terça-feira, 9 de dezembro de 2014

"Corrupção em Moçambique está a ficar mais sofisticada", dizem analistas

O Centro de Integridade Pública de Moçambique diz que os casos de corrupção não só aumentam como também se tornam mais sofisticados.
 
Assinala-se amanhã, 9 de Dezembro, o Dia Internacional Contra a Corrupção, numa altura em que em Moçambique, segundo analistas, sofisticam-se as formas de praticar este fenómeno, pondo em causa o desenvolvimento do país.
O Gabinete Central de Combate à Corrupção, do Governo,) diz ter recebido, nos últimos anos, 1958 denúncias populares, das quais 109 deram lugar a igual número de processos-crime e à detenção de 120 indivíduos, em pleno recebimento de dinheiro resultante da corrupção.
A instituição sublinha que este elevado número de casos não significa, necessariamente, que os índices de corrupção estejam a aumentar, explicando que isso pode corresponder a uma maior consciência dos cidadãos, relativamente à necessidade de denunciar este fenómeno.
Entretanto, o Centro de Integridade Pública de Moçambique (CIP) discorda e diz que os casos não só aumentam como também se sofisticam as formas de praticar a corrupção.
Segundo Baltazar Fael, coordenador do pelouro "Anticorrupção" no CIP, este fenómeno tende sempre a ganhar outros contornos, "sofisticam-se as formas de praticar este tipo de actos e há mesmo questões ligadas aos recursos naturais em que há uma corrupção um pouco mais sofisticada, com tráfico de influências e conflitos de interesse ligados a esta área".
Fael referiu que Moçambique, sendo um país emergente na exploração de recursos naturais, é preciso olhar com muito mais atenção para o que está a acontecer neste sector, "mas, claramente, não aqui progressos significativos" na luta contra a corrupção. Voz da América

Oposição moçambicana deixa decisão de usufruir de "regalias" nas mãos de deputados

RENAMO e MDM votaram contra a lei de regalias aprovada pelo Parlamento na semana passada. Agora, deixam ao critério de cada um dos deputados o usufruto ou não destas regalias. Uma questão "embaraçosa", dizem os críticos.
 
As polémicas leis da previdência social e os privilégios dos deputados e sobre os direitos e deveres do chefe de Estado em exercício e cessante foram alvo de fortes críticas e estiveram na origem de uma manifestação organizada pela sociedade civil, em maio passado.

Para a sociedade civil moçambicana, não faz sentido que a maior parte da população viva em más condições enquanto os seus representantes no Parlamento aprovam mais regalias para si próprios.
Perante este cenário, o Presidente da República não promulgou estas leis, devolvendo-as ao Parlamento. Na altura, o MDM pediu desculpa aos moçambicanos por ter aprovado a chamada “lei das regalias”. Na sessão extraordinária que agora terminou, a lei acabou por ser aprovada apenas com o voto da FRELIMO, o partido no poder.

As duas maiores forças da oposição mostram-se constrangidas quanto ao assunto da lei das regalias, apesar de terem votado contra a proposta. Segundo o jornalista moçambicano Fernando Lima, o voto a favor por parte da FRELIMO visou também expor os partidos que se dizem solidários com a maior parte da população que vive abaixo da linha da pobreza.
 
Oposição vai "esperar para ver"
 
Será que a idéia de solidariedade que fez recuar a RENAMO e o MDM ainda se mantém de pé? Irão os representantes destes partidos renunciar aos benefícios? O MDM prefere deixar a decisão nas mãos dos deputados. O líder da bancada parlamentar, Lutero Simango, responde com alguma hesitação a estas questões. “Vamos esperar para ver o que vai acontecer no próximo ano”, começa por afirmar, lembrando que “nesta grande discussão, havia regalias para vários efeitos. Algumas delas foram retiradas na análise a esta lei”. Agora, Simango considera que é preciso “avaliar e tomar uma decisão. Essa decisão vai ser individual, mas o partido manifestou-se contra a aprovação desta lei.”

O líder da bancada do MDM prefere deixar a “batata quente” para a próxima legislatura, uma vez que o seu mandato termina agora. Igual posição tomou a RENAMO. Segundo o porta-voz do partido no Parlamento, Arnaldo Chalua, abdicar ou não das regalias da nova lei é uma decisão que compete apenas aos representantes do povo no Parlamento. “A RENAMO já mostrou o seu posicionamento”, afirma, acrescentando que o partido reprovou as regalias “em solidariedade com as manifestações da sociedade moçambicana”. “Se os deputados da bancada parlamentar da RENAMO abdicarem destas regalias será por vontade individual. Nada os impede de as rejeitar”, considera.
 
