Estudo revela números exorbitantes.
O consumo de drogas por professores e alunos nas escolas, sobretudo do
nível secundário, em Nampula, está a fragilizar o processo pedagógico.
A constatação é de um estudo sobre saúde escolar, álcool e drogas nas
escolas género e desporto, realizado recentemente em Nampula.
A investigação concluiu que mais de seis mil alunos e professores
consumiram bebidas alcoólicas, tabaco, soruma e cocaína nos
estabelecimentos de ensino no último ano.
O porta-voz do Ministério da Educação em Nampula, Alfredo Nicurrupo,
revelou que, face a estes dados, foram instaurados processos
disciplinares e criminais, que já se encontram em tramitação nas
entidades competentes.
O distrito de Meconta é o mais critico, com 5,193 casos, seguido de Nacala Porto, com 503, e Ribaué, com 33 casos.
Alfredo Nicurrupo garante que quem for encontrado a consumir drogas será expulso das escolas.
O porta-voz do Ministério da Educação revela que o consumo de drogas
nas escolas compromete a qualidade do ensino e o desempenho dos alunos e
professores. Entre as consequências mais graves estão agressões e o
assédio sexual.
Para fazer frente a este cenário, o Ministério da Educação desenvolve
uma campanha a alertar para o impacto negativo do consumo de drogas e
álcool.
Para o secretário da delegação da Organização Nacional dos
Professores em Nampula, André Janna, esta situação envergonha a classe
e, por isso, vai desenvolver acções para alertar para consumo de drogas
entre os seus membros.
Para pais e encarregados de educação é lamentável que o ensino esteja a ser manchado por atitudes desta natureza.
Eles defendem um maior controlo dos profissionais e alunos dentro dos estabelecimentos de ensino.
Pais e encarregados de educação denunciam ainda o facto de haver
locais de venda de álcool junto das escolas e pedem a intervenção das
autoridades. Voz da América
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
"Governo português tem consentido atropelos às liberdades em Angola"
Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda (BE), defende que
Lisboa deveria ter agido no caso dos ativistas angolanos detidos desde
junho. E já questionou formalmente o chefe da diplomacia lusa, Rui
Machete.
O caso dos 15 ativistas detidos também está na ordem do dia em Portugal. De acordo com o documento enviado ao ministro dos Negócios Estrangeiros português, o BE quer saber se o Governo português vai dar instruções à Embaixada de Portugal em Luanda para visitar o ativista luso-angolano Luaty Beirão, de 33 anos, e dar-lhe "todo o apoio" jurídico e institucional. A possibilidade de uma ação jurídica é outras das questões apresentadas pelo partido.
Familiares de Luaty Beirão, em greve de fome há 23 dias, dizem que o ativista continua a correr risco de vida. Outros 14 ativistas também estão detidos desde junho, acusados de rebelião e de preparação de um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.
Sobre este assunto, a DW África entrevistou o Pedro Filipe Soares. O deputado do BE critica a "inação do Governo português" e defende que as autoridades portuguesas têm obrigação de intervir.
DW África: Questionou formalmente o ministro dos Negócios Estrangeiros português sobre este caso. O que diz este documento que o Bloco de Esquerda enviou a Rui Machete?
Pedro Filipe Soares (PFS): São dois aspectos: porquê o facto de ter tardado em dar uma resposta específica a este cidadão e por que é que não tem agido junto do Governo angolano para garantir, nos termos diplomáticos, que o respeito pelos direitos humanos é um respeito que deve ser levado por diante em Angola.
DW África: Entretanto, Rui Machete fala numa "questão interna do Estado angolano". O que pensa sobre esta posição?
PFS: É uma posição de quem está conivente com toda esta situação e de quem não tem a coragem de defender um cidadão luso-angolano. Não é só uma situação interna do regime angolano. É um cidadão que também deveria ter a preocupação do Governo português. Por outro lado, Portugal, até pela história que tem na defesa dos direitos humanos e das liberdades internacionais em vários países do mundo, deveria ter a preocupação com Angola, dada a proximidade que existe de relações comerciais, de história, etc.
Deveria ter uma sensibilização para o respeito das liberdades fundamentais e não deveria calar-se perante estes atropelos à liberdade. No entanto, o Governo português tem consentido estes atropelos, mesmo quando se trata de cidadãos luso-angolanos, mesmo quando estão detidos contra qualquer aplicação da legislação angolana, mesmo quando estão em risco de vida. O Governo português deveria ter agido e não agiu.
DW África: Qual é que deve ser então a actuação do Governo português? Na prática, que acções devem ser tomadas?
PFS: O Governo português tem representantes em Angola. O embaixador em Angola [João da Câmara] deveria ter-se inteirado da situação do luso-angolano. Deveria tê-lo visitado na prisão e saber se a justiça estava ou não a cumprir o seu normal funcionamento. Uma segunda ação – e esta mais formal do Governo numa lógica internacional – seria exigir do Governo angolano o respeito pelos direitos fundamentais, pela democracia e pelo Estado de direito que deve existir. E sobre esta matéria nós vemos que, do lado do Governo português, há um lavar de mãos como Pilatos, uma completa inação e uma falta de assumpção da sua responsabilidade, que no plano internacional, quer no plano de resposta a um cidadão luso-angolano.
DW África: Pelo menos nos últimos tempos, a opinião pública em Portugal parece estar a "despertar" para os problemas de direitos humanos em Angola? Por que é que acha que isto está a acontecer? Por que é que se perdeu um pouco este medo de falar de assuntos que antes eram incómodos?
PFS: Creio que neste momento é mais visível a situação existente em Angola, o autoritarismo do regime angolano. A máscara que existia, e que foi sendo criada muito até pelo crescimento da economia angolana, agora com alguns problemas nessa economia começa a ruir e estes casos começam a ser muito mais visíveis. Sempre existiu em Portugal um acompanhamento da situação angolana e uma solidariedade para com aqueles que eram vítimas dos atropelos e do autoritarismo do regime angolano.
É verdade e ainda bem que essa solidariedade tenha aumentado. E este caso em concreto tem possibilitado esse alargar da base de solidariedade. Esperemos que sirva de pressão para o regime angolano e que consiga ajudar o povo angolano a alcançar uma democracia plena e a liberdade também na sua forma plena. Deutsche Welle
O caso dos 15 ativistas detidos também está na ordem do dia em Portugal. De acordo com o documento enviado ao ministro dos Negócios Estrangeiros português, o BE quer saber se o Governo português vai dar instruções à Embaixada de Portugal em Luanda para visitar o ativista luso-angolano Luaty Beirão, de 33 anos, e dar-lhe "todo o apoio" jurídico e institucional. A possibilidade de uma ação jurídica é outras das questões apresentadas pelo partido.
Familiares de Luaty Beirão, em greve de fome há 23 dias, dizem que o ativista continua a correr risco de vida. Outros 14 ativistas também estão detidos desde junho, acusados de rebelião e de preparação de um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.
Sobre este assunto, a DW África entrevistou o Pedro Filipe Soares. O deputado do BE critica a "inação do Governo português" e defende que as autoridades portuguesas têm obrigação de intervir.
