quarta-feira, 11 de março de 2015

Analistas dizem haver dois poderes na Frelimo

Analistas moçambicanos acredita que a alegada crise interna na Frelimo, resultante da existência de dois centros de poder no país, é um factor a ter em conta no estudo das possíveis causas do assassinato do professor catedrático, Gilles Cistac, de quem centenas de pessoas se despediram num velório hoje, 10, no Centro Cultural Universitário, em Maputo.
Um dos assuntos que dominam o debate político em Moçambique é a existência dos chamados dois centros de poder, pelo facto de o Presidente da República não ser ao mesmo tempo o presidente da Frelimo, havendo quem considere que isto está a suscitar uma crise no seio do partido.
Segundo analistas, não se percebe como é que após o Presidente da República Filipe Nyussi ter aconselhado o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, o presidente da Frelimo manda delegações do partido às províncias para dizer às populações que "não há nada sobre as províncias autónomas, o que revela a existência de uma crise interna na Frelimo".
No velório de hoje, foram apontadas várias consequências que poderão advir da morte de Cistac, entre as quais o medo que se instalou no seio da classe académica, muitas vezes acusada de cobardia pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama.
"De há um tempo para cá, sobretudo depois da abertura do partido ao multipartidarismo, a classe académica não mostra a sua intelectualidade e tem estado a engraxar o Governo e o partido no poder, razão pela qual o presidente da Renamo tem chamado os intelectuais de cobardes", disse Raúl Domingos, Presidente do Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (PDD).
O editor do Mediafax, Fernando Mbanze, diz que o medo se instalou também no seio dos jornalistas, que tal Gil Cistac, são também fazedores de opinião. Voz da América

domingo, 8 de março de 2015

Artigo do Financial Times arrasa os "cleptocratas" de Angola

Mário Baptista

Texto foi escrito a propósito do lançamento do livro doinvestigador Ricardo Soares de Oliveira, Magnificent and Beggar Land: Angola Since the Civil War.

O jornal britânico Financial Times classifica este sábado Angola como uma cleptocracia e os seus dirigentes como uma elite indiferente ao resto da população, num artigo sobre o novo livro do investigador Ricardo Soares de Oliveira.

O texto, com o título 'Porque o Ocidente adora um cleptocrata', publicado na secção de Fim de Semana do jornal britânico, aborda o lançamento do livro Magnificent and Beggar Land: Angola Since the Civil War, de Soares de Oliveira.
O texto começa por dizer que "mesmo pelos padrões dos Estados petrolíferos, Angola é quase risivelmente injusta", e descreve que "os oligarcas deixam gorjetas de 500 euros nos restaurantes da moda em Lisboa, enquanto cerca de uma em cada seis crianças angolanas morrem antes de terem cinco anos".
No artigo, que estava no sábado ao final da manhã na primeira página do site do Financial Times, refere-se que "esta pequena cleptocracia é aceite como uma parte integrante do sistema ocidental" e explica-se que são os expatriados que fazem a economia angolana mexer, desde as consultoras que ajudam a definir a política económica até aos bancos que financiam os negócios.
"Os oligarcas angolanos habitam a economia do luxo global das escolas públicas britânicas, dos gestores de activos suíços, das lojas Hermès, etc", lê-se no jornal, que classifica o livro sobre Angola como "maravilhoso".
O livro, de resto, foi lançado no final da semana passada em Londres e é o segundo da autoria de Ricardo Soares de Oliveira, um professor de Política Africana em Oxford que também colabora com Instituto de Políticas Públicas Globais, em Berlim.
No texto que serve de lançamento para o livro, é feito um retrato de fortes contrastes entre a elite e o resto da população angolana, por exemplo quando se lê que "a clique dirigente consiste largamente numas poucas famílias de raça mista da capital, Luanda, que considera que os cerca de 21 milhões de angolanos negros no mato ou musseques são imperfeitamente civilizados, e com pouco desejo para os educar".
A relação entre Portugal e Angola faz também parte da análise do jornalista que assina o texto, que cita o autor do livro dizendo que "por trás de cada magnata angolano há uma equipa de gestão maioritariamente portuguesa", que não se preocupa com as consequências da sua gestão, "por isso os estrangeiros bombam petróleo, fazem luxuosos vestidos e constroem aeroportos sem sentido no meio do nada".
Criticando de forma directa as luxuosas viagens à Europa, os passeios entre capitais europeias recorrendo a aviões a jacto, o artigo prossegue argumentando que a crise económica fez com que os governos ocidentais procurassem novos negócios sem olhar ao contexto político desses países, contando com o exemplo da conhecida política de não interferência da China, um dos novos grandes investidores em África na exploração de recursos naturais.
Depois de criticar os governos ocidentais por não fazerem a distinção entre o dinheiro dos governantes e o dinheiro dos Estados, porque afinal "eles empilham-no nos nossos bancos e gastam-no nos nossos quadros, em cirurgias plásticas e em casas de praia, para além de ações das nossas empresas, especialmente em Portugal", o artigo termina abordando a descida do preço do petróleo.
"A elite fez a festa durante o crescimento do petróleo. O provável impacto no regime do colapso nos preços é pouco, porque se só se está a alimentar uma pequena percentagem do povo, 50 dólares por barril chega e sobra". Público