No entanto, a decisão do recuo na aprovação foi feita pelos coletivos - os partidos - e não de forma individual. O motivo apontado para recuar na decisão foi a desigualdade social. Por isso, muitos levantam já a questão: estariam estes partidos ou deputados dispostos a destinar as suas regalias aos mais carenciados? Os dois partidos preferem deixar o tema para a próxima legislatura e para os próximos deputados.

O porta-voz da RENAMO no Parlamento, Arnalado Chalua, condena mesmo o uso da palavra “regalias” e classifica como “populistas” as acusações e críticas dos moçambicanos.

“Há uma interpretação muito extremista em relação ao dinheiro das regalias. Parte do dinheiro é devolvido porque os deputados descontaram durante cinco anos. Algumas propostas que careciam de debate foram devolvidas pelo Presidente ao Parlamento e algumas questões foram retiradas. Aquilo que é de direito do deputado, por lei, da função pública, nada impede que ele beneficie disso”, explica Chalua.
 
“Não temos uma lei de regalias, mas sim de estatuto e previdência social do deputado. É uma interpretação de quem quer especular, é populismo”, conclui.
 
Um "assunto embaraçoso"

Durante este processo, a FRELIMO assumiu a sua posição, acabando por deixar numa situação algo constrangedora os dois partidos da oposição. Não tendo aprovado as polémicas leis, ambos poderão usufruir delas. Há já quem questione se a intenção do partido no poder terá sido mostrar que, apesar de tudo, estes partidos querem os benefícios da lei tanto como a FRELIMO. O jornalista moçambicano e diretor do semanário Savana Fernando Lima considera que o assunto acarreta “algum embaraço” e a FRELIMO, sentindo-se “mais embaraçada que todos os outros, tenta passar esse embaraço para os outros partidos, usando argumentos meio moralistas”.
O recuo da oposição aconteceu numa altura em que o país se preparava para as eleições. No entanto, Fernando Lima não acredita que esta tenha sido uma atitude eleitoralista, porque “o assunto foi discutido numa reunião da comissão política do MDM e a bancada parlamentar foi muito criticada por ter votado a favor”.

O jornalista considera ainda que será muito difícil abdicar dessas benesses, até porque os próprios partidos dependem das contribuições dos seus deputados para se sustentarem. O Centro de Integridade Pública, uma organização não-governamental que observa a transparência do Estado já manifestou a sua indignação com a aprovação das leis. Deutsche Welle

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Autoridades travam marcha contra violência policial em Angola

A polícia impediu que um grupo de ativistas marchasse domingo nas ruas de Luanda contra fim da violência policial e deteve promotores da iniciativa. Movimento Revolucionário estuda novos métodos de luta contra o Governo.
 
As autoridades angolanas abortaram, mais uma vez, uma marcha convocada pelo Movimento Revolucionário. A iniciativa, que contou com o apoio de várias organizações de defesa dos direitos humanos, começou com a detenção de vários ativistas logo nas primeiras horas de domingo (07.12). Entretanto, os jovens foram postos em liberdade.
A Polícia da Ordem Pública, auxiliada pela Polícia de Intervenção Rápida e alguns operativos dos serviços secretos à paisana, ocuparam todos os locais públicos e colocaram vigilantes nas principais vias de acesso ao Largo da Independência e ao Marco Histórico do Cazenga, locais onde terminaria a “Marcha Contra a Violência Policial”.
Apesar do forte aparato policial, alguns jovens ativistas ainda conseguiram chegar ao largo da Shoprite do Palanca, local da concentração da marcha, mas foram imediatamente detidos.
As forças policiais levaram os jovens manifestantes até à casa do ativista Manuel Nito Alves, ao invés de conduzi-los a uma esquadra policial.
 
Novos métodos de luta
 
Perante a atitude do regime de Luanda contra iniciativas dissonantes aos seus interesses, o jovem Adolfo Campos, um dos rostos do movimento contestatário ao regime, diz que chegou a hora de delinear “métodos mais eficientes” de luta contra o Governo do Presidente José Eduardo dos Santos.
 
“Estamos agora a analisar uma nova estratégia para ver como é que podemos combater esta grande irregularidade por parte da polícia. A polícia não está a trabalhar para o povo, mas sim para um partido, que é o MPLA [no poder]”, critica o ativista.
Entre os detidos da abortada marcha contra a violência policial estava o escritor Domingos da Cruz. O também jornalista afirma que, efetivamente, é vontade do Presidente angolano reprimir as vozes discordantes do seu poder instituído. “O simples facto de clamarmos por uma democracia é sinal de que nos encontramos numa ditadura”, disse à DW África.
 