DW África: Questionou formalmente o ministro dos Negócios Estrangeiros português sobre este caso. O que diz este documento que o Bloco de Esquerda enviou a Rui Machete?
Pedro Filipe Soares (PFS): São dois aspectos: porquê o facto de ter tardado em dar uma resposta específica a este cidadão e por que é que não tem agido junto do Governo angolano para garantir, nos termos diplomáticos, que o respeito pelos direitos humanos é um respeito que deve ser levado por diante em Angola.
DW África: Entretanto, Rui Machete fala numa "questão interna do Estado angolano". O que pensa sobre esta posição?
PFS: É uma posição de quem está conivente com toda esta situação e de quem não tem a coragem de defender um cidadão luso-angolano. Não é só uma situação interna do regime angolano. É um cidadão que também deveria ter a preocupação do Governo português. Por outro lado, Portugal, até pela história que tem na defesa dos direitos humanos e das liberdades internacionais em vários países do mundo, deveria ter a preocupação com Angola, dada a proximidade que existe de relações comerciais, de história, etc.
Deveria ter uma sensibilização para o respeito das liberdades fundamentais e não deveria calar-se perante estes atropelos à liberdade. No entanto, o Governo português tem consentido estes atropelos, mesmo quando se trata de cidadãos luso-angolanos, mesmo quando estão detidos contra qualquer aplicação da legislação angolana, mesmo quando estão em risco de vida. O Governo português deveria ter agido e não agiu.
DW África: Qual é que deve ser então a actuação do Governo português? Na prática, que acções devem ser tomadas?
PFS: O Governo português tem representantes em Angola. O embaixador em Angola [João da Câmara] deveria ter-se inteirado da situação do luso-angolano. Deveria tê-lo visitado na prisão e saber se a justiça estava ou não a cumprir o seu normal funcionamento. Uma segunda ação – e esta mais formal do Governo numa lógica internacional – seria exigir do Governo angolano o respeito pelos direitos fundamentais, pela democracia e pelo Estado de direito que deve existir. E sobre esta matéria nós vemos que, do lado do Governo português, há um lavar de mãos como Pilatos, uma completa inação e uma falta de assumpção da sua responsabilidade, que no plano internacional, quer no plano de resposta a um cidadão luso-angolano.
DW África: Pelo menos nos últimos tempos, a opinião pública em Portugal parece estar a "despertar" para os problemas de direitos humanos em Angola? Por que é que acha que isto está a acontecer? Por que é que se perdeu um pouco este medo de falar de assuntos que antes eram incómodos?
PFS: Creio que neste momento é mais visível a situação existente em Angola, o autoritarismo do regime angolano. A máscara que existia, e que foi sendo criada muito até pelo crescimento da economia angolana, agora com alguns problemas nessa economia começa a ruir e estes casos começam a ser muito mais visíveis. Sempre existiu em Portugal um acompanhamento da situação angolana e uma solidariedade para com aqueles que eram vítimas dos atropelos e do autoritarismo do regime angolano.
É verdade e ainda bem que essa solidariedade tenha aumentado. E este caso em concreto tem possibilitado esse alargar da base de solidariedade. Esperemos que sirva de pressão para o regime angolano e que consiga ajudar o povo angolano a alcançar uma democracia plena e a liberdade também na sua forma plena. Deutsche Welle
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Desarmamento de Dhlakama insuficiente para a pacificação, dizem analistas
Analistas dizem que o desarmamento do líder da Renamo será
insuficiente para a pacificação do país, se não houver um compromisso
sério e um diálogo político que envolva todas as forças vivas da
sociedade.
Na passada sexta-feira, Afonso Dhlakama entregou ao Governo as armas da sua guarda pessoal, no que em meios politizados foi visto como um bom sinal de reconciliação, sublinhando-se, no entanto, que ele deve manter a voz de comando, para garantir a coesão do movimento.
O analista político Tomás Rondinho, sugere que os passos subsequentes ao acto poderão ser um encontro entre o líder da Renamo e o Presidente da República e o reatar do diálogo.
Este analista acha que o líder da Renamo vai às conversações numa situação fragilizada, pelo que é fundamental tornar o debate político mais abrangente e avançar-se para um processo de integração social dos homens armados da Renamo. Alguns deles começam a ficar agastados com a falta de solução para os seus problemas.
"Apesar de, neste momento, o líder da Renamo se encontrar enfraquecido, o seu orgulho não lhe vai permitir ceder tanto, porque não convém fazê-lo, para não perder a legitimidade da sua liderança no partido," disse Rondinho.
Rondinho considera fundamental que a Renamo se fortaleça como partido, de modo a que mantenha o seu peso na Assembleia da República, onde já submeteu alguns projectos de lei.
Entretanto, o padre católico Ézio Bono, considera que ainda há um longo caminho a percorrer no capítulo da pacificação e que o desarmamento de Afonso Dhlakama não pode por em causa a democracia em Moçambique.
Bono entende que numa República é necessário que haja uma oposição, "porque é ela que garante a democracia, pois, se não houver oposição haverá totalitarismo". Voz da América
Na passada sexta-feira, Afonso Dhlakama entregou ao Governo as armas da sua guarda pessoal, no que em meios politizados foi visto como um bom sinal de reconciliação, sublinhando-se, no entanto, que ele deve manter a voz de comando, para garantir a coesão do movimento.
O analista político Tomás Rondinho, sugere que os passos subsequentes ao acto poderão ser um encontro entre o líder da Renamo e o Presidente da República e o reatar do diálogo.
Este analista acha que o líder da Renamo vai às conversações numa situação fragilizada, pelo que é fundamental tornar o debate político mais abrangente e avançar-se para um processo de integração social dos homens armados da Renamo. Alguns deles começam a ficar agastados com a falta de solução para os seus problemas.
"Apesar de, neste momento, o líder da Renamo se encontrar enfraquecido, o seu orgulho não lhe vai permitir ceder tanto, porque não convém fazê-lo, para não perder a legitimidade da sua liderança no partido," disse Rondinho.
Rondinho considera fundamental que a Renamo se fortaleça como partido, de modo a que mantenha o seu peso na Assembleia da República, onde já submeteu alguns projectos de lei.
Entretanto, o padre católico Ézio Bono, considera que ainda há um longo caminho a percorrer no capítulo da pacificação e que o desarmamento de Afonso Dhlakama não pode por em causa a democracia em Moçambique.
Bono entende que numa República é necessário que haja uma oposição, "porque é ela que garante a democracia, pois, se não houver oposição haverá totalitarismo". Voz da América
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Encarecimento do custo de vida em Luanda poderá gerar mais ondas de protesto
Em Angola, o custo de vida está a subir de forma acelerada. A situação
começa a ficar insustentável. Os analistas preveem um maior
descontentamento popular semelhante às manifestações realizadas na
segunda-feira (05.10).
A semana começou com protestos e imagens chocantes de destruição de viaturas e queima de pneus nas ruas da capital angolana, devido à atual crise financeira que tem levado à penúria e à degradação social e económica da maioria dos angolanos.
Recorde-se que Luanda é também a capital mais cara do mundo para expatriados, de acordo com um relatório divulgado, em junho, pela consultora norte-americana Mercer que a classificou como a cidade mais cara pela terceira vez consecutiva. Por exemplo no sector de habitação as rendas poderão atingir os 11 mil euros ao mês para quem vem de fora.
