quarta-feira, 31 de julho de 2013

CAÇA FURTIVA NO KRUGER - Agentes da polícia no grupo dos mandantes

TRÊS  agentes da Polícia pertencente à Força da Guarda Fronteira e um do ramo de Protecção no distrito de Magude, bem como cinco agentes de segurança privada adstrita à Açucareira de Xinavane, no Distrito da Manhiça, na Província de Maputo, figuram entre os mandantes que fornecem armas de fogo, mobilizam e incentivam jovens a se envolverem na caça furtiva no Kruger Park, na África do Sul.

No prosseguimento do seu trabalho de investigação de modo a perceber os contornos desta ilegalidade que não só semeia luto no distrito de Magude, como muitos jovens a morrerem à procura dos cornos, mas também uma prática que movimenta muito dinheiro e diverso armamento de guerra, o “Notícias” soube que estes polícias não só garantiam a protecção dos furtivos para que não caíssem nas mãos dos seus colegas da justiça, como em alguns casos participavam no abate de rinocerontes para a extracção dos cornos.
Os agentes em causa são apontados como sendo mandatários secundários, aqueles que recebem dinheiro dos orquestradores para pagar os jovens que participam na caça furtiva, bem como fazem parte dos que esboçam, acobertam e participam nas operações de abate dos animais. Ao que apurámos, os polícias têm ainda o papel de indicar as melhores zonas onde os animais se encontram para serem abatidos, funcionando como uma espécie de informadores dos melhores dias, horas e zonas para matar os rinocerontes.
A nossa Reportagem acompanhou a última operação levada a cabo pelo Comando da PRM em  Magude que culminou com a detenção de parte deles, estando os outros ainda a monte. A rede era comandada por um oficial da Força de Guarda Fronteira que responde pelo nome de Zacarias Rodrigues Mazive, agora fugitivo.
Mazive e mais dois colegas da Guarda Fronteira associaram-se a um outro agente de Protecção. O grupo era ainda composto por vários elementos da segurança privada da Açucareira de Xinavane que, simultaneamente, prestam serviços à Masitonto Ecoturismo, uma área de conservação pertencente à Açucareira e localizada mesmo na linha de fronteira com o Kruger Park.
Tanto os polícias da Guarda Fronteira como os seguranças privados, apercebiam-se da movimentação de animais na zona limite com o Kruger. É dai que, há uma semana, numa das suas investidas, se aperceberam da presença de um casal de rinocerontes que pulou a vedação  do Kruger Park e foi dar a Conservação de Masitonto. Sem mais delongas, o polícia e chefe da quadrilha, Zacarias Mazive, pegou na viatura policial e na companhia dos seus colegas da polícia e dos seguranças privados, dirigiram-se a casa do caçador furtivo Agostinho Mucasse, 33 anos de idade, no sentido de o levar para abater os animais. A escolha não é por acaso. Agostinho é tido em Magude como sendo o melhor atirador furtivo que o distrito tem neste momento.
Frente-a-frente com os animais, o polícia Zacarias Mazive deu ordens para Agostinho matar os animais. Usando uma arma de calibre 458, com silenciador, Agostinho apenas deu um tiro em cada animal e em fracções de segundos já estavam mortos. Cada rinoceronte estava com mais de 500 quilos. De imediato, os agentes da polícia e os seguranças privados, usando um machado, trataram de cortar os cornos e rapidamente deixar o local dos factos.
Poucos minutos depois dos polícias cortarem os cornos, um helicóptero de patrulha pertencente ao Kruger Park sobrevoava o local. Eram polícias do Kruger que iam atrás dos animais que aviam transposto o cerco a procura de água do lado moçambicano. Porque muitos rinocerontes da África do Sul levam um chip para melhor serem monitorados, os polícias conseguiram chegar até eles mas, infelizmente, não foram a tempo de os salvar uma vez que já haviam sido mortos e extraídos os cornos. Não podendo fazer mais nada, os sul-africanos regressaram ao seu país transtornados com mais uma acção dolorosa dos caçadores furtivos moçambicanos que vão dizimando os rinocerontes.
No mesmo dia em que o casal de rinocerontes foi abatido, o agente Zacarias Mazive telefonou para o seu chefe e mandante principal do abate dos animais. Fazendo-se acompanhar do atirador furtivo Agostinho Mucasse, o encontro com o comprador teve lugar no canavial perto da ponte que dá acesso a vila-sede de Magude. O valor total pago pelo mandante principal foi de um milhão e cem mil meticais.
 

Oficial da Polícia foge com dinheiro


O COMPRADOR dos cornos, neste caso o mandante principal, pagou o valor de um milhão e 100 mil meticais ao seu comparsa Zacarias Mazive, oficial da polícia que chefiava a rede dos furtivos. O dinheiro devia ser dividido por onze pessoas que participaram no abate do casal de rinocerontes na semana passada.
Cada integrante devia receber cem mil meticais. São eles os três agentes da Guarda Fronteira, um do ramo da Polícia de Protecção, os cinco agentes de segurança privada, o atirador Agostinho e o fornecedor de arma, Armando Tive. A caçadeira usada por Agostinho pertence a Armando Tive, 40 anos de idade, também nativo de Magude, que na sua vida normal é um motorista de semi-colectivo de passageiros (chapa). 
Ao que se sabe, o chefe do grupo Zacarias Mazive terá pago os cem mil a Agostinho Mucasse, outros cem mil a Armando Tive e duzentos mil a dois colegas seus da Guarda Fronteira e um de Protecção. Os restantes, na sua maioria seguranças privados da Açucareira de Xinavane ainda não tinham sido pagos.
Dados em nossa posse indicam que os seguranças não foram pagos porque o polícia Zacarias Mazive, assim que soube que o Comandante Distrital da Polícia, Armando Mude, estava a liderar as operações para prender todo grupo envolvido no abate dos rinocerontes, tratou de fugir e estando agora em parte incerta.
Da acção do Comando Distrital foi possível prender dois polícias da Guarda Fronteira, um de Protecção e três seguranças privados, o atirador e o fornecedor da caçadeira usada para matar os animais. Todos eles foram obrigados a entregar todo dinheiro que receberam às autoridades. O valor vai constar do processo a ser remetido ao tribunal.
No terreno as buscas continuam no sentido de prender o cabecilha Zacarias Mazive e outros elementos que se puseram ao fresco depois de serem descobertos. Investigações em curso permitiram saber que há mais agentes da polícia e da segurança privada da Açucareira que estão envolvidos na caça furtiva e que nos próximos tempos deverão ser levados a barra do tribunal.  
Falando à nossa Reportagem, o caçador furtivo Agostinho Mucasse disse não conhecer a pessoa que pagou e levou os cornos. Segundo ele, quando foi com o agente Zacarias Mazive receber o valor do mandante principal, ficou no carro de Zacarias e este desceu e entrou na viatura do comprador de onde saiu com o valor total de um milhão e cem mil meticais.
“Eu só vi o dinheiro. Era um milhão e cem mil meticais. Recebi a minha parte e fui me embora. O resto do dinheiro não sei que destino Mazive terá dado”, explicou Agostinho Mucasse mostrando-se bastante enfurecido por ter recebido um valor muito abaixo dos 300 a 400 mil meticais que tem recebido quando faz aquele tipo de operação. Continue lendo aqui.