“Edifício da ditadura” tem de ruir
 
Questionado sobre a possibilidade de se levar ao tribunal processos contra as autoridades governamentais pelas violações do direito à manifestação, Domingos da Cruz responde que “ a solução para que as pessoas possam um dia manifestar-se de forma livre e sem receio passa por aquilo que vimos no Burkina Faso e na Tunísia.”
 
Domingos da Cruz diz não acreditar em processos judiciais dentro de um sistema que classifica como autoritário. “A solução para Angola é uma solução popular que seja capaz de ruir o edifício da ditadura e ponto final”, conclui.
A marcha prevista para domingo visava apelar ao fim da violência policial contra os manifestantes, tendo como exemplo o caso Laurinda Gouveia.
A jovem universitária foi torturada por ter participado na manifestação de 23 de novembro, organizada pelo Movimento Revolucionário para exigir justiça em relação ao assassinato de Manuel Alberto Ganga, um militante da coligação eleitoral Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE) morto por membros da Guarda Presidencial há cerca de um ano.
Sobre o assunto, o Grupo de Trabalho de Monitoria dos Direitos Humanos em Angola (GTMDH), uma plataforma que alberga diversas associações cívicas, exigiu na semana passada um pronunciamento imediato do Presidente José Eduardo dos Santos. Deutsche Welle

Economistas analisam corrupção em Angola

Corrupção apontada como uma das causas da pobreza. Transparência Internacional diz que a corrupção piorou
 
A falta de vontade política e ética, um sistema de castas e acomodação ao fenómeno por parte dos cidadãos em geral são algumas das razões apontadas por economistas para o agravamento da corrupção em Angola.
 