Num país com uma economia dependente do petróleo, a situação começa a ficar extremamente complicada para a população local, sobretudo os mais carenciados, que nas ruas de Luanda de forma aberta já começam a pedir para que o MPLA abandone o poder.
O titular do governo angolano, José Eduardo dos Santos, demonstra impotência em honrar os compromissos assumidos com as empresas privadas e já começa a ter muitas dificuldades em pagar os salários dos funcionários públicos.
Descontentamento da população pode gerar mais manifestaçôes
O protesto desencadeado pelos taxistas, na última segunda-feira, que reclamam questões como a falta de paragens e o elevado nível de corrupção no seio dos agentes de trânsito, são os primeiros sinais de descontentamento da população. O protesto rapidamente ganhou outros contornos, havendo registos de violência e detenções.
Se a atual situação não for alterada rapidamente, a qualquer momento, o país poderá testemunhar um descontentamento popular generalizado, notam observadores atentos na capital angolana que seguiram de perto os incidentes registados na manifestação de taxistas da última segunda-feira.
O estudante, Miguel Natal, questiona as razões que levaram o Presidente angolano a comprar uma aeronave no valor de 62.5 milhões de dólares americanos quando o país já se encontrava numa situação de fragilidade económica, “o José Eduardo vai á China comprar um aparelho mais caro do mundo e depois ficamos em crise” diz o jovem nas ruas de Luanda.
Outros exemplos do género são criticados por uma grande maioria da população, cujo poder de compra diminuiu drasticamente na sequência da crise que se instalou no país provocada nomeadamente pela baixa do preço de petróleo no mercado mundial.
O país deve tomar medidas antes que seja tarde demais
Para o economista Filomeno Vieira Lopes, é urgente que o país tome algumas medidas macroeconómicas antes que seja tarde de mais.
Segundo o economista “se não se tomarem medidas no que diz respeito à prevenção dos meios públicos e das finanças públicas e se não se tomarem medidas também no sentido de se melhorar as importações existem muitas dúvidas se a economia não vai parar”.
O economista fala ainda de uma gestão criminosa da máquina pública por parte do Governo de José Eduardo dos Santos, tendo acrescentado que as autoridades devem urgentemente tomar medidas radicais para pôr cobro ao ciclo de enriquecimento ilícito que se constata no seio da elite dirigente angolana.
Para Vieira Lopes o país está “perante uma situação difícil que se vai agravar porque o serviço público não está a ser pago, os polícias não são pagos, a corrupção esta a aumentar em vez de diminuir e o único caminho, que existe para solucionar o problema, é a intervenção das centrais sindicais para combaterem isso. Deutsche Welle
A semana começou com protestos e imagens chocantes de destruição de viaturas e queima de pneus nas ruas da capital angolana, devido à atual crise financeira que tem levado à penúria e à degradação social e económica da maioria dos angolanos.
Recorde-se que Luanda é também a capital mais cara do mundo para expatriados, de acordo com um relatório divulgado, em junho, pela consultora norte-americana Mercer que a classificou como a cidade mais cara pela terceira vez consecutiva. Por exemplo no sector de habitação as rendas poderão atingir os 11 mil euros ao mês para quem vem de fora.
Num país com uma economia dependente do petróleo, a situação começa a ficar extremamente complicada para a população local, sobretudo os mais carenciados, que nas ruas de Luanda de forma aberta já começam a pedir para que o MPLA abandone o poder.
O titular do governo angolano, José Eduardo dos Santos, demonstra impotência em honrar os compromissos assumidos com as empresas privadas e já começa a ter muitas dificuldades em pagar os salários dos funcionários públicos.
Descontentamento da população pode gerar mais manifestaçôes
O protesto desencadeado pelos taxistas, na última segunda-feira, que reclamam questões como a falta de paragens e o elevado nível de corrupção no seio dos agentes de trânsito, são os primeiros sinais de descontentamento da população. O protesto rapidamente ganhou outros contornos, havendo registos de violência e detenções.
Se a atual situação não for alterada rapidamente, a qualquer momento, o país poderá testemunhar um descontentamento popular generalizado, notam observadores atentos na capital angolana que seguiram de perto os incidentes registados na manifestação de taxistas da última segunda-feira.
O estudante, Miguel Natal, questiona as razões que levaram o Presidente angolano a comprar uma aeronave no valor de 62.5 milhões de dólares americanos quando o país já se encontrava numa situação de fragilidade económica, “o José Eduardo vai á China comprar um aparelho mais caro do mundo e depois ficamos em crise” diz o jovem nas ruas de Luanda.
Outros exemplos do género são criticados por uma grande maioria da população, cujo poder de compra diminuiu drasticamente na sequência da crise que se instalou no país provocada nomeadamente pela baixa do preço de petróleo no mercado mundial.
O país deve tomar medidas antes que seja tarde demais
Para o economista Filomeno Vieira Lopes, é urgente que o país tome algumas medidas macroeconómicas antes que seja tarde de mais.
Segundo o economista “se não se tomarem medidas no que diz respeito à prevenção dos meios públicos e das finanças públicas e se não se tomarem medidas também no sentido de se melhorar as importações existem muitas dúvidas se a economia não vai parar”.
O economista fala ainda de uma gestão criminosa da máquina pública por parte do Governo de José Eduardo dos Santos, tendo acrescentado que as autoridades devem urgentemente tomar medidas radicais para pôr cobro ao ciclo de enriquecimento ilícito que se constata no seio da elite dirigente angolana.
Para Vieira Lopes o país está “perante uma situação difícil que se vai agravar porque o serviço público não está a ser pago, os polícias não são pagos, a corrupção esta a aumentar em vez de diminuir e o único caminho, que existe para solucionar o problema, é a intervenção das centrais sindicais para combaterem isso. Deutsche Welle
União Africana defende responsabilização dos promotores da crise na Guiné Bissau
O representante da União Africana
(UA) na Guiné-Bissau, Ovídio Pequeno, disse que devem ser atribuídas
responsabilidades aos que "colocam em causa" os interesses do povo na
crise política, que afeta o país há quase dois meses.
Bissau - O representante da União Africana (UA) na Guiné-Bissau, Ovídio Pequeno, disse terça-feira que devem ser atribuídas as responsabilidades aos que "colocam em causa" os interesses do povo na crise política, que afeta o país há quase dois meses.
Em declarações aos jornalistas à saída de um encontro de diplomatas com Domingos Simões Pereira, ex-primeiro-ministro e líder do PAIGC, o representante da União Africana considerou ser já insustentável a situação de impasse que se vive na Guiné-Bissau.
"Há que assacar responsabilidades a todos aqueles que de uma forma ou de outra não estejam a trabalhar para os interesses supremos deste povo. O nosso apelo, mais uma vez, é para que haja um entendimento e que seja urgente e duradoiro", disse o diplomata são-tomense.
Na qualidade de líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas eleições legislativas, Domingos Simões Pereira deu conta aos diplomatas estrangeiros dos passos encetados pelo seu partido para ultrapassar a crise.