PRM e Companhia prejudicam artesãos moçambicanos e o país

SR. DIRECTOR!

Agradeço que por esta via possamos fazer uso deste espaço para denunciar uma situação que lesa o artesanato moçambicano. A Associação Cantinho dos Artesãos vem por este meio denunciar, mais uma vez, a actuação dos agentes da autoridade quer no serviço de “scanner de bagagens”, quer na revista das bagagens de mão, no Aeroporto Internacional de Maputo.

No dia 2 de Julho fiz o “check-in” e passados alguns minutos fui chamado pelos altifalantes. A PRM de serviço no scanner da bagagem de porão queria saber o que é que levava nas minhas malas. Respondi que era artesanato e logo de seguida pediram-me a documentação do mesmo. Argumentei que o artesanato que levava não excedia os 20 quilos e que segundo o diploma ministerial nº 220-A/2002, de 17 de Dezembro, nos seus artigos 3 e 4, é autorizada a saída do território nacional, sem quaisquer formalidades aduaneiras, de artesanato transportado por viajantes, em quantidades razoáveis, que não excedam 20 quilos. Outros passageiros que estavam presentes e que tinham sido chamados pelas mesmas razões, também reclamaram pois só levavam uma ou duas peças de artesanato, e a PRM procurou que eu saísse do local do scanner para que os outros passageiros não pudessem utilizar o mesmo argumento. Na revista da bagagem de mão, a mesma estória voltou a acontecer.
O meu voo foi cancelado e marcado o “check-in” para o dia 3 às 18 horas. No dia 3 de Julho dirigi-me à esquadra do aeroporto para apresentar a minha queixa ao comandante da mesma. Falei com o comandante Zandamela e mostrei-lhe a cópia do B.R. onde a referida lei foi publicada. O comandante da esquadra agradeceu-me pela informação que lhe transmiti e disse-me que já há algum tempo que tinha solicitado a várias entidades que lhe fosse enviada a referida lei, mas que ainda não lhe tinham enviado. Iria solicitar à Imprensa Nacional a original da mesma para poder informar os seus subordinados e, inclusivamente, facilitou-me o seu número de telemóvel para lhe poder ligar em caso de necessidade.
Informei-o que desta situação já me tinha queixado em 2010 e 2011 e que em algumas reuniões da minha associação se aventou a hipótese de realizar uma manifestação para a porta da esquadra e montar piquetes no aeroporto para informar os viajantes.
No dia 3 novamente fui fazer o “check-in” e quando cheguei ao balcão da revista da bagagem de mão, voltou a surgir o mesmo problema. Voltei com o mesmo argumento e realcei que tinha já apresentado queixa ao comandante Zandamela e que se fosse necessário poderia ligar para ele. Houve um elemento da PRM que me chegou a perguntar se essa lei também era para estrangeiros.
É de lamentar que haja nas fileiras da PRM elementos que pensam que as leis no nosso país sejam só aplicáveis aos nacionais e que para os estrangeiros as leis são outras. É verdadeiramente lamentável e vergonhoso para o país.
O meu voo voltou novamente a ser cancelado, e dia 4 voltei a ir para o aeroporto mas, desta vez, só com bagagem de mão.
Como no dia 4 o voo era às 13:00H, na revista da bagagem de mão, para além da PRM estava também um elemento das alfândegas e um outro que penso ser da segurança do aeroporto. A mesma estória repetiu-se, só que desta vez era uma verdadeira quadrilha que estava presente e que tentava a todo o custo extorquir alguma coisa aos viajantes. Para além de argumentar com a lei, disse-lhes que com a sua atitude estavam a tirar o pão da boca dos artesãos e dos seus filhos, pois muita gente que visita o nosso país não compra artesanato, pois não quer ter problemas no aeroporto.
Perante estes factos, tenho lutado há já quatro anos para que esta lei seja afixada nos aeroportos e postos fronteiriços de Moçambique, para que os viajantes possam ficar informados, mas ao mesmo tempo pode parecer que se está a passar um certificado de incompetência à PRM e Companhia por desconhecer a lei.
Esta actuação da PRM e Companhia prejudica os artesãos moçambicanos que são a segunda actividade que absorve mais pessoas em Moçambique e projecta uma péssima imagem do nosso país a quem nos visita. Notícias

  • Pedro Nóvoa

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Brics lições de Moçambique

Do outro lado da fronteira, em Moçambique está em andamento a exploração neo-colonial. Não é a Europa ou os Estados Unidos, que estão dominando, mas sim países que são muitas vezes olhados como não adversários, como o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esta é uma afirmação perigosa de fazer, mas vamos considerar os fatos. África do Sul tem uma extração de 415 megawatts de eletricidade a partir de Moçambique, através do projeto português desenvolvido Cahora Bassa, que alterou definitivamente o fluxo do rio Zambeze, resultando em graves inundações em uma base mais freqüente nos últimos ano. Em recentes inundações no início deste ano, é relatado que uma mulher deu à luz em um telhado de uma clínica, esta segue um incidente semelhante em 2000, quando Rosita Pedro nasceu em uma árvore após inundações naquele ano.

