interesses das comunidades locais. E gostaria que a lei de petróleo estipulasse certos critérios sobre como as comunidades devem ser compensadas e indemnizadas caso a indústria de petróleo queira instalar-se na sua zona. Penso que a compensação deveria ser diretamente proporcional ao valor que vai ser produzido a partir daquela terra.

DW África: Por exemplo, o CIP diz que a versão final da lei inclui de novo a opção de negociações diretas ou simultâneas, nos termos do artigo 5, o que constitui um retorno para a lei de 2001. No geral, apesar da lei estar ainda a ser revista, ela abre espaço ou não para corrupção e falta de transparência?

WT: Neste aspecto em particular, acredito que o CIP não fez o seu trabalho de casa. A única hipótese que o Governo tem de fazer uma negociação direta é quando se atribui uma área em concurso público a uma empresa e ela desiste da área. Aí o Governo pode fazer uma negociação direta. Aqui o CIP “estica um pouco a corda” para dizer que o Governo vai dar áreas para exploração de petróleo e gás a empresas de governantes. Acredito que isso nunca vai acontecer porque a lei de petróleo tem uma componente internacional muito grande. O Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e outras agências internacionais que têm financiado atividades de pesquisa e documentais na área de hidrocarbonetos e minas estão de olho em Moçambique. E os concursos lançados regem-se por regras internacionais, por isso não há abertura para corrupção, neste aspeto não concordo com o CIP. Deutsche Welle

quinta-feira, 4 de abril de 2013

«Angola não vive em ditadura, mas tem efeitos semelhantes», diz ex-PM Marcolino Moco

O antigo primeiro-ministro e secretário-geral do MPLA, partido no poder em Angola, considerou em Luanda que o regime angolano “não é uma ditadura, mas tem efeitos praticamente semelhantes”.
“Há um grande desfasamento entre a proclamação de um Estado democrático e aquilo que se vive hoje, que provavelmente não é uma ditadura, daquelas que se viveu, por exemplo, no Zaire de Mobutu, ou no Uganda de Idi Amin, mas muitos efeitos são praticamente semelhantes”, disse Marcolino Moco.
“Embora ainda ligado ao MPLA, sei despir-me deste casaco. Angola vive uma hora grave”, acentuou Marcolino Moco.
Moco, que interveio no primeiro dia de trabalhos do congresso extraordinário da terceira maior força política angolana, a coligação CASA-CE, liderada por Abel Chivukuvuku, antigo dirigente da UNITA, foi convidado pela organização a apresentar uma comunicação sobre “O Estado, a Democracia e a Cidadania em Angola”.
Sobre o exercício da cidadania em Angola, Marcolino Moco referiu-se à frustrada manifestação do passado sábado, impedida de se realizar pela polícia, que alegou falta de autorização legal.
A manifestação de sábado, que resultou na detenção durante algumas horas de 18 pessoas, visava exigir às autoridades informações sobre o paradeiro de dois jovens desaparecidos há cerca de um ano em Luanda, quando tentavam organizar uma manifestação antigovernamental.
“Impedir as pessoas de se pronunciar sobre o seu próprio país, impedir as pessoas de realizarem actos previstos na própria Constituição, no desenvolvimento de uma situação grave, de dois jovens desaparecidos, mas quando alguém fala nisso, vai para a cadeia também ou apanha porrada” foram situações que criticou.
Marcolino Moco classificou, por outro lado, como “imoral” e “escandaloso” que as riquezas de Angola não sejam distribuídas com equidade.
“Temos a situação gravíssima, que é a da espoliação das riquezas do país por parte de uma família. É difícil falar-se nisso, porque há um certo medo, mas é uma situação escandalosa, que eu na minha idade não posso esconder”, afirmou.
O ex-secretário geral do MPLA, que foi também o primeiro secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) denunciou ainda como “antiético” e “inaceitável” que José Eduardo dos Santos tenha feito da sua filha Isabel, “a mais rica de África”.
“Esse país vive debaixo de um golpe – se calhar não vou chamar de estado, porque senão dizem que estou a exagerar. Há aqui um golpe qualquer, em que as grandes questões não são debatidas”, lamentou.
Outro convidado pela CASA-CE para intervir na abertura dos trabalhos, foi o independente Carlos Rosado de Carvalho, economista e jornalista, que apresentou o que considera serem as diferentes características da economia angolana, antes da independência, em 1975, até à actualidade.
Carlos Rosado também comentou a recente designação de Isabel do Santos, filha mais velha do Presidente angolano, como a mulher mais rica de África na lista elaborada pela Forbes com as maiores fortunas.
“Não é significativo, nem representa efectivamente a nova Angola. De facto, não tem nada a ver com Angola, ou pelo menos não tem nada a ver com 99,9 por cento dos cidadãos angolanos, que vivem uma vida muito difícil”, comentou.
“Tenho dificuldade em falar de coisas que não sei. Não é comum no mundo, se é que acumulou essa riqueza toda, não é comum uma pessoa acumular tanta riqueza num espaço de tempo tão curto”, vincou. Rádio Moçambique