A situação aparece ter tomado contornos alarmantes já que despertou a atenção da Transparency International, organização que avalia os níveis de corrupção em 175 países do mundo. No raking deste ano, Angola figura na posição 161º ou seja, piorou, perdendo quatro pontos.
Especialistas indicam que o fenómeno da corrupção em Angola é endémico e que falta vontade política para combater a contrafracção.
O Economista Filomeno Vieira Lopes recua na história económica e social de Angola para lembrar que a corrupção terá surgido antes mesmo da liberalização da economia, por isso defende a tomada de uma posição conjunta para fazer face ao fenómeno.
Em 1996 o chefe de Estado angolano preocupado com a corrupção, criou através de um decreto a alta autoridade contra a corrupção. Para Vieira Lopes, este estudo permitiu saber que a “situação acentuou-se”, já que se vivia num sistema de casta.
O Director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola esclarece que os relatórios internacionais apresentam apenas um índice de percepção de corrupção e não exactamente a percentagem de pessoas corruptas. Alves da Rocha explica que apesar de muitos não concordarem com a metodologia de avaliação é importante que se tenha em conta os dados.
“Mas estas estatísticas existem e nós nãoo podemos fazer como o avestruz que põe a cabeça debaixo da areia e faz de conta que não existe”, aclarou.
Para Alves da Rocha os níveis de corrupção em Angola estão a ganhar corpo devido o desrespeito à legislação.  O economista salienta por outro lado que o silêncio que se assiste em relação as contrafraccções deve-se em parte a uma alegada penalização que sofrem as pessoas que têm coragem de fazer denúncias.
A ética e a moral são princípios fundamentais que devem estar presente em qualquer sector. O Economista Filomeno Vieira Lopes está convencido que com a capacidade financeira que possui se Angola adopatasse padrões de ética Angola teria melhores resultados em termos de gestão do erário público.
“Estou convencido que faria, 10, 20, 30 vezes melhor”, salientou.
Vieira Lopes salienta por outro lado que o país vive um factor estruturante de cumplicidade, no qual, todos aparentam concordar com o fenómeno, por isso considerou endémica a corrupção no território angolano.
“Há aqui um factor estruturante que é a chamada cumplicidade”,  disse o analista que pensa por outro lado que o problema “é complexo”, porque, segundo defendeu “a corrupção é endémica, é sistémica. Todo nosso sistema hoje em dia está em torno da corrupção”.
Angola perdeu quatro pontos, tem 19, em relação ao ano passado, tornando-se actualmente o 161º país mais corrupto do mundo, num total de 175, neste caso, o pior entre os lusófonos, segundo dados recentes da Tranparency International.
Alves da Rocha, Director do CEIC, entende que o antigo modelo económico de Angola também contribuiu para a instauração da corrupção.
“Uma economia que não era propriamente uma economia socialista, uma economia administrativa centralizada, que vivia muito na base destes sistemas de lojas, dos preços fixados, preços que não tinham um reflexo da eficiência da economia”, disse
O volume de legislação angolana contra a corrupção é considerável, desde a Constituição da República, a Lei da Probidade Pública, a lei 3\96, diploma que cria a Alta Autoridade Contra Corrupção, a lei 06\99 de 3 de Setembro sobre as infracções contra economia, o códgo de conduta eleitoral, a lei 13\12 que a prova os concursos públicos e resoluções que trazem para o ordenamento jurídico angolano convenções internacionais contra corrupção.
Para Alves da Rocha mais do que a legislação, “o que é preciso é que exista de facto vontade política para combater a corrupção”, uma questão em que o economista não acredita.
A Procuradora Geral Adjunta da República Pulquéria Van-Dúnem entende por outro lado que com a vasta legislação “aparentemente enérgica” era suposto que os índices de corrupção no território angolano estivessem em situação mais moderada, porém, diz a jurista, a situação é mais grave em patamares mais elevados, chegando a influenciar a situação de pobreza que asssite no país.
“Ela vai a patamares muito mais elevados e é precisamente nestes patamares muito mais elevados onde a coisa é mais grave porque é ai onde há esta relação entre a corrupção e pobreza”, disse.
Filomeno Vieira Lopes acredita que ainda existam reservas morais no país, porém defende três elementos essencias na luta contra corrupção: um sector judicial forte, o sistema de integridade e a abertura da sociedade.
Nos últimos anos foram registados casos em julgamento no tribunal que envolve gestores de cargos públicos foram  às barras dos por crimes de desvio de erário público e de corrupção. O caso “Quina Silva”, antiga Directora dos Serviços Nacionais de Migração e Estrangeiros, foi dos mais mediáticos. Na província do Kwanza sul também ha o registo de administradores municipais que cumprem pena de prisão por desvio do dinheiro público.
A Procuradora geral Adjunta da República Pulquéria Van-Dúnem aponta por outro lado a acomodação dos cidadãos perante a situação, em face dos actos de corrupção. Para a Jurista o ensino dos valores éticos no seio familiar é fundamental.
“E nós próprios, não sei se temos tanto medo assim, vamos alimentando esta situação da qual todos nós depois vamos nos queixar, mas nós não podemos ficar de braços cruzados e esperar que as coisas mudem calmamente”, esclareceu.
Em Portugal e França gestores de cargos públicos em Angola e pessoas singulares são acusados de lavagem e de transferência ilícita de dinheiro. Nomes como o do General Bento Kangamba, Secretário para Mobilização Periférica do MPLA em Luanda, o Procurador Geral da República João Maria de Sousa, o Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da Presidência da República, Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” e mais recentemente é apontado um angolano como estando envolvido no caso sobre os vistos gold em Portugal.
A problemática da Corrupção em Angola motivou a elaboração de um estudo recentemente divulgado, em que particiaparam o Economista Alves da Rocha, Director do CEIC da UCAN, a Procuradora Geral Adjunta da República, Pulquéria Van-Dúnem e o Economista e político do Bloco Democrático Filomeno Vieira Lopes.
Deste estudo resultou a realização de uma mesa redonda sobre  “Transparência e boa governação” promovida pela AJPD, Associação Justiça Paz e Democracia e que juntou académicos, gestores de cargos públicos, activistas cívicos e estudantes universitários. Voz da América
 
 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

É possível um empreendedorismo em Moçambique fora da FRELIMO?

Em Moçambique existe uma grande necessidade de despartidarização dos mecanismos de acesso ao crédito para o início de negócios no país. Jovens empresários querem "desfrelimizar" o acesso ao crédito.
 
Empreender em Moçambique continua a ser um enorme desafio. As dificuldades dos empreendedores são de vária ordem. O ambiente socio-económico continua desfavorável ao desenvolvimento de iniciativas juvenis.
Maputo acolheu, no final de novembro, a 2ª edição da conferência nacional de empreendedorismo. O encontro visou definir uma estratégia para o apoio aos jovens empreendedores, nomeadamente facilitando o acesso ao crédito.
 