neo-colonial. Não é a Europa ou os Estados Unidos, que estão dominando, mas sim países que são muitas vezes olhados como não adversários, como o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esta é uma afirmação perigosa de fazer, mas vamos considerar os fatos. África do Sul tem uma extração de 415 megawatts de eletricidade a partir de Moçambique, através do projeto português desenvolvido Cahora Bassa, que alterou definitivamente o fluxo do rio Zambeze, resultando em graves inundações em uma base mais freqüente nos últimos ano. Em recentes inundações no início deste ano, é relatado que uma mulher deu à luz em um telhado de uma clínica, esta segue um incidente semelhante em 2000, quando Rosita Pedro nasceu em uma árvore após inundações naquele ano.
Não concessionária de energia Eskom da África do Sul está implicada na maior represamento do rio Zambeze, pois é provável que faça um compromisso de compra de energia a partir da proposta de Mpanda Nkua a jusante de Cahora Bassa. A maior parte da energia barata gerada por essa barragem é alimentada em uma ex-empresa sul-Africano, a BHP Billiton, a preço mais baixo do mundo - mas os empregos são poucos e os lucros são repatriados para a nova sede corporativa em Melbourne, na Austrália.
Depois de anos de extração de gás onshore de perto de Vilanculos, o Africano apartheid-criada empresa Sasol óleo do Sul está planejando para explorar o que são alguns dos maiores campos de gás offshore da África, situado ao largo de Moçambique, a fim de servir a própria estratégia de crescimento da África do Sul exportação levou.
O Brasil é também em Moçambique. Partilha de uma língua comum, como resultado de subjugação colonial pelo Português, negócios em Moçambique é mais fácil. O resultado é que a empresa brasileira Vale, que é a segunda maior metais do mundo e empresa de mineração e um dos maiores produtores de matérias-primas no mundo, tem um ponto de apoio na província de Tete, de Moçambique entre o Zimbabwe e Malawi. Eles são tão sensíveis sobre suas operações lá que um Vale desafiando ativista de Moçambique foi negada a entrada para o Brasil no ano passado para participar da Rio +20 encontro. Ele foi levado de volta para Moçambique, e só depois de um protesto global foi feita liderada por Amigos da Terra Internacional, ele foi autorizado a voltar para a reunião.
Além disto, a Índia também tem interesse em Moçambique. O grupo indiano Jindal base que compreende tanto a mineração e fundição fixar seus olhos no carvão de Moçambique em Moatize, bem como ter planos avançados para uma estação de energia movida a carvão em Moçambique, novamente para criar oferta para o exigente economia impulsionada elite da África do Sul.
A Rússia também tem um papel interessante em Moçambique. Enquanto não se sabe muito sobre o estado russo e envolvimento das empresas, após o intervalo, quando a União Soviética entrou em colapso, há uma ligação com a Eurasian Natural Resources Corporation da Rússia, que tem operações de metais não-ferrosos em Moçambique. Curiosamente, o governo russo acaba de investir R1.3 bilhões em Moçambique para facilitar o desenvolvimento de habilidades para explorar ativamente hidrocarbonetos e de outros recursos naturais, de acordo com o ministro do Exterior russo Sergei Lavrov.
Portanto, esta conta um conto de um país, em que dezenas de bilhões de rands de investimento por parte dos países BRICS e empresas de extração de resultados minerais na extração de riqueza. Moçambique vai se juntar às sociedades Cursed recursos da nossa região, com ambientes locais poluídos, e uma estrutura mudou de vida das pessoas, tornando-os dependentes de decisões estrangeiras, em vez de seu próprio poder político local e nacional. Este não é um conjunto aleatório de explorações, mas sim uma estratégia bem orquestrada para mudar a agenda de desenvolvimento elite fora da Europa, os EUA eo Japão, para o que hoje prazo, os Brics.
Este posicionamento significa que o Brics unidade de superioridade econômica é perseguido em nome do combate à pobreza. Não importa o quanto um termos do processo - imperialista, sub-imperialista pós-colonial, ou o que seja - a realidade é que esses países estão a desafiar as relações de poder no mundo, mas, infelizmente, o modelo escolhido para desafiar esse poder não é nada diferente do modelo que resultou em massa a pobreza ea riqueza da elite global.
Este é o modelo de extração e intensamente o desenvolvimento de capital intensivo com base em queima e aproveitamento de carbono e de acumulação de elite através de ajustamento estrutural também denominado Consenso de Washington. A agenda de criação do Banco Brics é um caso em questão: ele é opaco e não aberto ao escrutínio público. Exceto para a realidade tal como apresentado acima, esses países estão se unindo com seus poderes corporativos para decidir quem fica com o que estava no interior da África, América Latina, Ásia e Cáucaso.
A previsão é de que até 2050, os países Brics será no top dez economias do mundo, com exceção da África do Sul. Portanto, a questão tem de ser perguntado por que é a África do Sul nos Brics? Simplificando, a realidade é que a África do Sul é vista como uma porta de entrada para as empresas em África, sejam eles de energia ou empresas financeiras. Isto é devido à grande presença da África do Sul no continente.
Lembre-se de missões de paz da Thabo Mbeki? Bem, eles não estavam todos a paz, pois eles estavam sobre a obtenção de empresas sul-Africano estabelecidos em áreas de conflitos de modo que quando a paz acontece, eles estão lá primeiro para explorar os recursos nesses países. Isso poderia ser um papel negativo, se a África do Sul é usado apenas como uma porta de entrada para facilitar a extração de recursos e exploração da África pelos países do BRIC, como é agora pelo Ocidente. A pergunta tem que ser feita pelos sul-africanos, por que nós permitimos isso? Eu não tenho a resposta.
Voltando a redução da pobreza, a realidade é que nos países Brics temos o maior fosso entre os que ganham mais e os pobres, e esta lacuna está crescendo. Chamando o blefe de redução da pobreza é essencial. Como descompactar este opaco agenda dos governos Brics é um desafio. Por enquanto a conversa é sobre a redução da pobreza, a realidade é outra coisa.
Nós reconhecemos que o que os Brics está fazendo nada mais é do que o Norte tem vindo a fazer para o Sul, mas como resistir a essas práticas do Norte, temos de ser ousado o suficiente para resistir a estas práticas de nossos países irmãos do sul. Assim, de forma crítica, o desafio daqui para frente para a sociedade é compreender os Brics e dado o quanto está em jogo, a sociedade civil crítica deve analisar as reivindicações, os processos e os resultados da cimeira Brics e suas conseqüências, e construir uma forte crítica ao Brics que exige igualdade e não novas formas de exploração. Pambazuka


*Bobby Peek é diretor da Ong groundWork

Deve-se apertar-se o cerco à contratação de estrangeiros

SR. DIRECTOR!

O jornal “Notícias”, na sua edição de 6 de Julho de 2013, deu-nos a conhecer que o Ministério do Trabalho rejeitou o pedido de emprego a 36 estrangeiros de várias nacionalidades devido à falta de argumentos claros por parte das empresas contratantes face à real necessidade dessa mão-de-obra estrangeira, agravado pelo facto de que muitos candidatos nem conseguiram apresentar ou confirmar os certificados académicos ou profissionais que, sem margem de dúvidas, contrariam o estipulado na lei laboral, o que, para mim, constitui uma gota no meio do oceano para a infinidade de estrangeiros a trabalhar neste país, sendo que alguns pedidos constituem uma ofensa ao país, ao Governo e aos moçambicanos, pois alguns deles nem a quarta classe possuem ou o primeiro ano do Ensino Técnico-Profissional.


O artigo 33 da Lei do Trabalho (Condições para contratação de trabalhador estrangeiro) número 1 estabelece que “O trabalhador estrangeiro deve possuir as qualificações académicas ou profissionais necessárias e a sua admissão só e só pode se efectuar desde que não haja moçambicanos que possuam tais qualificações ou o seu número seja insuficiente”.
Sejamos honestos e sinceros, pois os moçambicanos se calam não é porque são burros ou cegos, mas vemos com olhos de ver que estamos infestados numa percentagem de 90 por cento de estrangeiros ilegais, os quais são legalizados após a entrada no país e que vezes sem conta têm que cruzar a fronteira num sai e entra aguardando o Dire e contrato de trabalho, que são uma autêntica farsa pois está à vista de todos que nos seus contratos laborais estão indicadas profissões que na realidade não executam, pois muitos são conferentes, gerentes de lojas, fiéis de armazém, etc.
Há outros que têm Dires e contratos de trabalho emitidos nas províncias e a trabalhar em Maputo, outros com documentos a indicar a sua afectação numa loja mas a trabalhar em escritório ou vice-versa.
A Lei do Trabalho, no seu artigo 31 número 1, diz que “O empregador deve criar condições para a integração de trabalhadores moçambicanos qualificados nos postos de maior complexidade técnica e em lugares de gestão e administração da empresa”, mas não é o que se vê, em que empresas mesmo com vastos anos de existência pura e simplesmente ano após ano contratam estrangeiros com salários chorudos, passagens aéreas, com direito à casa e muito mais.
O mesmo artigo 31, mas no seu número 2 estabelece que “o trabalhador estrangeiro a exercer actividade profissional no território moçambicano tem o direito a igualdade de tratamento e oportunidades relativamente aos trabalhadores moçambicanos”. Só que este artigo está no caixote de lixo atirado pelos empregadores que contratam estrangeiros muito mais numa base familiar e de raça.
Torna-se necessário que se acabe com estas manobras para se enganar o Ministério do Trabalho e a Migração ou os funcionários destas instituições sejam verdadeiros patriotas, pois os trabalhadores e a população sabem quando o contrato de trabalho e DIRE foram obtidos com base na corrupção são os próprios corruptores que afirmam terem pago, ou seja, corromperam para ter os referidos documentos. Caros compatriotas, ao darem contratos de trabalho e DirEs a forasteiros que são marginais na Índia e Paquistão estão a fazer crescer a fasquia do desemprego entre os moçambicanos.
Não constitui novidade alguma que antes dos documentos informatizados se faziam Dires e passaportes na Índia e Paquistão e até carimbos de instituições de soberania. Notícias

A LUTA CONTINUA!
  • Mussá Osseman

Sociedade moçambicana marginalizada nas negociações entre RENAMO e FRELIMO

Sob convocação do Presidente moçambicano, Armando Guebuza, o Conselho de Estado vai reunir-se em Maputo, na próxima segunda-feira (29.07), para se pronunciar sobre as eleições gerais de 2014.