(RM/Lusa)

Rafael Marques constituído pela segunda vez arguido

Uma queixa presentada por gestores de umas empresas citada no livro Diamante de Sangue

Coque Mukuta

LUANDA — O activista e Jornalista Rafael Marques foi constituído arguido na manhã desta quarta-feira pela Direcção Nacional de Investigação Criminal através de uma queixa presentada por três gestores de umas empresas citada no livro de sua autoria.
Após ter sido arquivado o processo na justiça portuguesa por falta de provas, desta vez Rafael Marques foi chamado pela Direcção Nacional de Investigação Criminal e foi constituído arguido por queixa de três responsáveis da operadora ITM-Mining citada nas investigações.
Segundo Rafael Marques este segundo processo faz parte da estratégia dos generais angolanos, nomeadamente o Ministro de Estado e o Chefe da Casa Militar General Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”.
“Estes mesmos indivíduos que apresentaram a queixa tomam a dor dos generais, porque veja, é preciso que a sociedade compreende o que está a passar aqui”, acrescentando ainda que “os generais angolanos liderados pelo Ministro de Estado e o Chefe da casa de segurança do presidente da República Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, foram processar-me em Portugal, porque? Acham-se com honra em Portugal e não aqui? Porque que não me processaram aqui?” questionou.
“Então pedem a esses executivos estrangeiros, o senhor Antro Machil, Britânico, e o senhor Renato Teixeira, Moçambicano e mais um angolano, para queixarem aqui, então será que os generais só têm honra em Portugal e não em Angola?” frisou.
A audiência que durou pouco menos de uma hora contou apenas com a comparência do arguido, questionado porque que não foi acompanhado do seu advogado, Rafael Marques disse não ter condições para contratar advogado.
“Não fui acompanhado de nenhum advogado porque eu não tenho dinheiro para pagar advogados aqui e em Portugal” lamentou.
Rafael Marques denunciou ainda a forma como os gestores da empresa em causa cometem crimes de corrupção e de tráfico de influência junto dos generais angolanos.
“Esses mesmos executivos que foram apresentar a queixa também assumem a responsabilidade de sócios e de um negócio altamente corrupto, sendo eles um os representantes de uma empresa que tem sociedade com estes generais estão aqui, num caso, luz da legislação angolana a cometerem crimes de tráfico de influência e de corrupção” frisou. Voz da América

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Barracas promovem promiscuidade

SR. DIRECTOR!

Nos dias que correm o número de estabelecimentos comerciais, vulgo barracas, vem crescendo cada vez mais nos bairros periféricos da cidade de Maputo, associadas ao consumo de bebidas  alcoólicas, o que, de certa forma, vem promovendo promiscuidade causada pelo consumo do álcool.