sábado, 7 de março de 2015

Why the death of Professor Gilles Cistac did not come as a surprise

That Gilles Cistac was gunned down in broad daylight did not come as surprise to many Mozambicans. The land has a long and well known history of the government falsely persecuting and murdering opponents for political reason. Even the murder of the first and second Presidents Eduardo Mondlane and Samora Machel are still being debated - a proper investigation haven't been performed, maybe to cover up the involvement of some prominent politician who still runs the country today?

The second President Samora Machel and his party Frelimo did not tolerate any opposition.
During his reign many intellectuals and opponents had to flee or end up in concentration camps. Some where even murdered, among them Uria Simango, a well known figure considered to substitute President Eduardo Mondlane.

Another case is José Eugénio Zitha, at that time a student of medicine who disappeared 1975. In 2008, his son Professor Pacelli Zitha and his lawyer Liesbeth Zegveld, presented the case to the African Commission on Human and peoples' rights (ACHPR) against the state of Mozambique. The answer from (ACHPR) was that the case first must be brought to Mozambique court and only when all other possibilities have been extorted the case should then be brought back to them - but who is naive enough to trust in the judiciary system of Mozambique? The President of the Supreme Court is elected by the President of the Republic and together with his staff, not often independent, and regarded by many Mozambicans as Frelimo's Lackeys holding those positions to safeguard the party and politician interests...

Since then the country has seen several assassination of prominent figures, among them the Journalist Carlos Cardoso, the former (CEO) of Austral Bank, António Siba siba Macuaca (who died by being thrown from the 14th floor, after criticising dubious business that took place in the bank) and a lawyer Denis Nhavotso Silica (who was investigating recent cases of kidnapping). Some of those cases have not been properly investigated or solved.

Threats and bullying against outspoken figures like economist Carlos Castel-Branco, the President of Human Right League Alice Mabota, the famous writer Mia Couto and the very popular rapper "Azagaia" has happened - the list goes on and on...

This is reality in Mozambique today - you die or is marginalised for speaking your mind!


Unfortunately the International Community is turning a blind eye to the brutalities committed in this country.
The West is busy condemning Putin while similar things going on in Russia is also happening in this country! But why should they care as long as the Western interests are well protected - gas and coal contracts are being negotiated with expanding international companies without most Mozambicans being a part or getting any share of the riches it brings!

The G8 sanctioned and suspended Russia while at the same time they and the G19 keeps doing business and aiding Mozambique with billions of dollar despite of its human rights record, election fraud, politicised institutions,
embezzlement of  millions of dollar of aid money and involvement of politician in criminality (traffic of drugs, ivory, illegal logging and so on) - like the President of Human Right League, Alice Mabota once said: "After eating shrimps the donors are the first to say that the election was free, transparent and fair and ignore all other problem."

As in the many other cases we have no idea if the murders of Gilles Cistac will ever face justice.

The question now is who is next?

sexta-feira, 6 de março de 2015

Contra a partidarização das instituições públicas de Moçambique

O problema não é recente e fruto de muitas décadas no Governo de um único partido: as instituições públicas de Moçambique estão praticamente nas mãos da FRELIMO. Algo que tem que mudar, exigem oposição e sociedade civil.

