Através de Lúdgero Gemo, chefe de departamento da Juventude na Direcção Provincial da Juventude e Desportos de Maputo, ficámos a saber que o envolvimento dos jovens na caça furtiva e, com muitos deles a perderem a vida nas densas matas do Kruger Park, não estão associadas à falta de iniciativas juvenis, mas sim pelo desinteresse de muitos em aderir aos vários projectos de financiamentos colocados à disposição desta camada naquele distrito.
A título de exemplo, ao que explicou, em 2012 o Governo do Distrito de Magude financiou 16 projectos que beneficiaram directamente os jovens. O dinheiro foi empregue em iniciativas de emprego e auto-emprego. Ainda no ano passado e no que concerne ao Financiamento do Fundo de Desenvolvimento Distrital, foram aprovados 24 projectos o equivalente a mais de um milhão e 500 mil meticais, tudo direccionado para os jovens.
No ano em curso já foram aprovados 70 projectos ligados ao desenvolvimento distrital e 42 de financiamento ao fundo de desenvolvimento distrital, só para jovens.
“Portanto, só estes projectos mostram o quanto temos feito para esta camada. O seu envolvimento na caça furtiva é um caso novo e que precisa de ser bem estudado. Queremos que eles não só tenham ocupação, mas também formas de como viver sem incorrer em delitos” – explicou Lúdgero Gemo.
Por outro lado, ele fez saber que 20 por cento do valor global alocado pelo Governo Provincial a cada distrito é para iniciativas da juventude, a mesma percentagem atribuída pelo distrito aos projectos dos jovens nas localidades. Ainda, 20 por cento do número de terrenos demarcados para a prática da agricultura e outras iniciativas é atribuída aos jovens.
O chefe de departamento da Juventude na Direcção Provincial da Juventude e Desportos de Maputo disse ainda terem sido demarcados 256 talhões para habitação, sendo 135 para os jovens, o que equivale a 57 por cento.
“Particularmente em Magude e como forma de assegurar a sua representatividade, os jovens são convidados a participar na tomada de decisões. Dos 200 membros que compõem o Conselho Consultivo, 36 são jovens.
“Eles estão no centro de tomada de decisões, por isso não encontramos razões para que não apostem numa vida sem riscos, quando comparado com o envolvimento na caça furtiva. Temos feito muito para que eles não enveredem por práticas ilegais e arriscadas”, explicou Gemo.
Turismo no lugar de caça
Aliás, a Polícia já assegurou estar a enfrentar sérias dificuldades para obter dados precisos da população sobre quem são as pessoas envolvidas na caça dos cornos, uma vez que muitos não aceitam falar sobre o assunto.
Paralelamente, segundo Lúdgero Gemo, o sector que dirige está a orientar os jovens no sentido de, no lugar de caçarem os rinocerontes, optarem por fazer turismo de gestão comunitária junto às zonas de conservação. Como o Kruger Park está dentro da zona de conservação do Limpopo, os jovens são convidados a aproveitar esta zona para desenvolver actividades turísticas, muito mais frutuosas e de gestão limpa, quando comparado com a caça furtiva. Outras iniciativas de ocupação da juventude estão a ser implementadas, como é o caso do projecto desportivo denominado “Kavela Maputo”.
Finalidade dos cornos!
No Vietname, um grama de corno de rinoceronte chega a ser vendido ao preço de cinco mil dólares americanos. Segundo soubemos, neste país o corno é usado como símbolo de estatuto social e um produto de luxo.
O uso do chifre de rinoceronte, segundo a Agência Internacional para Pesquisa do Cancro do Vietname, tem uma história antiga, parcialmente ligada à medicina tradicional da vizinha China. A medicina tradicional no Vietname é praticada pelo menos em 48 hospitais e institutos, em mais de 240 departamentos em hospitais centrais e provinciais, e mais de 9.000 de centros de saúde. A lista de doenças tratáveis varia de febre alta, delírio e dor de cabeça severa, ao sarampo, convulsões, epilepsia e derrame cerebral. Entre 2002 e 2007, pelo menos cinco vietnamitas foram abrangidos pelas secções de chifre de rinoceronte na medicina.
Na verdade, segundo dados apresentados na Conferência Internacional Contra o Tráfico de Rinocerontes realizada em Joahannesburgo, em Setembro de 2011, o chifre do rinoceronte é agora promovido como tratamento para doenças potencialmente fatais como o cancro, e este comércio é sustentado pelo mito urbano persistente e duvidosas curas milagrosas. Aliás, o uso de chifre de rinoceronte para tratamento do cancro e de outras doenças graves foi reconhecido pelas autoridades vietnamitas na reunião Contra o Tráfico de Rinocerontes realizada em Joahannesburgo, em Setembro de 2011.
Segundo a Agência Internacional para Pesquisa do Cancro do Vietname, o cancro causa a morte de cerca e 82 mil vietnamitas a cada ano, e é, indiscutivelmente, uma das principais preocupações de saúde crescente. Essencialmente, eles são constituídos por creatina, um aminoácido presente nas unhas humanas e com poderes para curar cancros e aumentar a potência sexual.
Todavia, não há nenhuma evidência clínica de chifre de rinoceronte ter qualquer valor farmacológico para tratamento do cancro em outras partes do mundo. Apesar de chifre de rinoceronte continuar a ser amplamente associado ao tratamento do cancro no Vietname, algumas ONG’s locais, incluindo a Educação Para a Natureza, indicam que há limitações que tal uso pode ser eficaz como inicialmente foi indicado. Continue lendo aqui.