Actualmente, é quase impossível não encontrar nos bairros  periféricos  um contentor, aliás, uma barraca, onde se vende álcool a todas as faixas etárias, ou melhor, para quem precisa, sem se observarem as regras elementares da ética e da moral. O que importa é gerar lucros, o que não é de criticar. Condenável é a forma como os consumidores comportam-se a ingestão de álcool: urinam de qualquer maneira e em qualquer sítio, nos muros, árvores e rodas de viaturas alheias (quando o dono reclama é mandado passear). Isso, muitas vezes, acontece, apesar de a escassos metros do local existirem locais apropriados para satisfazer necessidades fisiológicas. Enquanto isso, mulheres fazem danças eróticas sob olhar de qualquer um. As barracas transformaram-se em discotecas gratuitas, onde até há “shows” de “strip tease”.
Todas as sextas-feiras testemunho nos subúrbios adolescentes envolvendo-se em actos de indisciplina nas barracas localizadas nas bermas das estradas; quando passa um veículo, simulam estar a bloqueá-la de modo a intimidar o condutor e este imobilizar a sua viatura. Aí começam a dançar e a baloiçar  na viatura com o proprietário dentro da mesma sem nada poder fazer sob risco de ser agredido.
Para além de dançarem, atiram garrafas contra o vidro e, de seguida, escondem-se entre amigos para distrair a atenção do condutor, isto é, para não reconhecer o autor da indisciplina. Nesta óptica, os donos das barracas são, por um lado, cúmplices, na medida em que continuam vendendo álcool a menores, quando a lei proíbe, pois são esses adolescentes que posteriormente cometem desmandos e, por serem menores, ficam impunes e quem sai a “chupar” é o condutor que lhe foi partido o vidro do carro.
Durkheim, sociólogo clássico citado por Hermano Carmo, Phd Ciências de Educação, afirma que "a anomia é um conceito dado à ausência de normas que redundam na quebra das regras". Nesta óptica, a questão da promiscuidade nas barracas reflecte a quebra das regras, o que desestrutura os moldes decentes da convivência social; é o fundamento do desvio do comportamento social, oposto ao comportamento aceitável. Notícias
 
  • Mateus Licusse

Unita e Igreja em guerra de palavras

Secretário da UNITA no Namibe interroga-se sobre silêncio da igreja no desaparecimento de activistas

Armando Chicoca

A guerra de palavras entre a UNITA e a Igreja Católica intensificou-se com o Secretário Provincial da UNITA no Namibe Vitorino Ndunduma a afirmar que o arcebispo do Lubango, Zacarias Camuenho, foi “infeliz” em recentes declarações que fez sobre a UNITA.
Ndunduma recordou que o arcebispo foi o vencedor do Prémio Sakharov dos direitos humanos e como tal “nunca poderia encorajar o atropelo da constituição”.
“É apenas isso que a UNITA está a exigir porque se a lei é para todos ninguém devia estar acima dela,” acrescentou.
A igreja Católica e a UNITA envolveram-se numa disputa depois da igreja ter desaprovado da queixa crime apresentada pela UNITA contra o presidente José Eduardo dos Santos.
Posteriormente o líder da UNITA, Isaias Samakuva, acusou a igreja o mês passado de ter sido corrompida pelo governo.
A igreja católica reagiu com “preocupação e estranheza” às declarações do presidente da UNITA acrescentando que “não é missão da igreja opinar sobre as disputas políticas dos partidos, nem advogar as suas causas, porém, é imperativo, para os pastores da Igreja, exprimir-se diante da degradação da linguagem que fere a paz e a reconciliação entre angolanos”.
Vitorino Ndunduma disse ser estranho o silêncio da Igreja sobre o desaparecimento de activistas como Alvez Kamulingue e Isaías Kassule.
“É estranho que quando se trata da vida de um angolano, de uma pessoa quase que nenhuma igreja fez referência a isso,” disse.
“Mas quando há uma situação que é de interesse nacional já surgem muitas bocas para defenderem uma única pessoa ou algum grupo,” acrescentou. Voz da América

Entrada de mercadorias estrangeiras dificultada em Angola

A imposição de novas medidas na Alfândega Angolana, como análises laboratoriais a todos os bens alimentares importados, pode também pôr em causa o poder de compra do consumidor angolano.