Em Moçambique aumenta a pressão dos partidos da oposição para que seja proibido o exercício de toda a atividade partidária nas instituições públicas. As negociações sobre o tema entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e o principal partido da oposição, Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) atingiram um impasse. A terceira força política do país, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), acaba de submeter ao Parlamento um projeto de lei para a despartidarização das instituições públicas.

O projeto de lei do MDM prevê limites na atuação dos partidos políticos nas instituições públicas, para prevenir o uso indevido do património do Estado, e proíbe atos que possam criar privilégios ou discriminação com base na opção política dos cidadãos. A violação da lei deverá ser punida com sanções que vão desde a aplicação de uma multa de até seis salários mínimos, passam por uma pena de prisão de um ano, pela perda do cargo assim ocupado e vão até ao pagamento de indenizações ao Estado.

FRELIMO é único beneficiário do sistema

O porta-voz da bancada parlamentar do MDM, Fernando Bismarque, disse à DW África que a atual situação nas instituições públicas foi herdada do sistema monopartidário no país e beneficia apenas o partido no poder, a FRELIMO: “Hoje há funcionários públicos prejudicados, por aderirem ao partido [MDM]”. Para Bismarque, a existência de células de partidos políticos nas instituições públicas “mina a independência e a inclusão de alguns funcionários”.

E acrescenta que “há funcionários que são prejudicados, que não progridem na carreira, porque não têm um cartão vermelho”. O porta-voz do MDM refere ainda ao uso abusivo de património de Estado para fins políticos: “Assistimos em cerimônias de Estado a entoação de canções enaltecendo um partido. E não se pode também descontar a um funcionário na fonte para patrocinar a cerimónia de um partido político”.

Negociações num impasse

O novo projeto de lei interdita os membros das Forças de Defesa e Segurança de participar em reuniões partidárias, frequentar sedes de partidos políticos, usar e transportar material de propaganda de partidos políticos. A lei poderá ir a debate no Parlamento ainda neste mês de março. Segundo Fernando Bismarque: “Entendemos que esta lei, colocando este limite entre um partido e as instituições públicas, vai permitir que os cidadãos tenham livre escolha de aderir a um partido, sem coação”.
O projeto de lei do MDM surge numa altura em que o diálogo político entre o Governo e a RENAMO sobre a despartidarização da função pública não avança. O chefe da delegação da RENAMO nestas negociações, Saimone Macuiane, afirmou, há dias, que resta apenas um único ponto importante de divergência entre as partes: “Defendemos que os ministros e outros titulares dos órgãos do Estado e servidores públicos, durante o período das 7:30 até às 15:30 horas não podem realizar atividades político-partidárias”.

O Governo quer um compromisso

José Pacheco, chefe da delegação de negociadores do Governo, disse que o executivo não aceita a exigência da RENAMO: “O Presidente da República é a entidade que a RENAMO pretendia que fosse proibida de exercer atividades políticas”. Mas a ver de Pacheco, a atividade do chefe de Estado é “eminentemente política”. E os cargos para os quais nomeia ministros e secretários de Estado são igualmente políticos, não obstante serem servidores do Estado. Mas também o Governo parece interessado num compromisso: “O funcionário público, desde a categoria mais alta do secretário permanente e dos outros, para esses sim, estamos dispostos a acomodar a proposta de impedimento de realizar essa atividade, dentro das horas normais de trabalho”, acrescentou Pacheco. Deutsche Welle

FRELIMO devia ter "travado ódio racista contra Cistac", diz Lourenço do Rosário

Segundo o site da publicação portuguesa Visão, o académico moçambicano Lourenço do Rosário, mediador do diálogo entre a FRELIMO E A RENAMO considerou que a FRELIMO devia ter travado o "ódio racista" contra o constitucionalista Gilles Cistac, assassinado no dia 3 de Março em Maputo.

"O meu partido, quando dio meu partido sabem a que partido me refiro, porque sou da FRELIMO, devia ter parado com o ódio racista que se incentivou contra o professor Gilles Cistac", disse Rosário, que é também reitor da Universidade Politécnica, numa declaração de sapiência de abertura do ano lectivo neste estabelecimento.