Para o representante da UA, antes de tudo, deve haver um diálogo entre os líderes guineenses na medida em que, frisou, o país não pode continuar no impasse político em que se encontra desde a demissão, pelo chefe do Estado, do Governo eleito, a 12 de agosto.
"O povo está a sofrer, há grandes dificuldades, há carências" e "o mais importante é que as pessoas tenham a capacidade de ultrapassar os problemas que enfrentam", salientou Ovídio Pequeno.
O representante da UA diz que "há mais de um ano" tem vindo a chamar a atenção dos líderes guineenses para os riscos de levarem o país para a situação em que hoje se encontra.
"Algumas pessoas fizeram ouvidos de mercador e agora estamos nesta situação", acrescentou.
"Amanhã, espero que não se venha outra vez a responsabilizar a comunidade internacional", sublinhou Ovídio Pequeno.
O representante da UA em Bissau disse ainda que a comunidade internacional tem dificuldade em apoiar a saída desta crise, na medida em que os próprios guineenses não admitem a existência de problemas.
"Quando um doente diz que não está doente, então a comunidade internacional não saberá por onde começar a ajudar", defendeu Ovídio Pequeno.
As instituições do exterior não pode sob qualquer circunstância substituir os líderes nacionais, as instituições do Estado guineense, concluiu. África 21
Bissau - O representante da União Africana (UA) na Guiné-Bissau, Ovídio Pequeno, disse terça-feira que devem ser atribuídas as responsabilidades aos que "colocam em causa" os interesses do povo na crise política, que afeta o país há quase dois meses.
Em declarações aos jornalistas à saída de um encontro de diplomatas com Domingos Simões Pereira, ex-primeiro-ministro e líder do PAIGC, o representante da União Africana considerou ser já insustentável a situação de impasse que se vive na Guiné-Bissau.
"Há que assacar responsabilidades a todos aqueles que de uma forma ou de outra não estejam a trabalhar para os interesses supremos deste povo. O nosso apelo, mais uma vez, é para que haja um entendimento e que seja urgente e duradoiro", disse o diplomata são-tomense.
Na qualidade de líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das últimas eleições legislativas, Domingos Simões Pereira deu conta aos diplomatas estrangeiros dos passos encetados pelo seu partido para ultrapassar a crise.
Para o representante da UA, antes de tudo, deve haver um diálogo entre os líderes guineenses na medida em que, frisou, o país não pode continuar no impasse político em que se encontra desde a demissão, pelo chefe do Estado, do Governo eleito, a 12 de agosto.
"O povo está a sofrer, há grandes dificuldades, há carências" e "o mais importante é que as pessoas tenham a capacidade de ultrapassar os problemas que enfrentam", salientou Ovídio Pequeno.
O representante da UA diz que "há mais de um ano" tem vindo a chamar a atenção dos líderes guineenses para os riscos de levarem o país para a situação em que hoje se encontra.
"Algumas pessoas fizeram ouvidos de mercador e agora estamos nesta situação", acrescentou.
"Amanhã, espero que não se venha outra vez a responsabilizar a comunidade internacional", sublinhou Ovídio Pequeno.
O representante da UA em Bissau disse ainda que a comunidade internacional tem dificuldade em apoiar a saída desta crise, na medida em que os próprios guineenses não admitem a existência de problemas.
"Quando um doente diz que não está doente, então a comunidade internacional não saberá por onde começar a ajudar", defendeu Ovídio Pequeno.
As instituições do exterior não pode sob qualquer circunstância substituir os líderes nacionais, as instituições do Estado guineense, concluiu. África 21
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Economistas analisam petróleo e capitalismo primitivo
Sonangol e seus investimentos em debate.
O economista e político Filomeno Vieira Lopes considera que há uma excessiva retenção de fundos na Sonangol, com o propósito de garantir o processo de acumulação primitiva de capitais.
Deste processo, segundo o antigo professor universitário, surgem as elites que se sobrepõem à maioria dos angolanos.
Filomeno Vieira Lopes, convidado do último Quintas de Debate, uma iniciativa da associação Omunga, lembra que a Sonangol tem um papel relevante na gestão pública.
Até aqui, nada de estranho, já que se está a falar da empresa que negoceia directamente grande parte dos empréstimos que o país solicita a outros Estados.
A anomalia, de acordo com o também funcionário da Sonangol, reside na propositada e excessiva retenção de fundos que deveriam estar ao serviço da maioria dos angolanos.
“A grande intenção é garantir que os excedentes sirvam um processo para formar as grandes elites, mas são recursos que deviam estar a ser administrados directamente para o bem de todos os angolanos”, explicou Vieira Lopes, lembrando que as empresas públicas “servem os interesses destas elites, com obras para casas de ministros, importação de viaturas e outros exemplos de acumulação primitiva de capitais”.
Para aquele economista, há uma maldição do petróleo, porque “quando a Inglaterra ou a Noruega descobrem petróleo, têm instituições estáveis”, ao contrário do que se passa em Angola.
“Temos sistemas que caminham para o enriquecimento das elites, o que cria guerras e assassinatos, o petróleo é do Presidente, há uma balbúrdia nacional”, acusa Vieira Lopes.
Por outro lado, também presente no encontro, o director do Jornal Expansão Carlos Rosado de Carvalho considerou que os sinais da dependência desta fonte de energia continuam visíveis. Voz da América
O economista e político Filomeno Vieira Lopes considera que há uma excessiva retenção de fundos na Sonangol, com o propósito de garantir o processo de acumulação primitiva de capitais.
Deste processo, segundo o antigo professor universitário, surgem as elites que se sobrepõem à maioria dos angolanos.
Filomeno Vieira Lopes, convidado do último Quintas de Debate, uma iniciativa da associação Omunga, lembra que a Sonangol tem um papel relevante na gestão pública.
Até aqui, nada de estranho, já que se está a falar da empresa que negoceia directamente grande parte dos empréstimos que o país solicita a outros Estados.
A anomalia, de acordo com o também funcionário da Sonangol, reside na propositada e excessiva retenção de fundos que deveriam estar ao serviço da maioria dos angolanos.
“A grande intenção é garantir que os excedentes sirvam um processo para formar as grandes elites, mas são recursos que deviam estar a ser administrados directamente para o bem de todos os angolanos”, explicou Vieira Lopes, lembrando que as empresas públicas “servem os interesses destas elites, com obras para casas de ministros, importação de viaturas e outros exemplos de acumulação primitiva de capitais”.
Para aquele economista, há uma maldição do petróleo, porque “quando a Inglaterra ou a Noruega descobrem petróleo, têm instituições estáveis”, ao contrário do que se passa em Angola.
“Temos sistemas que caminham para o enriquecimento das elites, o que cria guerras e assassinatos, o petróleo é do Presidente, há uma balbúrdia nacional”, acusa Vieira Lopes.
Por outro lado, também presente no encontro, o director do Jornal Expansão Carlos Rosado de Carvalho considerou que os sinais da dependência desta fonte de energia continuam visíveis. Voz da América
Greve de taxistas em Luanda: agressões, destruição e prisões
Vários indivíduos foram detidos pela Polícia Nacional de Angola na
sequência de uma greve de taxistas iniciada durante a manhã desta
segunda-feira (05.10), em Luanda, e que resultou em agressões e
destruição de viaturas.