Encontrar uma solução que agilize a entrada de bens de empresas estrangeiras na área da distribuição alimentar em Angola foi o tema discutido pela Direcção-Geral das Anfândegas de Angola e os seus importadores no dia 26 de Março, em Luanda.
Recentemente, foi posta em vigor na Alfândega angolana uma obrigação de análise laboratorial de todos os bens alimentares importados para o território, que veio criar elevados custos dos produtos e demora na saída de bens importados no porto de Luanda.
Quem está responsável pela análise de todos os alimentos estrangeiros é a Bromangol, empresa recentemente criada para o propósito. Victor Jorge, analista angolano e director da revista Distribuição em Expansão, alerta para o resultado que a sobretaxa sobre os produtos alimentares irá criar em Angola.
"Qualquer produto alimentar ou bebidas importados tem que ser sujeito a um processo de análise em laboratório", explica, exemplificando: "um contentor para vir de Roterdão para Luanda custa 4 mil e 500 dólares. Só a análise pode custar mais do que o transporte do contentor, somando o valor que os importadores têm que pagar pelas análises feitas pela Promangol, mais a nova pauta aduaneira".

Poder de compra do consumidor angolano posto em causa

A pauta aduaneira, segundo o analista, "vai ter um aumento de preços que vai encarecer o produto de tal maneira, que a dúvida agora é uma: não suportando o executivo o custo das análises, quem é que vai suportá-lo?". "É o importador ou vão ser transferidos para o consumidor?", questiona.
O poder de compra do consumidor angolano pode estar a ser comprometido com esta medida, que vai ver os produtos importados serem vendidos por preços muito mais elevados. Para Victor Jorge, esta medida surge como um incentivo à produção nacional. Contudo, na perspectiva do analista, o problema que é levantado, é o facto de não existir uma rede de produção em Angola e o país ser dependente da importação de bens estrangeiros.
"Em Angola, se formos a uma prateleira de supermercado eventualmente 80% a 90% dos produtos são importados", afirma, concluindo que "se fechar as portas a produtos importados desta maneira, ou não se vai ter os produtos ou os produtos vao ficar caros, porque a produção nacional de determinados produtos não acontece de um dia para o outro".

Apesar das medidas, "Angola ainda é aposta", diz analista

De acordo com o analista, "se houvesse produção nacional, eventualmente nós não estaríamos contra estas taxas e estas medidas". Não havendo, considera, "é muito difícil de perceber porque é que o executivo quer taxar os produtos importados de tal maneira que depois não podem ser consumidos pelo consumidor angolano".
Mas será que esta dificuldade encontrada na entrada dos produtos estrangeiros está a desincentivar a aposta de mercados internacionais? Victor Jorge acha que Angola ainda é um "país de oportunidades", mas "agora as oportunidades não são ou não estão à mercê de quem vem para cá sem uma operação perfeitamente pensada, organizada e estruturada e na busca do parceiro certo a nível local, porque nada se faz aqui sem encontrar um parceiro local". Deutsche Welle

terça-feira, 2 de abril de 2013

Luanda: Falta de água é negócio da China

Manuel José

A falta de água em Luanda pode ser problema para muitos, mas para outros é uma oportunidade de negócio.
E, quando os negociantes de água são imigrantes chineses, a irritação é maior entre aqueles que sentem o problema
"Eles vão buscar água para vender, quando a polícia aparece eles dão uma gasosa," disse Luísa Grilo directora nacional para o ensino geral.
A responsável pelo Ministério da Educacao repudia esta atitude dos cidadãos asiáticos.
"É a água que desviam das condutas, fazem furos ao longo das condutas, para comercializar a água, isto é grave e crime," disse.
"O chinês deve ser contratado para fazer outra coisa, não acho piada nenhuma um estrangeiro vir aqui pra vender água, um meio que podia ser de trabalho para um angolano," disse.
" É muito duro as pessoas comprarem 20 litros de água a 100 Kwanzas,” acrescentou.
A jurista Ana Paula Godinho também se queixou dos "preços proibitivos”, eu afirmando ter comprado água a cisterna a 20 ou 22 mil Kwanzas.
"Tenho muita dificuldade em perceber porque não temos água em Luanda, porque tanta escassez de água?" interrogou.
Já a política Alexandra Simeão, mostrou-se indignada em ver chineses a venderem água.
"O chinês deveria vir para construir e não para vender água, para estar na zunga, nos inertes, eles estão em todos os sítios," disse.
A jurista Godinho só encontra uma razão para escassez de água potável na capital angolana. "O problema está na ineficaz distribuição da água," acrescentou. Voz da América