Esta reunião do Conselho de Estado, que responde a uma obrigatoriedade constitucional, surge numa altura em que Moçambique vive um clima de grande tensão político-militar. Há poucos dias, o ministro moçambicano da Defesa, Filipe Nyusi, exonerou seis oficiais superiores do Estado-Maior General, nomeando outros tantos para os mesmos cargos, com um apelo ao exército para estar "em prontidão combativa".
A DW África entrevistou o analista moçambicano Manuel Araújo para entender a relação entre todos os acontecimentos à volta da tensão entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e a Resistência Naciobal Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição.

DW África: Houve recentemente a exoneração de seis oficiais superiores do exército e ao mesmo tempo foi lançado um apelo à "prontidão combativa". Será que se pode fazer uma outra leitura, para além de uma simples exoneração?

Manuel Araújo (MA): Penso que não é um ato isolado. Temos que compreender que, depois de 20 anos de paz, tivemos perdas de vidas resultantes de confrontos armados que mostram que por alguns momentos a paz deixou de reinar em Moçambique. Ato contínuo, nós ouvimos as declarações do general Macaringue, que foi o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, que dizia que a atuação das forças de defesa e segurança dependia do comando direto do chefe de Estado.
E depois disso o próprio general foi assaltado, perdeu algumas armas e o computador pessoal, e por fim ele foi demitido. Isso mostra que não são atos isolados. Em Moçambique temos uma linha, que eu chamaria de alas duras da RENAMO e da FRELIMO, que acabaram tomando controlo absoluto do processo de tomada de decisões.
Agora estamos no confronto de duas estratégias militares. Estas exonerações encaixam-se muito bem nessa lógica, que mostra que o chefe do Estado-Maior quer colocar elementos da sua confiança de modo a que haja uma certa coesão na tomada de posições. Também vamos para uma fase crucial, onde vai ter de se negociar a sucessão do Presidente Armando Guebuza e a componente armada, a violência, vai ter um papel muito importante para poder recuperar a imagem extremamente desgastada de Armando Guebuza.

DW África: Então, existe um sério risco de eclosão de uma guerra civil?

MA: Temos dois grupos de negociações, um liderado pelo ministro da Agricultuta, José Pacheco, e o outro por Macuiane da RENAMO, as conversações formais. Mas depois temos uma linha de negociações que servem mais ou menos aqueles que estão a fazer as conversações de uma possível conversação entre o presidente da RENAMO, Afonso Dhlakama, e o Presidente da República. E a força militar é usada sempre que chegam a um ponto de descontinuidade para poder consolidar os ganhos na mesa das negociações.

DW África: Tudo isso acontece na véspera da reunião do Conselho de Estado, convocado por Armando Guebuza, para se pronunciar sobre as eleições gerais. Há alguma ligação entre esses dois assuntos?

MA: Há uma ligação entre todos os assuntos que nos referimos. Por exemplo, as eleições autárquicas que deveriam ter lugar a 20 de novembro, e de que ninguém tem a certeza, há uma ligação entre o processo de sucessão interna na FRELIMO, a capacidade ou incapcidade de Armando Guebuza colocar quem ele quer como seu sucessor. Há uma relação com as eleições que deveriam ter lugar no próximo ano, mas que ninguém tem a certeza de que vão acontecer.

Portanto, estamos perante um tabuleiro de xadrez com dois jogadores, onde cada um tenta aniquilar o outro para que possa ganhar terreno. E se for necessário o uso da ala militar, diriamos que Armando Guebuza usaria o cavalo, em linguagem do xadrez. E esta exoneração dos militares tem a ver com a sucessão de Armando Guebuza. Ele usa cada um desses trunfos de forma a fortalecer a sua capacidade interna dentro da FRELIMO para poder escolher o seu sucessor.

DW África: A RENAMO já confirmou a sua presença no Conselho de Estado, mas o seu líder não estará presente. Acha que é uma boa posição?

MA: Não sei se há condições para Afonso Dhlakama sair de onde se encontra para Maputo. A não ser que esse encontro tivesse lugar na Gorongosa. É mais uma reunião para o inglês ver, para respeitar o que a Constituição diz, e não para tomar decisões. As decisões já foram tomadas. E não vejo neste momento na FRELIMO alguém com gabarito para desafiar o Presidente.

DW África: Neste processo não se ouve falar no Movimento Democrático de Moçambique (MDM). A que se deve essa aparente ausência?

MA: Penso que deveria ter havido uma maior agressividade da máquina do marketing político do MDM. Mas, por outro lado, quando quem fala são os generais, o fuzil das armas, não sei se nessa mesa há lugar para civis. Não se trata de um debate meramente político, mas de um debate político militarizado. Acho que o MDM não tem experiência militar, daí que esteja numa fase de adaptação. A máquina do MDM vai ter de aprender rapidamente a jogar com militares.

DW África: Mas o MDM não se sente marginalizado no processo?

MA: Não é só o MDM, a sociedade civil moçambicana, as outras forças políticas e outros atores sociais estão marginalizados. Trata-se de um processo bipolar entre dois partidos militares. Infelizmente não há lugar para as forças políticas. A própria igreja foi marginalizada, tal como so empresários, académicos, portanto, é uma marginalização de toda a sociedade moçambicana. Deutsche Welle

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Contextualizando a visita de Obama à África

Nos últimos anos, os Estados Unidos têm sido cada vez mais marginalizados em áreas de transformação econômica profunda na África, porque o compromisso dos EUA com a África foi principalmente através de militarismo e as relações militares. A atual visita do presidente dos EUA Barack Obama para a África deve ser vista neste contexto.