Os taxistas em Luanda decretaram na manhã desta segunda-feira (05.10), uma greve que visa por um lado, chamar a atenção das autoridades para a falta de paragens para os passageiros e por outro, denunciar os atos de corrupção por parte de alguns agentes da polícia nacional. A ação dos taxistas, afetou milhares de luandenses que usam diariamente estes serviços.
A atitude que surpreendeu a sociedade, teve o início nas primeiras horas do dia. Vários taxistas recusaram-se em transportar os passageiros que esperavam pelos seus serviços em diferentes zonas de Luanda.
Muitos dos taxistas que tentaram trabalhar, viram as viaturas vandalizadas pelos próprios colegas que montavam barreiras no meio das estradas, com pneus em chamas.
Luanda parou
No entanto, as paragens de táxis estavam cheias de pessoas que esperavam os "Azuis e branco". Vários cidadãos tiveram que andar à pé, muitos chegaram atrasados nos locais de trabalho, enquanto outros preferiram regressar para as suas casa devido a situação.
Em declarações à DW África, alguns taxistas alegaram que a greve visa protestar contra a falta de locais definidos para o carregamento de passageiros que foram bloqueados pela Policia Nacional sem que fosse dada qualquer explicação.
"Estamos em greve porque não temos espaços para carregar e descarregar os passageiros. Quando utilizamos estes locais proibidos, somos perseguidos pelos policias", explicou Domingos Cassua que trabalha há 15 anos como candongueiro.
"Nós só queremos paragens para continuarmos a exercer o nosso trabalho" disse um outro taxistas identificado apenas por Olha Hora.
Polícia corrupta acusam os taxistas
Segundos os taxistas, as zonas dos congolenses, Cuca, Cacuaco, São Paulo, Viana e Benfica são áreas onde encontram dificuldades para exercerem o trabalho. E também acusam os agentes reguladores de transito de estarem a extorqui-los muito dinheiro.
Por sua vez o presidente da Associação dos Taxistas de Luanda (ATL), Manuel Faustino, disse que a greve não foi convocada pela sua organização, mas reconhece as dificuldades que os seus membros enfrentam todos os dias. Por isso apelou aos taxistas para não praticarem atos de vandalismo.
"Nós também somos agentes económicos como os outros, por isso merecemos respeito. Mas isso não implica que tenhamos um comportamento de arruaceiro. Vamos discutir e reivindicar os nossos direitos legalmente", disse Manuel Faustino.
Quando termina a greve?
Durante a semana, os taxistas vão encontrar formas para reunir com o Governo da província e discutir o problema.
O presidente da ATL diz que vários taxistas foram detidos. Dados também confirmados pelo porta-voz da Policia de Luanda que em declarações ao portal Rede Angola, não revelou o número de candongueiros que estão sob custódia da polícia.
"Vários dos nossos colegas foram detidos em diferentes zonas de Luanda. Vamos procurar saber qual será o destino destes colegas detidos". Deutsche Welle
Os taxistas em Luanda decretaram na manhã desta segunda-feira (05.10), uma greve que visa por um lado, chamar a atenção das autoridades para a falta de paragens para os passageiros e por outro, denunciar os atos de corrupção por parte de alguns agentes da polícia nacional. A ação dos taxistas, afetou milhares de luandenses que usam diariamente estes serviços.
A atitude que surpreendeu a sociedade, teve o início nas primeiras horas do dia. Vários taxistas recusaram-se em transportar os passageiros que esperavam pelos seus serviços em diferentes zonas de Luanda.
Muitos dos taxistas que tentaram trabalhar, viram as viaturas vandalizadas pelos próprios colegas que montavam barreiras no meio das estradas, com pneus em chamas.
Luanda parou
No entanto, as paragens de táxis estavam cheias de pessoas que esperavam os "Azuis e branco". Vários cidadãos tiveram que andar à pé, muitos chegaram atrasados nos locais de trabalho, enquanto outros preferiram regressar para as suas casa devido a situação.
Em declarações à DW África, alguns taxistas alegaram que a greve visa protestar contra a falta de locais definidos para o carregamento de passageiros que foram bloqueados pela Policia Nacional sem que fosse dada qualquer explicação.
"Estamos em greve porque não temos espaços para carregar e descarregar os passageiros. Quando utilizamos estes locais proibidos, somos perseguidos pelos policias", explicou Domingos Cassua que trabalha há 15 anos como candongueiro.
"Nós só queremos paragens para continuarmos a exercer o nosso trabalho" disse um outro taxistas identificado apenas por Olha Hora.
Polícia corrupta acusam os taxistas
Segundos os taxistas, as zonas dos congolenses, Cuca, Cacuaco, São Paulo, Viana e Benfica são áreas onde encontram dificuldades para exercerem o trabalho. E também acusam os agentes reguladores de transito de estarem a extorqui-los muito dinheiro.
Por sua vez o presidente da Associação dos Taxistas de Luanda (ATL), Manuel Faustino, disse que a greve não foi convocada pela sua organização, mas reconhece as dificuldades que os seus membros enfrentam todos os dias. Por isso apelou aos taxistas para não praticarem atos de vandalismo.
"Nós também somos agentes económicos como os outros, por isso merecemos respeito. Mas isso não implica que tenhamos um comportamento de arruaceiro. Vamos discutir e reivindicar os nossos direitos legalmente", disse Manuel Faustino.
Quando termina a greve?
Durante a semana, os taxistas vão encontrar formas para reunir com o Governo da província e discutir o problema.
O presidente da ATL diz que vários taxistas foram detidos. Dados também confirmados pelo porta-voz da Policia de Luanda que em declarações ao portal Rede Angola, não revelou o número de candongueiros que estão sob custódia da polícia.
"Vários dos nossos colegas foram detidos em diferentes zonas de Luanda. Vamos procurar saber qual será o destino destes colegas detidos". Deutsche Welle
sábado, 3 de outubro de 2015
Nova linha de crédito chinesa divide opiniões de analistas angolanos
A nova linha de crédito da China a Angola cujo acordo foi recentemente
assinado pelo Chefe do Executivo angolano quando da sua deslocação a
este país asiático continua a dividir a opinião de analistas em Angola.
O economista Carlos Rosado de Carvalho diz que os dados sobre a dívida angolana com a China são duvidosos já que os seus empréstimos são de longo prazo e com um período de carência de 3 anos.
O também docente universitário prefere, por esta razão acreditar nas informações do FMI de 2013 que apontam para uma dívida de 18,3 mil milhões de dólares aos chineses em 2013, o que representa 63 porcento do total da dívida externa de Angola.
«A confiar e a serem verdadeiros estes números do Fundo Monetário internacional nós devemos 18 mil milhões de dólares à China o que representa 63 porcento da dívida total».
No final de 2014, segundo Carlos Rosado de Carvalho , a dívida pública total de Angola era de cerca de 50 mil milhões de dólares, onde 39, 4 mil milhões era de dívida externa, o que representa 39% do PIB no referido ano.
Para o economista, com a redução do preço do petróleo e com a nova linha de crédito Angola poderá chegar no final de 2015 com 57 % do PIB de dívida pública, correndo o risco de atingir o limite recomendável pelo FMI que estabelece 60% como fronteira.