Lourenço do Rosário afirmou ainda que há moralmente uma relação de causa-efeito entre os comentários negativos feitos por analistas políticos afectos à FRELIMO e a morte do constitucionalista Gilles Cistac, de origem francesa, adiantando ainda que o jurista terá sido assassinado pelos seus posicionamentos públicos. Voz da América

quinta-feira, 5 de março de 2015

Quando o assassino é o juiz!

Maputo (Canalmoz) – O que me impressiona em Moçambique não é capacidade do partido Frelimo em fazer mal às pessoas. Endenta-se aqui o mal como um circunscrito acto de torturar e até assassinar, que é a subdivisão máxima da maldade e o muro mais alto da estupidez humana. Não me impressiona e já nem assusta o facto de eu saber que a Frelimo assassina pessoas e depois envia condolências às famílias enlutadas. Não é isso que me impressiona. Nem tão pouco me causa mossa o facto de eu saber que a qualquer altura também posso ser vítima de uma encomenda de morte, com retoques disfarçantes do tipo atropelamento, bala perdida ou mesmo acidente de viação. Estas possibilidades não me assustam. Não me assusta a ideia de saber que estamos numa coutada em que o pensamento próprio paga-se com a vida própria. Isso também não me assusta. Tal como não me causa o mínimo desconforto o facto de eu saber que o que eles querem é que todos pensemos segundo a estupidificante lógica de rebanho, em que a directiva máxima é reproduzir e seguir. Tudo isso não me assusta.
Provavelmente o estimado leitor já esteja com os nervos à flor da pele perguntando a si mesmo: “Mas, afinal, qual é o acto susceptível de causar um valente susto a este fulano?”. Pois então lhe digo e apresento desde já as minhas indulgências pela provável decepção. O que me assusta, a mim, é a incomum capacidade que todos nós temos de nos esquecermos das coisas facilmente. Isso, sim, me causa o maior medo. Esta espécie de amnésia colectiva que nos tolda o discernimento e reduz os acontecimentos que vivemos a autênticos “take-aways”. Assusta-me o nosso esquecer colectivo. E é isso que os algozes usam para inspirar e anexar confiança aos seus próximos actos macabros. Esquecemo-nos facilmente, e para eles ainda bem, porque o esquecimento colectivo ou singular dá lugar à repetição de um acto passado como sendo novo, com o condão de suscitar uma reacção do passado, mas que, devido ao esquecimento, parece nova.
O refrão de exigência colectiva de justiça que estamos a ouvir desde a manhã de terça-feira – quando, já crivado de balas, o professor catedrático Gilles Cistac era contabilizado como coeficiente de um Estado dirigido por criminosos – é fruto dessa amnésia colectiva. E há uma pergunta básica que sustenta toda esta tese: “A quem estamos a pedir justiça?”. A resposta sincera a esta questão faz lembrar o período áureo da brutalidade feudal, tempo em que as mulheres violadas tinham de comparecer a uma tribuna de “justiça” e, para sua falta de sorte, encontravam lá o mesmo senhor que as violou, não na condição de acusado ou suspeito, mas na condição de juiz, que, curiosamente, tinha todas as provas de que a vítima era culpada.
A quem estamos nós a exigir justiça? Uma incursão à história das execuções promovidas por este mesmo regime mostra-nos que estamos num exercício amnésico de exigir algo que já exigimos e a entidades erradas. E, devido à amnésia, estamos a exigir hoje da mesma forma o que não nos foi dado no passado, quando exigimos de similar maneira. Quando foi assassinado Carlos Cardoso, exigimos justiça. Tecnicamente nada aconteceu, e damos graças ao tempo, que tem feito a sua própria justiça.
Assassinaram Siba-Siba Macuácua, exigimos justiça, e nada foi feito. Assassinaram Orlando José, exigimos justiça, e nada foi feito. Ou seja, estamos num acto circular, que não nos está a levar a lado algum senão para a morte de mais cidadãos que decidiram abraçar a integridade.
A amnésia colectiva está a levar-nos a exigir justiça numa situação em que o juiz é o assassino. Veja-se, por exemplo, que ontem a Polícia da República de Moçambique já tinha uma tese racista de que Cistac “foi baleado por um cidadão de raça branca”, quando testemunhas dizem que no carro não havia nenhum cidadão de raça branca. Só nas declarações de Arnaldo Chefo, o porta-voz da PRM, já é possível saber de que lado joga o juiz a quem estamos a exigir justiça. E como que a responder à evolução dos tempos, aqui já não é o sistema feudal de condenar à prisão. Na era moderna, quando o violador é juiz, condena-se a vítima não a uma pena de prisão, mas condena-se ao esquecimento, convocando para tal umas investigações que nunca mais terminam e, consequentemente, nunca produzem resultados. No “caso Cardoso”, houve uma investigação que foi conduzida até aos autores materiais, mas foi desviada exactamente quando a investigação estava com o braço esticado para bater à porta do autor político e moral do acto. No caso de Siba-Siba, a vítima foi condenada ao esquecimento. Orlando José também foi condenado ao esquecimento. O juiz é o assassino.
Dentro dos próximos dias, Cistac será também condenado ao esquecimento. O juiz é o mesmo. É o assassino de todos os outros. Mas, devido à amnésia, esquecemo-nos facilmente do carácter deste juiz a quem hoje suplicamos justiça. Estamos a exigir justiça com métodos e à entidade errada. No lugar de justiça, temos que exigir um novo juiz. Exigir um novo juiz é a mínima exigência de justiça que podemos fazer. Agora, como se exige um novo juiz, não sei lá muito bem. Mas a indignação colectiva e o cansaço de todos estes anos que andamos a aturar assassinos a serem juízes das desgraças que eles próprios causam pode ser um bom ponto de partida. Canalmoz
 