Entrada de novas notas do Kwanza preocupa angolanos

Em Angola já estão a circular as novas notas da moeda nacional, o Kwanza. A população receia que isso faça aumentar o preço dos produtos, apesar do Banco Nacional e observadores referirem que não há razões para tal.

O mercado angolano está expetante em relacão à entrada em vigor, numa primeira fase, das novas notas de 50, 100, 200 e 500 kwanzas.
É que há anos atrás a introdução de novas notas ficou marcada por uma inflação sem precedentes.
Alguns cidadãos mostram-se ainda preocupados com uma eventual especulação de preços que esta medida pode trazer para o mercado.
Apesar disso Celina Crispin espera também coisas boas: “Infelizmente ainda não tive o prazer de ver, mas espero ver em breve e que traga benefícios para a sociedade. Geralmente quando há entrada de novas notas os preços no mercado sobem, só espero que desta vez não seja assim.”
Já Carla Carvalho garante que há mais facilidade nas suas compras com a introdução das novas moedas: “Ainda não vi as notas, mas já vi as moedas. Estas, vieram facilitar-nos nos trocos.”

Há ou não motivos para alarme?

Mas o receio é infundado segundo Domingos Pinto, diretor do departamento de meios circulantes do Banco Nacional de Angola: “Em relação à subida dos preços não estabelecemos uma ligação direta entre a introdução de nova família de notas e a subida de preços. Não há na, nossa opinião, motivos para receio no que concerne à subida de preços apenas por essa razão.”
Já o economista Carlos Rosado é da opinião que a introdução de novas notas não deveria influenciar na inflação: “Na economia as expetativas são muito importantes. Quando as pessoas pensam que os preços vão aumentar o comportamento dos agentes económicos levam ao aumento desses preços."
Mas há outro aspeto que tem de ser tomado em conta, destaca Carlos do Rosado: "Acho que é preciso insistir mais nesta questão da comunicação, da explicação aos agentes económicos, e em particular aos consumidores, daquilo que vai mudar. Repito, porque todos os dias o Banco Nacional de Angola substitui notas antigas.”
Desde o lançamento oficial da nova família do Kwanza, em finais de janeiro, o Banco Nacional de Angola tem promovido por todo o país campanhas, sobretudo com os comerciantes, para dar a conhecer as novas notas e moedas metálicas.

Mais justiça no comércio

A segunda fase de introdução da nova familia de notas acontece em maio próximo com a entrada em circulação de notas de 1000, 2000 e 5000 Kwanzas.
As novas notas do Kwanza vão circular em simultâneo com as notas antigas. De lembrar que as antigas notas do Kwanza estão em circulação há cerca de 14 anos.
As novas moedas metálicas, designadamente de um, cinco e dez kwanzas e 0,50 cêntimos estão em circulação desde o passado dia 18 de fevereiro. 128 kwanzas equivale a um Euro.
A introdução das novas moedas metálicas, que em Angola há muito deixaram de ser utilizadas por rejeição dos cidadãos, foi justificada pelo Banco Nacional de Angola com a necessidade de assegurar trocas comerciais mais justas.
De acordo com o Banco a ausência de moedas metálicas faz com que os preços, sobretudo dos bens de consumo, sejam arredondados para valores acima, em prejuízo dos clientes. Deutsche Welle

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Como o imperialismo continua a sua acção

SR. DIRECTOR!

Gostaria de ver publicado no jornal que V.Excia dirige este texto sobre o que as sociedades de hoje vivem face ao processo do chamado” quintal global”.