«É esta também a previsão do Fundo Monetário Internacional. Nós temos um limite que é de 60%. A dívida pública não pode exceder 60 % do PIB. Em termos de padrões internacionais a nossa dívida é relativamente baixa, mas nós somos excessivamente dependentes do petróleo», explicou.
Para o activista da Rede Urbana de Luta Contra Pobreza o crédito chinês coloca Angola numa situação preocupante, porquanto os cidadãos angolanos se tornaram devedores do gigante asiático sem qualquer informação prévia sobre as implicações e contra partidas deste crédito.
«É muito preocupante. E se nós tivéssemos uma consciência crítica mais elevada este assunto teria de fato grandes repercussões a nível do país. Não se entende como é que todos os cidadãos passam a ser devedores deste gigante asiático e não é dada uma informação de concreto. «A forma como o processo foi levado e está a ser gerido é que preocupa», referiu.
O conteúdo deste acordo estabelecido com a China não foi divulgado, a sociedade civil questionada desde então os moldes deste crédito, que segundo informações oficiosas, teria como contra partida a favor da China a exploração de algumas terras em Angola, nomeadamente nas províncias de Malanje e Kuando Kubango.
Para Will Piassa, activista cívico da Rede Urbana de Luta Contra Pobreza, já se previa a solicitação de um crédito externo em face das promessas eleitorais feitas em 2012 e que precisavam ser cumpridas. Mas, a questão que inquieta o activista é a forma como se mantem em segredo as cláusulas deste acordo.
A referência da China na solicitação de uma linha de crédito, segundo o economista Josué Chilundulu, estará relacionado com variáveis económicas ligadas a possibilidade de devolução em tempo útil e com as baixas taxas de juros.
“O custo de investimento tem que ser baixo, então eu percebo que Angola ao não preferi outras linhas de créditos está a dar valor a estas vaiáveis económicas que são: olhar para a taxa de juro e o tempo de liquidez”, sustentou o também docente universitário.
Um comunicado do Governo de Angola divulgado em Julho dava conta que a linha de crédito chinês serviria para “para financiar projectos públicos a partir deste ano, mantendo-se a dívida pública angolana dentro de limites considerados sustentáveis”.
“Os referidos acordos vão permitir acomodar e financiar projectos constantes da carteira de investimentos públicos, no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017, visando garantir o provimento de bens e serviços públicos no contexto da diversificação e competitividade da economia”, lê-se no comunicado.
O investimento e a experiência técnica estrangeira são fundamentais num momento economicamente crucial como este que Angola está a atravessar para se poder transformar os recursos económicos do país em vias de desenvolvimento. O economista Josué Chilundulu pensa que se deve olhar de forma positiva ao acordo chinês se o referido crédito servir para alavancar a economia nacional.
“Não sabemos auferir em que casos concretos estes acordos se vão cingir, mas se eles vêm como uma forma de dar suporte ao alavancar da economia que é urgente, temos que perceber isto de formas positiva”, frisou.
Carlos Rosado de Carvalho refere por outro lado que uma das questões que se coloca é o facto do dinheiro da China não beneficiar o sistema financeiro angolano e por isso, sugere a criação de uma lei cambial para os empréstimos da China.
«O dinheiro não entra em Angola. São as empresas chinesas que recebem o dinheiro na China directamente e depois transferem para cá aquilo que têm que pagar aos trabalhadores locais. O dinheiro da China efectivamente não beneficia nomeadamente o sistema financeiro angolano», reforçou.
Sobre os impostos, o economista dá conta que as empresas chinesas não pagam imposto, o que representa um problema de fiscalização.
«Não há nenhuma lei que diga que as empresas chinesas estão sujeitas à mesma lei que as empresas angolanas ou de outros países. O que nos dizem, segundo o que os empresários se queixam, é que efectivamente não pagam impostos, não têm funcionários inscritos na Segurança Social»
Josué Chilundulu explica que a solicitação de mais um empréstimo externo deverá fazer com que o país aperfeiçoe os seus níveis de gestão pública.
O economista salienta é a favor da ideia segundo a qual o país precisa acautelar os níveis de corrupção, deixar de investir em bens supérfluos, reduzir os desperdícios, aumentar os níveis de transparência governativa e olhar para estrutura política, social e económica dando vazão as vantagens e diminuir as desvantagens.
O presidente angolano terminou a 13 de Junho uma visita de Estado de cinco de dias à China, durante a qual foi negociado um reforço do apoio financeiro chinês a Luanda. Voz da América
O economista Carlos Rosado de Carvalho diz que os dados sobre a dívida angolana com a China são duvidosos já que os seus empréstimos são de longo prazo e com um período de carência de 3 anos.
O também docente universitário prefere, por esta razão acreditar nas informações do FMI de 2013 que apontam para uma dívida de 18,3 mil milhões de dólares aos chineses em 2013, o que representa 63 porcento do total da dívida externa de Angola.
«A confiar e a serem verdadeiros estes números do Fundo Monetário internacional nós devemos 18 mil milhões de dólares à China o que representa 63 porcento da dívida total».
No final de 2014, segundo Carlos Rosado de Carvalho , a dívida pública total de Angola era de cerca de 50 mil milhões de dólares, onde 39, 4 mil milhões era de dívida externa, o que representa 39% do PIB no referido ano.
Para o economista, com a redução do preço do petróleo e com a nova linha de crédito Angola poderá chegar no final de 2015 com 57 % do PIB de dívida pública, correndo o risco de atingir o limite recomendável pelo FMI que estabelece 60% como fronteira.
«É esta também a previsão do Fundo Monetário Internacional. Nós temos um limite que é de 60%. A dívida pública não pode exceder 60 % do PIB. Em termos de padrões internacionais a nossa dívida é relativamente baixa, mas nós somos excessivamente dependentes do petróleo», explicou.
Para o activista da Rede Urbana de Luta Contra Pobreza o crédito chinês coloca Angola numa situação preocupante, porquanto os cidadãos angolanos se tornaram devedores do gigante asiático sem qualquer informação prévia sobre as implicações e contra partidas deste crédito.
«É muito preocupante. E se nós tivéssemos uma consciência crítica mais elevada este assunto teria de fato grandes repercussões a nível do país. Não se entende como é que todos os cidadãos passam a ser devedores deste gigante asiático e não é dada uma informação de concreto. «A forma como o processo foi levado e está a ser gerido é que preocupa», referiu.
O conteúdo deste acordo estabelecido com a China não foi divulgado, a sociedade civil questionada desde então os moldes deste crédito, que segundo informações oficiosas, teria como contra partida a favor da China a exploração de algumas terras em Angola, nomeadamente nas províncias de Malanje e Kuando Kubango.
Para Will Piassa, activista cívico da Rede Urbana de Luta Contra Pobreza, já se previa a solicitação de um crédito externo em face das promessas eleitorais feitas em 2012 e que precisavam ser cumpridas. Mas, a questão que inquieta o activista é a forma como se mantem em segredo as cláusulas deste acordo.
A referência da China na solicitação de uma linha de crédito, segundo o economista Josué Chilundulu, estará relacionado com variáveis económicas ligadas a possibilidade de devolução em tempo útil e com as baixas taxas de juros.