Restrições de acesso ao crédito
 
Falando à DW África, alguns jovens participantes da conferência nacional de empreendedorismo apontam as restrições de acesso ao crédito como o principal fator que retrai o empreendedorismo no país.
 
Um deles é Taíbo Alves. Ele afirma que o problema se reflecte com maior peso nas províncias, onde a cor partidária conta muito para se poder projetar qualquer negócio: Talibo adianta que "a nível de instituições de microfinanças a credibilidade de um jovem é quase nula quando não é da FRELIMO. Aqui em Moçambique não basta ter belas ideias. Tens que ter muitas coisas palpáveis para que acreditem no teu projeto."
Olívio De Freitas considera que a intromissão partidária nos assuntos ligados ao empreendedorismo se verifica sobretudo quando o financiamento envolve instituições do Estado. "Eu acho que é complicado, principalmente porque o Estado não faz grande esforço por publicitar as informações. Penso que os jovens têm que tentar encontrar outras formas de financiamento não ligadas apenas ao Estado", afirma Olívio.

Isildo Massambo, outro jovem empreendedor, critica esta postura e sugere abordagens inclusivas para o crescimento das pequenas e médias empresas no país. Afirma: "As pessoas devem participar em associações empresariais independentes. Não deveria ser necesário pertencer a um determinado partido para ser empreendedor."
 
Com o tempo a cor partidária deixará de ser fator

O Presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários, Flávio Quembo, diz que em nenhum momento se deve associar o negócio à filiação partidária. "Moçambique é um país com cidadãos cada vez mais exigentes. Penso que a cor partidária tenderá a deixar de ser um fator para a prestação de um determinado serviço."

Os fundos de desenvolvimento distrital de redução da pobreza urbana e de apoio a iniciativas juvenis são parte das plataformas, criadas pelo Estado, para o financiamento de microprojectos. Segundo os observadores, estas plataformas beneficiam principalmente membros da FRELIMO, partido no poder em Moçambique. Deutsche Welle

Guebuza diz que governo de gestão em Moçambique seria "anarquia"

O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, considerou, quarta-feira, em Roma, que um Governo de gestão, exigido pela Renamo, principal partido de oposição, seria "anarquia" e ignorar os resultados das eleições gerais de 15 de Outubro.
 
Roma - O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, considerou, quarta-feira, em Roma, que um Governo de gestão, exigido pela Renamo, principal partido de oposição, seria "anarquia" e ignorar os resultados das eleições gerais de 15 de Outubro, noticiou a Rádio Moçambique.
"Quando chegamos ao fim de um resultado eleitoral e encontramos um partido que ganhou e aquele que não ganhou não gosta e portanto (quer que se) faça um Governo de unidade nacional ou Governo de gestão, isso é anarquia, é anarquia", declarou Guebuza na quarta-feira, durante um encontro com a comunidade moçambicana em Itália.
"Qual é o critério que foi utilizado para concluir que os moçambicanos não querem e não aceitam os resultados eleitorais", questionou o Presidente da República e da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), à margem da sua visita de cinco dias a Itália e ao Vaticano, sustentando que "o critério menos arriscado" é o apuramento do vencedor do processo eleitoral.
O líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), Afonso Dhlakama, está há mais de uma semana a visitar cidades do centro e norte de Moçambique, para explicar às populações a sua exigência de um Governo de gestão, formado pelos dois principais partidos, alegando que as eleições gerais de 15 de Outubro foram fraudulentas e garantiu que não vai deixar a Frelimo governar sozinha.
O Presidente moçambicano já tinha rejeitado esta exigência, através do seu porta-voz, com o argumento de que era inconstitucional.
Na quarta-feira, voltou ao assunto estabelecendo uma comparação com um jogo de futebol.
"Imaginem que um clube vai jogar com outro e chega com três golos. E o outro mete cinco. Então aparece alguém a dizer 'alto lá, vamos lá negociar, porque eu não consegui ganhar o jogo'. Negociar o quê? Então para que fizemos o jogo? Porque fizemos as eleições", questionou.
"As eleições eram para resolver o facto de nós, moçambicanos, como gente normal, termos opiniões diferentes sobre as coisas. Então vamos saber se aqueles que votam por uma maneira de fazer têm uma maioria em relação aos outros", disse ainda.
Ao longo dos últimos dias Dhlakama, apesar de insistir que não voltará a pegar em armas, tem endurecido o discurso e voltou a ameaçar partir o país em dois e governar o centro e norte de Moçambique caso a Frelimo rejeite a sua exigência de um executivo de gestão, ao mesmo tempo que acusa o candidato vencedor das presidenciais, Filipe Nyusi, de "ladrão de votos".
Segundo os resultados oficiais divulgados pela Comissão Nacional de Eleições, a Frelimo ganhou as legislativas com maioria absoluta no parlamento e o seu candidato, Filipe Nyusi, as presidenciais à primeira volta.
A Renamo e o MDM (Movimento Democrático de Moçambique), terceira força política, pediram a anulação do processo eleitoral junto do Conselho Constitucional, que ainda não se pronunciou.
As eleições decorreram logo após 17 meses de confrontos militares entre Renamo e exército e que apenas terminaram com um acordo de paz celebrado a 05 de Setembro em Maputo pelo Presidente da República e pelo líder do principal partido de oposição.
O acordo prevê o desarmamento da Renamo, num processo que se encontra neste momento bloqueado nas negociações entre as partes, e também a criação do estatuto de líder da oposição, aprovado na quarta-feira no parlamento, e que Dhlakama já rejeitou, justificando que a alegada fraude torna incerto o vencedor das eleições. África 21
 