De 26 de junho a 3 de julho de 2013, pela segunda vez em sua presidência, Obama vai visitar a África, especificamente Senegal, África do Sul e Tanzânia. De acordo com a Casa Branca Press Release ", o presidente vai reforçar a importância de que os Estados Unidos coloca em nossos laços profundos e crescente com os países da África sub-saariana, incluindo através da expansão do crescimento econômico, investimento e comércio, fortalecer as instituições democráticas, e investir na próxima geração de líderes africanos ". [1] No entanto, para além deste comunicado de imprensa vaga não há clareza sobre o porquê desta viagem está ocorrendo neste momento particular. [2]
A visita do presidente Obama vem em um momento em que o mundo está tomado com o espetáculo de um jovem norte-americano, Edward Snowden, fugindo dos Estados Unidos, porque ele estava promovendo a liberdade de informação, contra o militarista e estado policial nos Estados Unidos. Com todos os problemas enfrentados por ele em casa - sequestro, o desemprego, os tambores de guerra escalada na Síria e divisões sobre as leis de imigração - a viagem de Obama à África carece de substância e definição. O que ele pode oferecer ao continente? O que ele traz para a mesa para justificar a sua visita?
Ambos os ex-presidentes Bill Clinton e George W. Bush visitaram a África durante o segundo mandato. Quando Clinton e Bush fizeram suas viagens à África, o “establishment” da política externa dos EUA havia sido guiado por um mantra em três frentes. Estes foram: (a) a noção de que a África estava enfrentando uma "ameaça" de terroristas internacionais, (b) que os Estados Unidos tinham interesses estratégicos na África (principalmente com o fluxo de recursos de petróleo), e (c) a concorrência emergente com China. A crise do capitalismo desde 2008 e alta sobre petróleo e gás auto-suficiência, como resultado de óleo de xisto e as novas descobertas de gás nos Estados Unidos ter acrescentado uma outra camada para todos. Mais importante, os EUA planejam para enfrentar a China em África têm sido temperada pela realidade de que os formuladores de políticas dos EUA tem que implorar China continuar a comprar títulos do Tesouro dos EUA. [3]
Em comentários anteriores eu tenho criticado os méritos imperiais de Clinton e de Bush razões para visitar o continente. Eram pelo menos indiscutivelmente mais substantiva e melhor articulada do que Obama. A falta de especificidade da próxima visita de Obama apoia o argumento apresentado por alguns que, como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, ele tem que visitar a África. Afinal, ele tem visitado a Europa várias vezes. Este argumento torna a sua visita nada mais do que um item a ser verificado fora de sua agenda presidencial abrangente. Mas, no contexto da marginalização dos interesses econômicos dos Estados Unidos na África por outros jogadores-chave como a China, a visita de Obama poderia ser visto como um esforço para aumentar o apoio para os capitalistas dos EUA no continente. Dar crédito a este argumento é o fato de que Obama está de visita a dois dos países também visitado pelo presidente da China, Xi Jinping, há algumas semanas - Tanzânia e África do Sul.
Visitas presidenciais passadas teve a agenda paternalista de palestras africanos na transparência governamental, democracia, direitos humanos, luta contra a corrupção, liberdade de expressão, etc. No entanto, dada a atual conjuntura de escândalos orquestrada pela mídia em os EUA, Obama parece hipócrita ao fazer essas declarações garimpado cerca de apoiar a democracia em África. Enquanto isso não impediu que ex-presidentes, desta vez o gato está fora do saco. Os vários escândalos que cercam os bancos e o grau de corrupção de Wall Street exposto por Matt Taibbi e outros têm ofuscado qualquer discussão sobre a corrupção em África.Incapacidade dos Estados Unidos para controlar as atividades de estilo da máfia dos banqueiros é aberto e em plena vista do público mundial. Neste comentário eu quero colocar que a viagem do presidente Barack Obama, no contexto da profundidade da crise política e econômica nos Estados Unidos. Começando com os esforços do G8 na convocação para as mineradoras ocidentais para seguir as leis e pagar impostos, este comentário irá referenciar o sucesso da oposição Pan-Africano para Africom e o militarismo dos EUA que tem predisposição a administração Obama a recuar a partir da Guerra Global Perpétua ao Terror como concebido pelos neo-conservadores. A conclusão será novamente chamada para as forças de paz e justiça para apoiar a justiça reparadora para que as relações entre os cidadãos dos Estados Unidos e os cidadãos da África pode se mover em uma nova direção.

Além o saque de recursos africanos

Barack Obama obteve uma vitória convincente para um segundo mandato em novembro de 2012. No entanto, apesar do mandato que recebeu do eleitorado de romper com as políticas que enriquecem a um por cento, este segundo termo tem sido atolados porque Obama recusou-se a tomar medidas ousadas para se juntar com a maioria para enfrentar os magnatas de Wall Street. Desde que Barack Obama chegou à Casa Branca em janeiro de 2009, a questão de qual parte do governo dos EUA dirige a política em relação à África rodou em casa e no exterior. Estas perguntas têm tido uma importância acrescida em face das revoltas na Tunísia e no Egito e a instabilidade desencadeada pela intervenção da OTAN na Líbia. Confrontados com novas energias para a mudança e unidade na África (mais evidente nos últimos encontros da União Africana por muitas forças em Addis Abeba em maio passado), [4] o estabelecimento da política externa dos EUA chegou a uma bifurcação na estrada. Os principais fatores de política externa dos EUA: Wall Bankers Street, o petróleo e os planejadores militares (juntamente com os militares / de inteligência empreiteiros privados) já foram ultrapassados por uma mudança acentuada no motor da economia mundial a sair da Ásia. Quanto mais notícias da corrupção da arquitetura financeira fraudada é revelada, todos os estados do G77 está procurando um sistema financeiro alternativo que pode protegê-los dos predadores de Wall Street. [5]
Com os detalhes que os comerciantes dos maiores bancos manipularam as taxas de câmbio de referência, envolvendo $ 4700000000000 dólares por dia [6] que vem na esteira dos escândalos taxa de juros Libor após a manipulação dos preços de energia, [7] os povos da África, juntamente com a resto do mundo estão descobrindo que, sob o atual sistema financeiro e político, não há preço que os grandes bancos não podem explorar. É da natureza do sistema financeiro corrompido para salvar o dólar dos EUA, que tem impulsionado as sociedades, como a África do Sul em BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e está acelerando a evolução de uma arquitetura financeira alternativa. O impulso organizacional da formação econômica chamado BRICS, junto com a criação do Banco de Desenvolvimento BRICS, representam um sério desafio para o dólar dos EUA e do Fundo Monetário Internacional. Obama está seguindo o exemplo do presidente chinês, Xi Jinping, em visita à África do Sul para avaliar em primeira mão o clima político e social num momento em que toda a gente está procurando maneiras de entrar em mudança na dinâmica econômica da África.
O nervosismo e a ansiedade do Ocidente sobre o futuro do domínio financeiro dos EUA foi bastante claro a partir do comunicado emitido após a recente reunião do G8 em 2013 na Irlanda. A maioria dos pontos no comunicado emitido pela Casa Branca (Declaração do Lough Erne) tratou dos desafios que saem da África e do papel das corporações transnacionais pilhagem dos recursos africanos, sem pagamento de impostos. [8] Antes da reunião do G8, o 2013 Relatório do Painel de Progresso da África liderada pelo ex-Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, pediu aos mesmos líderes do G8 para policiar suas corporações. O painel tinha chamado para, inter alia:

• O G8 e do G20 para estabelecer regras comuns que exigem a divulgação pública total da propriedade das empresas, sem exceção.
• Empresas de licitação para concessões de recursos naturais para divulgar os nomes das pessoas que possuem e controlá-los. [9]