“O custo de investimento tem que ser baixo, então eu percebo que Angola ao não preferi outras linhas de créditos está a dar valor a estas vaiáveis económicas que são: olhar para a taxa de juro e o tempo de liquidez”, sustentou o também docente universitário.
Um comunicado do Governo de Angola divulgado em Julho dava conta que a linha de crédito chinês serviria para “para financiar projectos públicos a partir deste ano, mantendo-se a dívida pública angolana dentro de limites considerados sustentáveis”.
“Os referidos acordos vão permitir acomodar e financiar projectos constantes da carteira de investimentos públicos, no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017, visando garantir o provimento de bens e serviços públicos no contexto da diversificação e competitividade da economia”, lê-se no comunicado.
O investimento e a experiência técnica estrangeira são fundamentais num momento economicamente crucial como este que Angola está a atravessar para se poder transformar os recursos económicos do país em vias de desenvolvimento. O economista Josué Chilundulu pensa que se deve olhar de forma positiva ao acordo chinês se o referido crédito servir para alavancar a economia nacional.
“Não sabemos auferir em que casos concretos estes acordos se vão cingir, mas se eles vêm como uma forma de dar suporte ao alavancar da economia que é urgente, temos que perceber isto de formas positiva”, frisou.
Carlos Rosado de Carvalho refere por outro lado que uma das questões que se coloca é o facto do dinheiro da China não beneficiar o sistema financeiro angolano e por isso, sugere a criação de uma lei cambial para os empréstimos da China.
«O dinheiro não entra em Angola. São as empresas chinesas que recebem o dinheiro na China directamente e depois transferem para cá aquilo que têm que pagar aos trabalhadores locais. O dinheiro da China efectivamente não beneficia nomeadamente o sistema financeiro angolano», reforçou.
Sobre os impostos, o economista dá conta que as empresas chinesas não pagam imposto, o que representa um problema de fiscalização.
«Não há nenhuma lei que diga que as empresas chinesas estão sujeitas à mesma lei que as empresas angolanas ou de outros países. O que nos dizem, segundo o que os empresários se queixam, é que efectivamente não pagam impostos, não têm funcionários inscritos na Segurança Social»
Josué Chilundulu explica que a solicitação de mais um empréstimo externo deverá fazer com que o país aperfeiçoe os seus níveis de gestão pública.
O economista salienta é a favor da ideia segundo a qual o país precisa acautelar os níveis de corrupção, deixar de investir em bens supérfluos, reduzir os desperdícios, aumentar os níveis de transparência governativa e olhar para estrutura política, social e económica dando vazão as vantagens e diminuir as desvantagens.
O presidente angolano terminou a 13 de Junho uma visita de Estado de cinco de dias à China, durante a qual foi negociado um reforço do apoio financeiro chinês a Luanda. Voz da América
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Sociedade civil angolana critica falta de transparência no setor petrolífero
Organizações de defesa dos direitos humanos debateram a ''transparência
do petróleo e desenvolvimento sustentável''. Para Filomeno Vieira Lopes o
petróleo tem enriquecido ilicitamente mais as elites do que o povo.
"A transparência do petróleo e o desenvolvimento sustentável" foi tema de debate nesta quinta-feira (01.10) na província angolana de Benguela. O evento foi co-organizado pelas associações de defesa dos direitos humanos AJPD (Associação Justiça, Paz e Democracia) e OMUNGA no espaço civico Quintas de Debates.
O preletor foi o político do partido extra-parlamentar Bloco Democrático (BD), o economista Filomeno Vieira Lopes, que é igualmente quadro sénior da petrolífera estatal angolana Sonangol.
Ao tomar a palavra, Filomeno Vieira Lopes começou por dar alguns exemplos da falta de transparência no setor do petróleo e dos atos que concorrem para o bloqueio do desenvolvimento sustentável em Angola: "As empresas públicas servem como sorvedoras dos interesses da elite. Há uma retenção exagerada de fundos na Sonangol, mas isso tem, do nosso ponto de vista, algumas intenções. E a grande intenção é que, efetivamente, estes excedentes que por ai vão ficando sirvam ao processo de acumulação primitiva de capital no sentido de formar algumas elites.
O economista diz ainda que "naturalmente através das vias petrolíferas as elites têm acesso a sistemas de saúde privilegiados, a bolsas de estudos e a um conjunto de facilidades que não são visíveis para a opinião pública."
Petróleo, a arma de influência de Angola
Estas medidas, afirma o economista, têm permitido o enriquecimento ilícito das elites angolanas. Para Vieira "não existe a noção de partilha aqui entre nós, não existe organização e gestão deste recurso natural em benefício das populações. Ele, na verdade, tem estado ao serviço de uma certa elite. Nós não temos instituições estáveis, nós temos sistemas que caminham para a formação de pequenas elites que querem muito rapidamente enriquecer."
O petróleo tem servido também como uma arma de influência política de Angola no continente africano e noutras partes do mundo. É devido à essa influência do petróleo que o Presidente angolano José Eduardo dos Santos se mantém no poder há 36 anos, segundo o economista Filomeno Vieira Lopes.
"Em Angola um dos probelmas desta partilha é que o petróleo é claramente o Presidente, o petróleo é do Presidente. E quando se descobriu petróleo em São Tomé [e Príncipe] o Presidente do país disse "veem como é em Angola? Não tenho pretensões de por isto na Assembleia Nacional. O petróleo é do Presidente", finaliza o político do Bloco Democrático.
Vários participantes no debate mostraram igualmente as suas inquietações em relação ao "continente africano, em especial Angola, o nosso país, não adota política de transparência dos seus orçamentos devido a corrupção. Todos nós sabemos que o continente africano é conhecido por ser um continente de corruptos", disse um dos participantes no encontro. Deutsche Welle
"A transparência do petróleo e o desenvolvimento sustentável" foi tema de debate nesta quinta-feira (01.10) na província angolana de Benguela. O evento foi co-organizado pelas associações de defesa dos direitos humanos AJPD (Associação Justiça, Paz e Democracia) e OMUNGA no espaço civico Quintas de Debates.
O preletor foi o político do partido extra-parlamentar Bloco Democrático (BD), o economista Filomeno Vieira Lopes, que é igualmente quadro sénior da petrolífera estatal angolana Sonangol.
Ao tomar a palavra, Filomeno Vieira Lopes começou por dar alguns exemplos da falta de transparência no setor do petróleo e dos atos que concorrem para o bloqueio do desenvolvimento sustentável em Angola: "As empresas públicas servem como sorvedoras dos interesses da elite. Há uma retenção exagerada de fundos na Sonangol, mas isso tem, do nosso ponto de vista, algumas intenções. E a grande intenção é que, efetivamente, estes excedentes que por ai vão ficando sirvam ao processo de acumulação primitiva de capital no sentido de formar algumas elites.
O economista diz ainda que "naturalmente através das vias petrolíferas as elites têm acesso a sistemas de saúde privilegiados, a bolsas de estudos e a um conjunto de facilidades que não são visíveis para a opinião pública."