Angop

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Angola é o país lusófono com maior índice de corrupção

Angola, Cabo Verde e Timor perderam pontos, Moçambique ganhou um ponto e a Guiné-Bissau manteve a pontuação.
 
Angola foi o país lusófono que mais pontos perdeu no Índice de Percepção da Corrupção 2014, caindo oito posições no ranking, segundo o relatório anual divulgado hoje pela organização não-governamental Transparência Internacional.

Angola teve uma queda de quatro pontos no ranking da Transparência Internacional, caindo do 153.º lugar (23 pontos) em 2013 para o 161.º (19 pontos) em 2014 na tabela da organização não-governamental.

Timor-Leste também caiu na tabela da ONG e perdeu dois pontos, passando da 119.ª posição (30 pontos) em 2013 para o 133.º (28 pontos) em 2014.

São Tomé e Príncipe perdeu lugares no ranking, mas manteve a mesma pontuação, descendo do 72.º lugar (42 pontos) no ano passado para 76.º lugar este ano (42 pontos). Cabo Verde caiu uma posição na lista e perdeu um ponto, passando do 41.º lugar (58 pontos em 2013) para 42.º lugar (57 pontos em 2014).

Já Moçambique manteve-se na mesma posição na tabela, mas ganhou um ponto, permanecendo em 119.º lugar e passando de 30 pontos em 2013 para 31 pontos em 2014.

A Guiné-Bissau manteve a sua pontuação (19 pontos) e subiu dois lugares na tabela, passando da 163.ª posição em 2013 para 161.ª este ano.
 
Corrupção no BRICS
 
O Brasil melhorou a sua prestação, subindo do 72.º lugar em 2013 (42 pontos) para 69.º em 2014 (43 pontos).

Entretanto, o documento faz referência sobre a corrupção nos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), lembrando o escândalo de desvio de dinheiro na companhia petrolífera estatal brasileira, Petrobras, para vários partidos políticos, sobretudo para o Partido dos Trabalhadores (PT), que está no poder.

Portugal melhorou a sua colocação, passando do 33.º lugar (62 pontos) em 2013 para 31.º (63 pontos) em 2014.

A Guiné Equatorial, membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa desde 23 de Julho deste ano, não consta deste atual relatório da ONG. No ano passado, a Guiné Equatorial estava em 163.º lugar, com 19 pontos.

Mais de dois terços dos 175 países têm pontuação abaixo de 50, numa escala de 0 (percebido como altamente corrupto) a 100 (percebido como pouco corrupto).

A Dinamarca está em primeiro lugar da lista com 92 pontos, enquanto a Somália e a Coreia do Norte partilham o último lugar da tabela, com apenas oito pontos (ambos no 174.º)

O Índice de Percepção da Corrupção, que avalia o sector público dos países, é composto por índices de corrupção de entidades internacionais consideradas credíveis, como o Banco Mundial.

No ano passado, 177 países e territórios foram analisados, mas em 2014 ficaram de fora o Brunei, a Guiné Equatorial e Santa Lúcia. Samoa foi incluído este ano no Índice de Percepção da Corrupção 2014. Voz da América

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

MDM rejeita estatuto especial para líder da RENAMO

O planeado estatuto especial para o líder do principal partido da oposição em Moçambique, a RENAMO, continua a criar celeuma. Desta vez é o segundo partido da oposição, MDM, que sai a campo para criticar o propósito.
 