(Matias Guente)

quarta-feira, 4 de março de 2015

Indignação e acusações em Maputo devido à morte de Gilles Cistac

União Europeia condena atentado e jornais usam manchetes fortes.
 
O presidente da Renamo não tem dúvidas de que o constitucionalista e professor universitário Gilles Cistac, assassinado ontem em Maputo, foi morto por “radicais da Frelimo” que, segundo ele, se sentiram "chocados e incomodados" com as posições do jurista.
"Eu quero acreditar que os radicais da Frelimo sentiram-se chocados e incomodados com o facto de estar a defender um caso do povo moçambicano", disse Afonso Dhlakama em declarações à imprensa após um comício, ontem, 3, na província de Niassa.
"Quero lamentar a morte daquele homem, não quero acusar ninguém, mas também não restam dúvidas que a morte dele se deveu ao seu posicionamento, quando nós da Renamo, após as eleições, começámos a reclamar da fraude que houve", declarou Dhlakama, em referência a opiniões de Cistac que via com bons olhos a proposta de criação de regiões autónomas defendida pelo líder da Renamo.
Por seu lado, a União Europeia (UE) considerou hoje o assassínio do constitucionalista moçambicano  um "ataque à liberdade de expressão".
"Este assassinato é um ataque à liberdade de expressão. A União Europeia exorta as autoridades e todos os cidadãos a usarem o diálogo e meios pacíficos no discurso político", refere o comunicado da EU.
O embaixador da França em Moçambique, Serge Segura, disse hoje, 4,  em Maputo que a embaixada francesa em Moçambique vai prestar todo o apoio técnico para que a família Cistac consiga os vistos para vir a Moçambique o mais rapidamente possível, para acompanhar de perto todo o processo das cerimónias fúnebres.
Sege afirmou que não sabe se o enterro será realizado em Moçambique ou na França, pois a decisão cabe à família.
Ontem à noite, centenas de pessoas, entre advogados, colegas, amigos, activistas sociais e estudantes, reuniram-se no local onde  Gilles Cistac foi baleado numa homenagem, durante a qual foram depositadas flores e velas e entoados hinos.
O  muro da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane, onde Cistac era professor, está decorado com flores por estudantes e colegas impressionados com o crime.
Nesta quarta-feira, os jornais moçambicanos dedicaram as suas primeiras páginas ao assassinato do constitucionalista.
“Frelimo de assassinos" é a grande manchete do semanário Canal de Moçambique que, nas páginas interiores, sustenta o seu dedo acusado ao partido no poder, com declarações de comentadores afectos à Frelimo vistos como hostis a Gilles Cistac.
“Terrorismo”  é a grande manchete do diário O País, matéria que ocupa as principais páginas do jornal.
O diário electrónico Mediafax pergunta "A Ordem para fuzilar: De Onde veio?". No interior, o jornal escreve "Cobardes mataram Gilles Cistac", que foi descrito como "homem de opiniões firmes e demasiadamente mal visto pelo poder do dia".
Por sua vez, o jornal estatal Notícias publica a foto de Cistac deitado no chão e ainda ensanguentado, com o título: "Assassinado Prof. Gilles Cistac".  O texto traz a declaração de António Gaspar, prota-voz do Presidente: "Responsabilizar os criminosos".
O constitucionalista Gilles Cistac foi baleado ontem, 3, na cidade de Maputo quando saía de uma pastelaria e morreu no  Hospital Central de Maputo.
Cistac foi baleado por quatro indivíduos que se faziam transportar numa viatura que passou pelo café. Segundo a polícia, três eram de raça negra e uma de raça branca, sendo esta última quem atirou no jurista.
Na semana passada, o académico de origem francesa anunciou que ia processar um homem que, através do Facebook e com o pseudónimo Calado Kalashnikov, acusou Chistac de ser um espião francês que obteve a nacionalidade moçambicana de forma fraudulenta.
Em resposta, Gilles Cistac apresentou uma queixa à Procuradoria Geral da República, por considerar que estava a ser vítima de intolerância política. Voz da América