A extração destrutiva dos recursos da África é velho e tomou novas formas, como Patrick Bond nos lembra em Pilhagem África: Economia da exploração [10] Para as últimas seis décadas da dominação de arranjos econômicos na África do Banco Mundial, tem visto o período da fuga de capitais dramática da África. [11] A empresa multi-bilionária de saques África foi a base de um sistema internacional que cada vez mais trabalhado na base de capital especulativo. O Banco Mundial e o FMI entendeu que os fundamentos reais de recursos reais podiam ser encontrados na África. Para esconder o saque e pilhagem, o Ocidente disfarçado a realidade de que a África é um credor líquido para os países capitalistas avançados (denominados "doadores" em linguagem neo-liberal). Por esta razão (e perpetuar os mitos de "estimular o crescimento econômico e o investimento"), o governo dos Estados Unidos foi pego em uma batalha perdida onde novas crescentes forças como Brasil, Rússia, Índia, China, Turquia, Coréia do Sul e outros estados oferecem alternativas para o ajustamento estrutural e os pacotes de austeridade. Barack Obama vai à África para impulsionar a cultura de armamentos dos Estados Unidos, num momento em que detalhes das grandes operações de espionagem corporativa governo expôs a vigilância dos cidadãos em todas as partes do mundo, em nome da luta contra o extremismo. Os cidadãos estão descobrindo que a coleta de inteligência, finalmente, atende aos interesses de grupos de capital próprio, como o grupo Carlyle, que está envolvido em armamentos, a inteligência e o mercado de ações. [12]
Em um período em que não eram frequentes escândalos que cercam as manipulações de rua banqueiros e especuladores de Wall, o governo dos EUA foi arrastado para a intervenção liderada pela Otan que realizou a mudança de regime na Líbia. A execução do coronel Muammar Gaddafi lembrou africanos do assassinato de Patrice Lumumba e inúmeros outros líderes da África. Continue lendo aqui.

Estado paga cerca de um milhão de dólares por pensões de 24 dirigentes

Os ministros pensionistas que continuam com funções no Estado ganham acima de 200 mil meticais por mês. Trata-se de José Pacheco, Manuel Chang, António Sumbana, António Borges...

O Estado moçambicano está a desembolsar, mensalmente, qual­quer coisa como 2.382.229,72 MT (Dois milhões e trezentos e oitenta e dois mil e duzentos e vinte e nove meticais e setenta e dois centavos), o equivalente a meio milhão de dólares ame­ricanos, por pensões de 24 diri­gentes, entre cessantes e activos, constantes dos despachos do mi­nistro das Finanças, publicadas no Boletim da República núme­ro 33, II série, de 24 de Abril do ano em curso. Por ano, o Estado desembolsa 28.586.756.64 MT (vinte e oito milhões e quinhen­tos e oitenta e seis mil e setecen­tos e cinquenta e seis meticais e sessenta e quatro centavos), o correspondente a cerca de um milhão de dólares para aqueles dirigentes.
Os valores globais acima apre­sentados não incluem salários nem subsídios dos que ainda continuam em serviço no Apa­relho de Estado. Igualmente, esses dirigentes, ainda no acti­vo, não são abrangidos pela Lei de Probidade Pública, o que faz com que, para além da pensão mensal fixada pelos despachos ministerial, recebam ainda sa­lário correspondente ao cargo que ainda ocupam por cada mês.
Por exemplo, o ministro da Agricultura, José Pacheco, ga­nha no final de cada mês, para além da pensão mensal de 112.988,43 MT (cerca de quatro mil dólares), outros 112.988,43 MT referentes ao salário mensal em virtude do cargo que ocupa. Quer dizer, mensalmente, en­tram na sua conta 225.976,86 meticais, o equivalente a oito mil dólares mensais. Um rendi­mento líquido anual de 2.7 mi­lhões de meticais.
Não é apenas José pacheco que se encontra nesta luxuosa situação, pois há outros minis­tros.
O ministro das Finanças, Ma­nuel Chang, além de ganhar 108.985,18 MT de pensão por mês, ainda dispõe do mesmo valor referente ao salário, o que totaliza pouco mais de 200 mil meticais por mês. Trata-se de va­lor superior a dois milhões por ano.
António Sumbana, Victor Borges e Cadmiel Muthemba são outros beneficiários de pen­sões que, adicionadas aos seus salários, acabam auferindo em cada mês acima de 200 mil me­ticais.
Mateus Kida é o ministro que está em situação menos privi­legiada: ganha 11.687,1 MT de pensão e um salário na ordem de 100 mil meticais, o que tota­liza, no final de cada mês, pou­co mais de 110 mil meticais. Tal justifica-se pelo facto de Kida ter conseguido pensão em 2005, na altura da sua desmobilização das Forças Armadas de Moçam­bique.
Do leque dos dirigentes que não só beneficiam de salários como também de pensões, constam nomes de três vice­-ministros, nomeadamente, Ab­dul Razak, dos Recursos Mine­rais; Carlos de Sousa (Cazé) da Juventude e Desportos; e Jaime Hamede, da Energia. Os primeiros dois vice-ministros ganham, por mês, de salários e pensões, 173.294, cabendo a Hamede 174.634 meticais. O País

LEGISLAÇÃO ELEITORAL - PR pode tomar iniciativa de revisão

O PROFESSOR e Jurista Teodoro Waty, defende que o Presidente da República, na sua qualidade de Chefe de Estado, pode tomar a iniciativa de lei visando a alteração da legislação eleitoral, se achar-se confortável com os consensos alcançados, a nível do diálogo político entre o Governo e a Renamo.

