Manuela Xavier, coordenadora-adjunta de Comunicação e Imagem na Autoridade Tributária (AT) considera prioridade a formação da mulher por ser uma das armas fundamentais para o combate à pobreza.
"Acho que o Governo deveria se preocupar mais com os aspectos qualitativos da mulher, o que passa pela formação", disse Xavier, adiantando que não basta ter muitas mulheres chefes, mas sem valores para transmitir. A nossa interlocutora lançou um apelo às mulheres no sentido de não se levantarem contra elas próprias. "Sinto que falta união entre nós porque algumas, quando são nomeadas a cargos de chefia, têm a tendência de prejudicar as outras", lamentou.
Sandra Medina, representante da Mulher na Autoridade Tributária, comunga a visão de Manuela Xavier ao considerar a área da educação como prioritária.
No seu entender, muitas mulheres no país vivem abaixo da linha da pobreza como consequência da falta de formação. "A experiência prova que uma mulher formada supera todos os obstáculos e tem maior oportunidade de formar e proporcionar melhores condições de vida à sua família", defende Medina.
Sendo funcionária da Autoridade Tributária, Sandra apontou também a importância do pagamento de impostos, ao indicar que sendo a mulher a maior força motriz do país, que representa 52 por cento da população total, a AT tem realizado várias campanhas de sensibilização para a aquisição do NUIT, sobre a importância do pagamento de impostos e taxas, através dos órgãos de comunicação social, de palestras e cursos de capacitação dos disseminadores.
Campanhas contra o cancro da mama
Segundo a nossa entrevistada, tem sido levadas a cabo campanhas de sensibilização para o controlo destas doenças, mas as mulheres ainda não encontram bom acolhimento quando se dirigem aos postos de saúde para o efeito. "Eu mesma já fui várias vezes ao posto de saúde do distrito onde vivo, mas a resposta que tive das enfermeiras é de que devo marcar consulta no Hospital Central de Maputo e, para muitas mulheres não tem sido fácil a deslocação para lá", disse defendendo a necessidade de se criar condições de diagnóstico em todos os hospitais do país. Fárida Cassamo apela ainda ao Governo no sentido de rever a Lei da Família que apresenta alguns aspectos que no lugar de ajudarem acabam prejudicando a mulher.
Falta reconhecimento
Contudo, avançou que a educação e o não reconhecimento da mulher como sendo a célula base da sociedade são os problemas que mais afectam a mulher moçambicana. Para Faduco é difícil definir prioridades de acção para estes dois problemas por ele levantados.
“Em verdade não existe acção prioritária. A mudança de percepção social sobre importância do papel da mulher na construção da sociedade requer a educação. A Mulher sempre foi e sempre será importante na construção da sociedade”, explicou.
Escola melhora qualidade de vida
ara Maria de Líria, enfermeira do Centro de Saúde de Bilene Macia, província de Gaza, o grande problema da mulher moçambicana é a escolarização. “A escola é fundamental para a melhoria da qualidade de vida das mulheres. Uma mulher escolarizada consegue fazer um pouco mais em relação àquela que nunca foi à escola. Ela melhor faz o programa da sua vida, acompanha mais a educação dos filhos”.Para sustentar a sua posição, Maria de Líria fez saber que no seu trabalho, por exemplo, há mulheres que têm vontade de acompanhar os filhos à unidade sanitária para as consultas, mas elas enfrentam dificuldades em perceber a explicação médica devido às suas limitações de alfabetização . “Há aquelas que não conseguem ver horas no relógio”, sustenta.
Para a nossa entrevistada, a prioridade seria de se construir centros de alfabetização em todas as localidades para que as mulheres que não tiveram a oportunidade de estudar ainda jovens possam ser instruídas para que elas fiquem orientadas para a sua vida e da sua família. Continue lendo aqui.