Assassinato de Gilles Cistac tem motivação política dizem analistas

O conhecido constitucionalista moçambicano Gilles Cistac morreu esta terça-feira (03.03) na sequência de um atentado na cidade de Maputo. Para muitos o crime de hoje tem claramente natureza política.
 
O constitucionalista Gilles Cistac, de 53 anos de idade e que vivia em Moçambique desde 1993, morreu esta terça-feira (03.03) na sequência de um atentado na cidade de Maputo. Cistac foi o homem que, através da Constituição, mostrou que é possível uma governação provincial autónoma no país.

Há algum tempo que Gilles Cistac era alvo de ataques racistas e ameaças devido às posições ou visões que apresentava, com base em argumentos legais.

Desde os últimos confrontos militares entre a RENAMO e o Governo as ideias do constitucionalista não seguiam na direção do partido no poder, a FRELIMO.

Cistac foi proposto pela RENAMO para equipa de mediadores

O seu nome chegou a ser proposto pela RENAMO para liderar uma equipa de 14 pessoas, mediadores e observadores, para discutir a crise, mas nunca foi incluído.

Foi ele quem trouxe à baila a Constituição para fundamentar a exigência da RENAMO de uma governação autónoma das províncias como pretende o maior partido da oposição.

Em entrevista à DW África, o constitucionalista esclareceu na altura que "a Constituição não fala de regiões autónomas, por isso não devemos associar o conceito de "regiões" a autonomia. Senão, seria necessário fazer uma reforma constitucional. Mas é possível falar de "províncias autónomas", porque, segundo a alínea 4 do artigo 273 da Constituição, o legislador pode estabelecer outras categorias autárquicas superiores ou inferiores à circunscrição territorial do município ou da povoação. Ou seja, hoje em dia há apenas autarquias locais de nível municipal, mas se, amanhã, o legislador quiser criar províncias como uma autarquia local pode fazê-lo."
 
Desde que foi feito este pronunciamento as hostilidades à pessoa de Cistac aumentaram.

Cistac sentia-se ameaçado

Segundo a imprensa moçambicana, Gilles Cistac apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral da República (PGR) devido a ameaças a que estava sujeito. Nas redes sociais, alguns jornais e intelectuais considerados próximos do regime atacaram-no.

A cor de pele e a sua naturalidade francesa foram usadas para pôr em questão os seus argumentos, por sinal baseados sempre na Lei Mãe moçambicana. Aliás, outras três conhecidas figuras, também brancos, foram alvo deste tipo de ataques e são acusadas de fomentar a subversão no país. São eles o economista Nuno Castel-Branco, o jornalista Fernando Veloso e Fernando Lima, outro conhecido jornalista e diretor do semanário Savana.
 
Reações ao atentado
 
Lima falou à DW África sobre o ataque contra Cistac: “Eu não sei se o atentado desta manhã terá sido o corolário desta campanha de diabolização desencadeada contra o professor Gilles Cistac. Agora, isso significa que, apesar de Moçambique ter dado passos importantes em direção à construção de um país democrático isto mostra também que há uma crise política no país e que conflitos de opinião e de pontos de vista não podem ser resolvidos por troca de ideias, mas tem que ser resolvidos a tiro”.
 