Na segunda-feira, 1 de dezembro, o partido de oposição Movimento Democrático de Moçambique (MDM) convocou uma conferência de imprensa na cidade da Beira para, mais uma vez, tecer críticas à forma como decorreram as recentes eleições gerais. O MDM, a terceira maior força partidária, considerou que essas eleições foram fraudulentas e que ninguém pode agora reclamar um estatuto de líder da oposição e beneficiar de determinados privilégios. Para o MDM, o estatuto para o líder da oposição, Afonso Dhlakama, insere-se na alegada preocupação do Parlamento moçambicano de dar privilégios a determinados dirigentes, num contexto em que a maioria da população vive na pobreza.
Na conferência de imprensa, o porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Sande Carmona, exigiu que seja feita uma comparação criteriosa entre os editais das eleições gerais de outubro último, para o que exige a publicação dos mesmos: “O que dará aos cidadãos que fotografaram os editais afixados à porta de cada assembleia de voto, como manda a lei, a possibilidade de confrontar o original publicado pela Comissão Nacional de Eleições com o da fotografia.
 
Estatuto especial é “vergonha”
 
Carmona reafirmou que o seu partido não aceita os resultados destas eleições “por não serem credíveis”. E questionou se Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) foi realmente o segundo partido mais votado. Na mesma ocasião, o porta-voz do MDM indicou que o esperado estatuto especial para o líder de oposição não passa de uma vergonha, por ter como objetivo acomodar interesses pessoais: “Estão sendo equacionados valores astronómicos, sustentando-se em despesas para o pessoal do segundo candidato mais votado, e valores anuais gigantes para bens e serviços do segundo candidato mais votado”.
Carmona considera que o orçamento para este projeto acarreta muitos custos e que até ultrapassa as despesas normais causadas por um chefe de Estado, disse à DW África: “O orçamento para a aposentadoria do chefe de Estado eventualmente vai rondar os 50 milhões de meticais (1,3 milhões de euros). Mas ao segundo candidato mais votado estão a ser dados cerca de 70 milhões de meticais (1,8 milhões de euros)”.
 
Governo de gestão tem que incluir MDM
 
Quanto à proposta de Afonso Dhlakama da criação de um governo de gestão, Sande Carmona disse na conferência de imprensa que o seu partido não pode ser excluído de um executivo nestes moldes, ao contrário do que defendem a RENAMO e o seu líder, Afonso Dhlakama: “A própria Constituição já fala por si. É impossível que se
transforme o país politicamente, e que o MDM não esteja presente. O MDM vai estar presente, sim senhora, em todas as frentes que o país vai enfrentar”.
O governo de gestão idealizado por Dhlakama, visa incluir o candidato do partido governamental Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e da RENAMO, por terem sido os mais votados nas últimas eleições gerais em Moçambique. Deutsche Welle

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Activista angolana pediu várias vezes perdão mas continuou a ser torturada

ANA DIAS CORDEIRO
 
Caso de estudante agredida por oficiais da polícia e da Segurança do Estado foi denunciado por partido da oposição e organizações da sociedade civil, que exigem “um pronunciamento imediato do Presidente de Angola a condenar o acto".
 
A activista angolana Laurinda Gouveia lembra-se da hora em que começou. E de quando terminou. Lembra-se aproximadamente, porque chegou a perder os sentidos ao longo das duas horas em que foi espancada e torturada por elementos da polícia nacional e dos Serviços de Inteligência e da Segurança do Estado (SINSE) de Angola.
Foi algemada para não poder defender-se, descreve a própria num vídeo que circula na Internet, onde também foram publicadas fotografias dos hematomas e ferimentos que lhe marcam o corpo. “Quando começou eram 16h. E só terminaram às 18h”, diz sobre a tortura de que foi vítima a estudante de 26 anos. O caso também é denunciado no site de notícias Maka Angola, do activista Rafael Marques.
No vídeo, a estudante do 2º ano de Filosofia da Universidade Católica de Angola conta que, durante as duas horas ininterruptas em que foi espancada, várias vezes pediu perdão “por não aguentar mais”. Um oficial respondeu-lhe: “Essas histórias de desculpas vieram tarde de mais. Você tem que nos prometer aqui, agora, que nunca mais vai participar em nenhuma manifestação.”
O caso foi denunciado pelo partido da oposição Bloco Democrático e pelo Grupo de Trabalho de Monitoria dos Direitos Humanos (GTMDH) em Angola, que reúne várias organizações da sociedade civil. Ambos exigem que os oficiais envolvidos sejam responsabilizados criminalmente. Num comunicado, o GTMDH diz que depois de reveladas as imagens "chocantes" da "brutalidade sofrida" por Laurinda Gouveia, quer ver "um processo de investigação e responsabilização de todos os agentes policiais e membros do SINSE envolvidos". Também "exige um pronunciamento imediato do Presidente da República" nesse sentido da abertura de uma investigação e "condenando o hediondo crime". 
“Seis comandantes da polícia e oficiais à paisana do SINSE fizeram um círculo para me torturarem, enquanto os subordinados assistiam”, conta a activista, enfatizando que eram os responsáveis que a espancavam enquanto os agentes assistiam ou filmavam. “Arrastaram-me com a cabeça no asfalto, atiraram-me para um carro e levaram-me para a esquadra.” E lembra como começou: estava com outros três activistas junto ao Largo da Independência, para a manifestação convocada pelo Movimento Revolucionário, que organizou vários protestos contra o Governo nos últimos anos.
 