Nas últimas décadas do século passado, o termo “imperialismo” andava vinculado aos discursos de muitos dirigentes, sobretudo os dos países mais desfavorecidos. O imperialismo é a política decorrente na época da Segunda Revolução Industrial. Trata-se de uma política de expansão territorial, cultural e económica de uma nação sobre outra. Assim, alguns legados do imperialismo podem traduzir-se em efeito na vida económica dos povos africanos.
O sistema colonial destruiu o padrão económico que existia nos países. O colonialismo também ligou a África, economicamente, às grandes potências, de modo a que  os benefícios provenientes de tal sistema revertessem sempre a favor dos países poderosos e nunca retornassem para a África.
Outro mal causado pelo colonialismo foi a introdução das ideias europeias de superioridade racial e cultural, atribuindo pouco ou nenhum valor às manifestações culturais dos povos africanos.
A história da exploração económica teve um papel determinante na forma como certos governos africanos independentes se preocuparam em desenvolver as suas próprias economias.
Na altura das lutas pela libertação  e das proclamações das independências dos países africanos, o movimento imperialista ensombrou a vida de povos destas nações, como forma de vincar que a sua acção iria permanecer após as respectivas independências. Nessas alturas, dirigentes das novas nações apresentavam-se como balões de oxigénio, afirmando a sua vontade de transformar a realidade dos seus países, com vista a garantirem o bem-estar aos seus respectivos compatriotas.
Para o efeito, os pais das independências nacionais falavam do desejo de não se transformarem em novos colonizadores; da vontade de verem as riquezas de seus países reverterem a favor dos seus concidadãos; de alargarem os cuidados de saúde e  educação para a maioria da população; do sonho de verem os viventes de suas pátrias  habitando em casas condignas, com acesso, em grande medida, à água potável. Enfim, de verem reduzido o fosso económico e social entre as diferentes camadas sociais.
Estas vontades foram-se concretizando em cada país de forma diferente. Nalguns, os avanços foram, sem dúvida, consideráveis. No entanto, na maioria dos casos, os avanços foram insignificantes,  tornando o continente africano num continente com elevados índices de pobreza.
Passado este tempo, o que se pode hoje dizer sobre o efeito do movimento imperialista? A verdade manda dizer que este termo já não se veicula facilmente aos dizeres dos dirigentes mundiais. Todavia,uma nova palavra passou a predominar no vocabulário político económico e social:  “globalização”.
A globalização  é um processo de integração económica, cultural, social e política. Esse fenómeno é gerado pela necessidade de o capitalismo conquistar novos mercados, principalmente se o mercado estiver saturado. A intensificação da globalização aconteceu na década de 70, e ganha grande velocidade na década de 80. Um dos motivos para essa aceleração é o desenvolvimento de novas tecnologias como, por exemplo, no ramo da comunicação.
Assim, o produtor compra matéria-prima em qualquer sítio onde ela seja de boa qualidade e barata. Transforma esta matéria-prima noutro local onde a mão-de-obra seja mais barata e vende o produto final em qualquer parte do mundo.
Neste processo realizado no chamado “quintal global”, os países menos poderosos, felizmente nalguns casos ou infelizmente noutros, são os possuidores das maiores riquezas mundiais. A exploração e o uso dessa mais-valia, na maioria dos casos, não se reflecte na vida dos cidadãos mais desfavorecidos desses países.
Na verdade, os interesses de muitos dos actuais dirigentes dos países da periferia estão virados para os seus próprios interesses ou de grupos económicos, sociais ou outros, por eles representados, apesar de, nos seus discursos, continuarem a apregoar as vontades dos pais das independências nacionais. Desta forma, os interesses dos “globalizadores” encontram terreno fértil para, de maneiras diferentes, continuarem a marginalizar a maioria dos povos desfavorecidos. A globalização, que poderia ser uma força propulsora de desenvolvimento e da redução das desigualdades internacionais, está sendo corrompida por um comportamento hipócrita que não contribui para a construção de uma ordem económica mais justa e para um mundo com menos conflitos.
Portanto, o imperialismo só mudou de cara. O processo de retardar ao máximo possível o desenvolvimento dos países da periferia continua na agenda dos países poderosos. Notícias
 
  • Naimito Marina