Também para o maior partido da oposição trata-se de um crime de natureza política. Para Fernando Mazanga, porta-voz do partido, os factos são claros. “É evidente que este ataque é contra a posição da RENAMO. É uma demonstração clara de que todos aqueles que defendem a solução política para o diferendo que temos poderão acabar baleados. Por outro lado, fica claramente demonstrado que está violado o acordo de cessação das hostilidades. O professor Cistac morreu porque deu uma opinião sobre a forma jurídica como as reivindicações deveriam ser enquadradas sem violar a Constituição”.

Governo condenou o "ato bárbaro"

Por seu turno, o Governo da FRELIMO reagiu ao caso. O conselheiro da presidência moçambicana, António Gaspar, falou em nome do Executivo moçambicano à DW África. "O Governo de Moçambique condena veementemente a ação bárbara que o professor Cistac foi vítima. Na sessão do Conselho de Ministros o ato foi acolhido com surpresa e tristeza. Por isso, o Governo instruiu a polícia para continuar a empreender esforços no sentido de neutralizar e capturar os autores deste ato. O Presidente da República, na qualidade de chefe do Governo, está igualmente chocado com o que aconteceu. Pelo facto, em uníssono, o Governo condena esta ação".

Depois dos assassinatos do jornalista moçambicano Carlos Cardoso, no ano 2000, e do economista Siba Siba Macuacua, em 2001, que investigava uma fraude bancária envolvendo altas figuras do partido no poder, não havia registo de ataques violentos no país.
 
Fernando Lima não tem dúvidas de que o ataque contra Gilles Cistac representa um retrocesso no que diz respeito à democracia e liberdade de expressão em Moçambique.
"É um grande retrocesso. Esse país tem os seus altos e baixos mas conseguimos dar passos muito grandes no desenvolvimento da nossa democracia, na diversidade que somos como país e como nação. E este tipo de atentado é uma mancha muito grande. Isto abre novamente questões que estavam encerradas e os fantasmas que estavam esquecidos." Deutsche Welle

domingo, 1 de março de 2015

Will the Swedish $ 40 million really benefit the Mozambicans?

The Swedish government has really reached a new low - not only do they export weapons and in other areas collaborate with the dictatorship Saudi Arabia but they are also prepared to contribute an additional  $ 40 million about 1.3 billion meticias to the Mozambican budget without questioning a government known for corruption, nepotism, harassment of dissidents, abuse of power and resource!

Last years presidential election in Mozambique was marked by widespread cheating and the European Union released a critical report on this.

Recently a Spanish non-governmental organization GRAIN revealed that former President Armando Guebuza, his son Mussumbuluko Guebuza and some well-known Mozambican businessmen such as Salimo Abdula, Jacinto Mutemba and Carlos Simbine are involved in dubious land sales. It has also appeared in many international reports that illegal logging and trafficking of ivory has been conducted with involvement of some Mozambican politicians. The list goes on and on...
 
The Swedish government always empathises that the aid to Mozambique is a "gift from one people to another" but I doubt that the Swedish people are in favour of aiding such a government or that the Mozambican people will benefit - I think it rather is a gift from a naive Swedish government to a government full of crooks and parasites! To quote Alice Mabota, lawyer and President of the League of Human Rights in Mozambique: "We have no government, however we have businessmen who runs business through the state."

If I was a Swedish taxpayer I would not like to see my money wasted on dubious or even fictitious projects that not even Swedish International Cooperation Agency (SIDA) has any control over (someting they have been widely criticized for).

One may wonder if only opportunities for Swedish companies to secure lucrative business opportunities dictates the Swedish aid today?

The Swedish aid has made headlines in Mozambique but in Sweden there is no debate - why don't Swedish media questions how it is spent? We have teachers that go without getting paid salary for months, in parts of the country students have to sit on the floor because there are no desks or even getting lessons under a tree because there is no school and hospitals lacking medicine and other equipment. The only thing we can see improving is the salaries and benefits of the politicians who goes up every year...

If Sweden in the eyes of the world wants to present itself as a champion of human rights is not enough to stop cooperation with Saudi Arabia but the government should also, like Norway, Belgian and The Netherlands already have, review its aid policy so that it does not reinforce authoritarian regimes!