Lembrar morte de activista
 
Desta vez, a data – 23 de Novembro de 2014 – era evocativa da morte um ano antes de Manuel Hilberto de Carvalho, conhecido por “Ganga”, um engenheiro civil de 32 anos e militante do partido da oposição CASA-CE. O activista colava cartazes na véspera de uma manifestação anti-Governo, quando foi abordado e detido por elementos da guarda presidencial. Foi levado e terá tentado fugir quando foi abatido.
Um guarda presidencial foi acusado mas ainda não foi preso, lembrava a Human Rights Watch (HRW) num comunicado divulgado a 4 de Novembro a propósito da análise periódica a Angola – e outros países – no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Na reunião, o ministro da Justiça negou a repressão policial de protestos pacíficos, justificando que os agentes só intervêm quando as manifestações se tornam violentas, diz a HRW. A organização dos direitos humanos voltava a constatar “a negação das tácticas repressivas”, dando como exemplo o assassínio de Manuel “Ganga” e revelando que as detenções de jovens manifestantes continuam em Angola, bem como os episódios em que são espancados em esquadras onde podem não chegar a ficar presos.
 
"Quem é o vosso líder?"
 
Laurinda Gouveia sabia desses casos, e dos de Nito Alves, Emiliano Catumbela ou Adolfo Campos, que, além de terem sido torturados, estiveram presos várias semanas depois de levados de manifestações no ano passado. “Mas nunca pensei que seria assim”, diz no vídeo. A activista relata os insultos e torturas e diz que enquanto lhe batiam, com bastões e cabos de aço, lhe perguntavam por que razão participava nesta manifestação. “Por que fazem vocês isto? Quem vos manda? Quem é o vosso líder?”
As perguntas sucederam-se, com Laurinda a desmentir ser motivada nas suas acções pela oposição ao Presidente da República. “Nós não temos líder”, respondia. “Nós somos activistas e achamos que podemos fazer alguma coisa para mudar o país.” Queria acalmar “a raiva” com que lhe batiam. “Eu pedia perdão e eles continuavam, daquela maneira sem piedade.” E de novo, a pergunta: “E qual é a mudança que vocês querem? Porquê tanto ódio contra o Presidente?” E mais ameaças: “Você tem que parar porque um dia, se a encontrarmos numa manifestação, não vamos bater-te, vamos matar-te.” Público

Criminalidade em Angola adquire contornos preocupantes

Os crimes passionais, os homicídios, roubos qualificados, o consumo de drogas, a violação dos direitos civis e políticos, sobretudo os crimes selectivos, são os mais preocupantes.A criminalidade está a ganhar corpo em Angola.
As forças da ordem revelam-se incapazes de controlar na totalidade a situação. Analistas entendem que o aumento de crimes deve-se à causas sociais e à falta de definição de estratégias de actuação mais eficazes por parte do Estado.
Os crimes passionais, os homicídios, roubos qualificados, o consumo de drogas, a violação dos direitos civis e políticos, sobretudo os crimes selectivos, são os mais preocupantes. A sua proporção está a atingir contornos que mexem com a segurança dos citadinos.
O Professor e Coordenador dos Cursos de Pós-graduações da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, Paulo de Carvalho, pensa que a globalização é um dos factores que influenciam a onda de crimes selectivos no país, que, grosso modo, aumentam o sentimento de insegurança no seio dos cidadãos.
A acção da polícia precisa de ser mais incisiva, assim como os métodos de investigação criminal devem ser aprimorados para que os crimes sejam esclarecidos, os criminosos encontrados e responsabilizados civil e judicialmente. Voz da América