Waty, que também é presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e Legalidade da Assembleia da República, defendeu tal posição quando abordado pelo Notícias para se pronunciar sobre uma eventual revisão da legislação eleitoral.
O Governo e a Renamo estão a realizar um diálogo político visando a manutenção e consolidação da paz no país. Na décima primeira ronda, realizada na última segunda-feira, as partes chegaram a alguns consensos relativamente a matérias que deverão ser alvo de alteração na legislação eleitoral. De entre estas, destaque vai para as normas de realização da campanha eleitoral, elaboração de boletins de votos, recenseamento eleitoral, apresentação de candidaturas, entre outras matérias. Ainda sem consenso está a questão da introdução do princípio da paridade na constituição dos órgãos eleitorais, considerada de fulcral pela Renamo, assim como a questão sobre quem deveria submeter a proposta de revisão destas matérias ao Parlamento.
No que tange a este último ponto, Teodoro Waty defende que o Presidente da República pode tomar a iniciativa de revisão legal, usando, para o efeito, o procedimento simplificada, previsto no sistema legislativo moçambicano.
“O Presidente da República, como Chefe de Estado que simboliza a unidade nacional, deve zelar pelo correcto funcionamento dos órgãos do Estado e garantir a Constituição, só destacaria a sua figura usando o mecanismo simplificado”.
Segundo ele, naturalmente haverá quem pensasse na violação ao respeito do princípio da separação de poderes. “Sim, de certa forma. Seria uma interpretação reducionista, pois, não podemos deixar de pensar na correlativa interdependência de poderes”, disse para depois frisar que não seria o Presidente da República, na qualidade de Chefe de Governo, quem iria submeter a proposta ao parlamento mas o Presidente da República na sua qualidade de Chefe do Estado.
Para este professor, ao agir assim, o Chefe de Estado estaria a exercer a máxima magistratura da Nação.
Obviamente, a bancada parlamentar da Frelimo, da Renamo e do MDM podem, separadamente, apresentar propostas de revisão legislativa e também nesta matéria eleitoral, segundo a fonte. 
Ele  explicou que por maioria de razão, a bancada parlamentar da Renamo é que deveria apresentar tal proposta porque, segundo referiu, aparentemente, é a que tem mais interesse e pode suportar mais argumentos para as alterações.
“Receio que estes sujeitos, as bancadas, com capacidade de iniciativa de lei não tenham condições de depositar o projecto de lei atempadamente. Nesse caso, se for o entendimento de que é uma questão de premência nacional, como defendo que devia ser considerada, a iniciativa presidencial deixa de ser uma probabilidade, uma possibilidade facultativa mas imperativa e a única possível de viabilizar uma oportuna e urgente análise da pacote a rever”, acrescentou.
Elucidou mais ainda, afirmando que “uma vez o projecto ou a proposta depositada na Assembleia da República, tudo fluirá, no normal processo legislativo”.
Instado a pronunciar-se sobre a proposta da Renamo de se voltar a rever a legislação eleitoral, em menos de seis meses e “em cima” de um processo eleitoral, o nosso interlocutor afirmou  que a percepção existente na sociedade, dada pelos mídias, é de que o partido de Afonso Dhlakama condiciona a sua participação nas eleições à revisão da legislação eleitoral.
“Também, pelo que é dado a saber, o Governo não antipatiza com a ideia, discutindo-se, tão-somente, quem seria o autor da iniciativa legislativa, porque há essa implicação”.
Acrescentou que,  em sua opinião, as cautelas governamentais são atendíveis e defensáveis.
“A iniciativa legislativa de revisão do Pacote Eleitoral vigente foi do Parlamento e todo o processo decorreu em circuito parlamentar (Comissões especializadas e bancadas parlamentares). Testemunhei o longo e penoso processo de negociação inter-bancadas”, recordou.
Teodoro Waty referiu o facto de ter feito parte da delegação da Bancada da Frelimo em todas as rondas negociais que culminaram coma sanação de dezenas de pontos de dissonância, o que lhe faz compreender, perfeitamente, as preocupações da Renamo. 
No que concerne ao facto de esta revisão, a concretizar-se, acontecer muito próximo das eleições autárquicas de 20 de Novembro, um processo cujas acções preparatórias já estão em curso, o parlamentar da Frelimo na AR referiu que perante os mais altos interesses da nação, a mudança das leis e, até, da Constituição nunca pode ser considerada nociva para a Pátria.
“Admito, neste caso, que se pode avança para uma revisão da lei eleitoral, para a hipótese de simultaneidade das eleições. Não seria mais sensata a simultaneidade conseguida para as Assembleias Provinciais e gerais (legislativas e presidenciais) e estendê-las para as autarquias?”, lançou o “repto” o nosso interlocutor.
Segundo Teodoro Waty, a simultaneidade das eleições Autárquicas, Assembleias Provinciais e Gerais (legislativas e presidenciais) tem, claramente, inconvenientes mas também muitas virtudes, dentre as quais, aliviar o eleitorado do cansaço físico eleitoral; concentrar a agenda nacional na implementação dos diversos manifestos eleitorais; aliviar os encargos da Fazenda Nacional, dos partidos políticos e dos particulares e ainda evitar o adiamento permanente de algumas medidas por causa dos ciclos políticos, que levam ao constante aproximar de eleições. Continue lendo aqui.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

A pertinência da prática de seminário pelos estudantes do ensino superior em Moçambique

Falar do Plano Curricular do Ensino Superior em Moçambique, é o mesmo que falar dos currículos dos níveis primário e secundário, que têm como objectivo dotar o graduado de competências necessárias   para a satisfação das exigências do mercado de trabalho. Tudo isto, ele aprende dentro dum espaço de ensino-aprendizagem (escola ou universidade), sendo o professor a figura chave para a mediação  dos conhecimentos, os quais media-os através de diversas estratégias tais como: trabalhos para casa, avaliações (oral e escrita) e trabalhos de investigação, sendo que alguns destes são apresentados na sala de aulas em forma de seminário.
Em relação ao seminário, como uma estratégia de ensino/aprendizagem, ele é um método que consta quer do plano analítico quer do plano de aulas da maior parte dos docentes do ensino superior em Moçambique e que, pela sua natureza, quando bem aplicado, evidentemente dota os estudantes  de  capacidades   que  possam ser úteis, tanto nas comunidades  de onde são oriundos, como na vida profissional ou ainda em ambiente de trabalho.
Parafraseando Moreira at all (1997) o seminário constitui a  primeira manifestação  daquilo que se convencionou chamar de métodos activos, calcados na actividade e acção intelectual do aluno sobre o objecto da aprendizagem.
De facto, o seminário constitui um dos métodos activos no processo de ensino-aprendizagem, porque o estudante se torna centro de produção de conhecimento, enquanto ao professor apenas lhe compete os papéis de orientador, mediador e facilitador. Por conseguinte, com a adopção desta prática por parte dos docentes, como uma estratégia de ensino- aprendizagem, e posterior concretização por parte dos estudantes do ensino superior, estaríamos a enveredar por aquilo que as escolas moçambicanas ultimamente tendem a adoptar, a pedagogia construtivista, esta que se opõe à pedagogia tradicional implementada outrora, e que até à actualidade tem sido abraçada na sua íntegra por alguns docentes universitários, na sala de  aulas, onde acham que são mero detentores de conhecimento, são agentes activos, considerando de modo implícito os estudantes como tábuas rasas.
 Com efeito, se assim for, os estudantes não estarão aprender a aprender, isto é, estarão isentos da produção do conhecimento que os docentes tanto querem que eles produzam.
As aulas de seminário são pertinentes para os estudantes do ensino superior em Moçambique porque constituem uma forma de prepará-los para a investigação de qualquer tema integrante duma dada área científica.
Além de preparar os estudantes para a investigação, as aulas de seminário, quando bem aplicadas, no ensino superior revelam-se pertinentes porque desenvolvem a competência oral  dos estudantes, uma vez que ela (competência oral)  é o “saber falar” e constitui um dos requisitos para a integração do graduado de uma classe /nível ou ciclo de estudos no mercado de emprego.
 A prática de seminário pelos  estudantes do ensino superior constitui uma das estratégias ou métodos eficazes e modernas para a partilha de conhecimentos, atitudes e experiências entre estudantes, mesmo entre os estudantes e o docente, tendo em conta que a maior parte das turmas das universidades do nosso país são multiculturais e multilingues, onde  encontramos estudantes   provenientes de contextos socioculturais e linguísticos variados. Às vezes, durante a prática de seminário, vão transmitindo as experiências da sua realidade sociocultural e isso, certamente  torna a aula  bastante relevante, interessante e produtiva, contribuindo assim para a aprendizagem por parte do docente de certos aspectos socioculturais e linguísticos da comunidade de onde os estudantes são oriundos, uma vez que cada comunidade apresenta características peculiares que a identificam.
Sacristán e Gomez (1998) consideram a vida na sala de aulas como um sistema social  que manifesta as seguintes características: multidimensio-nalidade e simultaneidade.
Embora a citação acima esteja inserida no modelo ecológico na sala de aulas, penso que também se adequa às aulas de seminário, pois, quanto mais aberto e multidimensional for o sistema de interacção entre os intervenientes no processo de ensino-aprendizagem durante as aulas de seminário, maior é a probabilidade do desenvolvimento da atitude crítica e reflexiva por parte dos estudantes e é o que está plasmado nos currículos de diferentes níveis de ensino em Moçambique, ou seja, espera-se que o graduado no fim de uma classe/nível ou ciclo de aprendizagem tenha uma atitude crítica e reflexiva.
Em conclusão, gostaria de ressaltar que as aulas de seminário, quando bem orientadas e praticadas pelos principais  intervenientes no processo de ensino- aprendizagem (professor e estudante), revelam-se de extrema importância porque respondem àquilo que são os desafios da educação em Moçambique, assentes em quatro pilares importantes:
- Saber ser, onde o estudante formado seja capaz de produzir conhecimento a partir de si, fazer juízos de valor e desenvolver atitude  crítica  e reflexiva;
- Saber conhecer, que é uma educação para aprendizagem eficaz e constante de conhecimentos sólidos, e aquisição de instrumentos precisos para compreensão, interpretação dos fenómenos políticos, económicos e sociais;
- Saber fazer, que o formado tenha qualificação pessoal sólida, espírito empreendedor para que ele acompanhe as tendências de transformação do mercado, visto que os nossos mercados de trabalho estão em constantes mudanças, mudanças estas que acompanham paralelamente o desenvolvimento científico  e tecnológico;
- Saber viver junto e com os outros, entra em jogo o respeito próprio ou auto-respeito, respeito da família e outras pessoas de comunidades, culturas e religiões diferentes. Diário de Moçambique
   
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFRICAS

GIL, A. Carlos. Metodologia do Ensino Superior. 4ª edição. São Paulo: Atlas, 2009.
LAKATOS, E.M e MARCONI, M. A. Metodologia Cientifica. São Paulo: Atlas, 1992.
MOREIRA, D. Augusto (Org.). Didáctica do Ensino Superior: Técnicas e Tendências. São Paulo: Pioneira, 2003.
SACRISTÁN, J. Gimeno. O Currículo: uma reflexão sobre a prática. 3ª ed. Porto Alegre: ArtMed, 2000.
SACRISTÁN, J. Gimeno & GOMEZ, A.I Perez. Compreender a transformar o ensino. 4 ª ed. Porto Alegre: ArtMed. 1998.
SEVERINO, António Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22ª ed. São Paulo: Cortez, 2002.

*Docente da Universidade Pedagógica – Beira (Curso de Português), mestrando em Ensino de Português

quarta-feira, 17 de julho de 2013

SIGAROWANE - Busquemos a tranquilidade

HABITUEI-ME a uma certa vibração política por parte das várias organizações que, sempre que se aproximam momentos eleitorais, apresentam as suas propostas para a gestão de partes de território, ou de todo o território nacional.

Habituei-me, por isso mesmo, a participar, ainda que de maneira informal, do debate dessas propostas de governação, dos modelos de governação, a nível de partes do território, em roda de amigos e de entusiastas, muitas vezes não me identificando com muitos, achando uma aproximação entre um e outro e não me desidentificando com um, como sempre há-de acontecer enquanto me sabendo uma ambição da existência.
Não me entusiasmam as percentagens que a administração eleitoral vai anunciando em cada território autarcizado, pois na verdade, já em rota final, bem gostaria de as saber gordas, o que seria um sinal de que a cada dia que passa, a vontade de participação do processo de escolha de governantes por parte dos governados, vai ganhando uma expressão maior, um acento tónico na consolidação da democracia, em processo de construção.
Não encontro as razões desta pouca afluência aos centros de registo eleitoral, mas que é necessário buscá-las e explicá-las, isso sim. Atrevo-me, contudo, a dizer que pode ser que se trate de medo ou de outra razão que não entendo por parte dos eleitores, mas aqui é necessário conhecer os motivos. Mas também é preciso dizer que não servirá de nada conhecer as motivações que conduzem a esta fraca afluência aos centros de registo eleitoral se não se for capaz de enfrentá-los com razoabilidade, com espírito aberto e franco.
Atrevo-me ainda a dizer, que o medo pode ser um elemento desmotivador. E o país, no meu modesto entender, está com medo e trata-se de um medo fundado: basta falarmos dos acontecimentos de Muxúnguè, nos acontecimentos do paiol de Sofala, nos acontecimentos de Gorongosa, todos eles carregados de morte, todos eles embebidos em sangue de filhos de mulheres e praticados por filhos de mulheres.
Podem estes tristes acontecimentos, que alimentarão as páginas da história deste povo nobre, articularem-se como uma forma de pressão, mas no meu modesto entender, pode a pressão ser feita sem que isso signifique derramamento de sangue, sem que isso signifique o recurso às armas. As pessoas têm que falar para se entenderem e os moçambicanos têm essa capacidade.
Sandjundjira pode estar na origem do medo. Mas então se Sandjundjira pode estar na origem do medo, da desmotivação, é preciso resolver este Sandjundjira.
Podem ou não as descobertas de minerais e petróleo no solo pátrio alimentarem Sandjundjira? Não sei, ou melhor não tenho resposta, mas me permito a especulação: me parece verdadeiro que Dhlakama não se fixou na Gorongosa por vontade própria, mas sim pela pressão da ala militar que reclama melhores condições e, curiosamente, foi pouco tempo depois de ter tido um encontro com o Presidente da República, em Nampula, encontro de que se disse bem.
Por outro lado, os comboios eram impedidos de circular transportando carvão de Tete para o porto da Beira, em Sofala. A linha atravessa todo um território na província de Sofala que é de domínio de Dhlakama e os seus homens que simplesmente se alimentam de ordens. Pode, o Dhlakama, ter aproveitado esta circunstância para mandar uns recadinhos às mineradoras no sentido de que ele e só ele pode garantir a livre circulação dos comboios, já que as tropas governamentais não interessariam atacá-los e não parece poder garantir a sua circulação com segurança.
Podem ou não, neste sentido, as mineradoras verem-se na contingência de negociar com o homem de Sandjuundjira em ordem a assegurarem os seus negócios?
Podem ou não os grandes interesses económicos mundiais, em razão das descobertas que o país tem vindo a registar, fazerem uma aproximação ao Dhlakama, devido à estrutura do seu movimento e alimentá-lo na esperança, ou na certeza, de que uma vez no poder consigam contratos de exploração, com vantagens, desses recursos?
Podem ou não os interesses económicos mundiais instigarem a guerra, ainda que de forma subtil, com o objectivo final de que o país se endivide na base destes recursos que vai descobrindo?
Podem ser feitas muitas outras perguntas, mas prefiro parar por aqui e esperar que esteja completamente errado neste aspecto.
Acredito que o leitor está de alguma maneira confundido, pois faz tempo que não me ponho a falar destas coisas publicamente, mas acho que devo voltar, de vez em quando, a estas conversas, não obstante não qualificar. Creio também que alguém dirá que, como sempre, já se está à procura de uma mão externa. Claramente que isso não me preocupa. Me preocupa sim a tranquilidade, a paz e a segurança de poder votar, de poder escolher aquele que me vai governar.
Busquemos todos a paz e não deixemos que as águas, por muitas que sejam, não consigam apagar o amor que os moçambicanos têm entre si. Notícias

  • Djenguenyenye Ndlovu