Petróleo, a arma de influência de Angola
Estas medidas, afirma o economista, têm permitido o enriquecimento ilícito das elites angolanas. Para Vieira "não existe a noção de partilha aqui entre nós, não existe organização e gestão deste recurso natural em benefício das populações. Ele, na verdade, tem estado ao serviço de uma certa elite. Nós não temos instituições estáveis, nós temos sistemas que caminham para a formação de pequenas elites que querem muito rapidamente enriquecer."
O petróleo tem servido também como uma arma de influência política de Angola no continente africano e noutras partes do mundo. É devido à essa influência do petróleo que o Presidente angolano José Eduardo dos Santos se mantém no poder há 36 anos, segundo o economista Filomeno Vieira Lopes.
"Em Angola um dos probelmas desta partilha é que o petróleo é claramente o Presidente, o petróleo é do Presidente. E quando se descobriu petróleo em São Tomé [e Príncipe] o Presidente do país disse "veem como é em Angola? Não tenho pretensões de por isto na Assembleia Nacional. O petróleo é do Presidente", finaliza o político do Bloco Democrático.
Vários participantes no debate mostraram igualmente as suas inquietações em relação ao "continente africano, em especial Angola, o nosso país, não adota política de transparência dos seus orçamentos devido a corrupção. Todos nós sabemos que o continente africano é conhecido por ser um continente de corruptos", disse um dos participantes no encontro. Deutsche Welle
Renamo considera "palhaçada" processo contra Dhlakama
Polícia abriu processo por homicídio contra o líder do principal partido da oposição devido a incidente de sexta-feira
A Renamo, principal partido de oposição moçambicana, considerou uma "palhaçada" o anúncio da polícia da abertura de um processo criminal contra o líder do movimento por homicídio, após os incidentes registados na passada sexta-feira. "Eu acho que é palhaçada. A polícia vai abrir um processo contra o presidente da Renamo e não abre um processo contra a pessoa que matou as tais 23 pessoas da Renamo?", questionou o porta-voz do partido, António Muchanga.
Qualificando como infeliz o anúncio do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Muchanga defendeu que as autoridades deviam abrir um processo criminal contra os membros das forças de defesa e segurança envolvidos no incidente.
A Renamo, principal partido de oposição moçambicana, considerou uma "palhaçada" o anúncio da polícia da abertura de um processo criminal contra o líder do movimento por homicídio, após os incidentes registados na passada sexta-feira. "Eu acho que é palhaçada. A polícia vai abrir um processo contra o presidente da Renamo e não abre um processo contra a pessoa que matou as tais 23 pessoas da Renamo?", questionou o porta-voz do partido, António Muchanga.
Qualificando como infeliz o anúncio do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Muchanga defendeu que as autoridades deviam abrir um processo criminal contra os membros das forças de defesa e segurança envolvidos no incidente.
Sem
mencionar o seu paradeiro, o porta-voz da Renamo afirmou que Dhlakama
apela à calma e está empenhado em evitar que o país volte a nova guerra.
"A nossa prioridade agora é restabelecer o bom ambiente, para que
Moçambique não volte à situação que passou durante 16 anos", disse
Muchanga, aludindo à guerra civil que o país viveu até ao Acordo Geral
de Paz, em 1992.
A polícia moçambicana anunciou a abertura de um processo criminal, por homicídio, contra o líder da Renamo, relacionado com o incidente de sexta-feira entre as forças de defesa e segurança e homens armados do movimento. "[Afonso Dhlakama] também faz parte dos que vêm no processo. Estamos à espera de dados completos para saber onde está", disse o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Inácio Dina, citado na imprensa moçambicana.
Dina afirmou que, além do líder da Renamo, a ação criminal visa também todos os integrantes da sua comitiva e que as autoridades pretendem identificar o autor do disparo que matou o motorista de um carro de transporte de passageiros.
As autoridades afirmam que foi na sequência do disparo que matou o motorista que as forças de defesa e segurança se deslocaram ao local para repor a ordem e acabaram por se envolver em confrontos com a escolta de Dhlakama.
No final da sessão do Conselho de Ministros na terça-feira, o porta-voz Mouzinho Saíde disse que o número de mortos no incidente com a comitiva do líder da Renamo subiu de 20 para 24. E 23 militares da Renamo morreram no incidente, a que se somou um civil.
O líder da Renamo disse à Lusa na sexta-feira ter sido alvo de uma emboscada das forças de defesa e segurança, mas a polícia rebateu esta versão, sustentando que foi a comitiva de Dhlakama que provocou o incidente ao assassinar o motorista de um "chapa" (carrinha de transporte semipúblico) que passava no local.
Segundo a Renamo, o incidente fez sete mortos entre a comitiva de Dhlakama e dezenas entre os alegados atacantes, um balanço bastante abaixo dos primeiros números divulgados pela polícia e agravados na terça-feira pelo governo.
Dhlakama encontra-se em lugar desconhecido desde sexta-feira, embora a Renamo assegure que está bem de saúde e a controlar o partido, apelando à não retaliação.
Este é o segundo incidente em menos de duas semanas que envolve o líder da Renamo, depois de no dia 12 a comitiva de Dhlakama ter sido atacada perto do Chimoio, também na província de Manica. Na altura, a Frelimo acusou a Renamo de simular a emboscada, enquanto a polícia negou o seu envolvimento, acrescentando que estava a investigar.
Em entrevista ao semanário Savana, o ministro da Defesa, Salvador Mtumuke, também negou o envolvimento do exército. Moçambique vive sob o espetro de uma nova guerra, devido às ameaças da Renamo de governar pela força nas seis províncias do Centro e Norte do país onde reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de outubro de 2014. Diário de Notícias
A polícia moçambicana anunciou a abertura de um processo criminal, por homicídio, contra o líder da Renamo, relacionado com o incidente de sexta-feira entre as forças de defesa e segurança e homens armados do movimento. "[Afonso Dhlakama] também faz parte dos que vêm no processo. Estamos à espera de dados completos para saber onde está", disse o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Inácio Dina, citado na imprensa moçambicana.
Dina afirmou que, além do líder da Renamo, a ação criminal visa também todos os integrantes da sua comitiva e que as autoridades pretendem identificar o autor do disparo que matou o motorista de um carro de transporte de passageiros.
As autoridades afirmam que foi na sequência do disparo que matou o motorista que as forças de defesa e segurança se deslocaram ao local para repor a ordem e acabaram por se envolver em confrontos com a escolta de Dhlakama.
No final da sessão do Conselho de Ministros na terça-feira, o porta-voz Mouzinho Saíde disse que o número de mortos no incidente com a comitiva do líder da Renamo subiu de 20 para 24. E 23 militares da Renamo morreram no incidente, a que se somou um civil.
O líder da Renamo disse à Lusa na sexta-feira ter sido alvo de uma emboscada das forças de defesa e segurança, mas a polícia rebateu esta versão, sustentando que foi a comitiva de Dhlakama que provocou o incidente ao assassinar o motorista de um "chapa" (carrinha de transporte semipúblico) que passava no local.
Segundo a Renamo, o incidente fez sete mortos entre a comitiva de Dhlakama e dezenas entre os alegados atacantes, um balanço bastante abaixo dos primeiros números divulgados pela polícia e agravados na terça-feira pelo governo.
Dhlakama encontra-se em lugar desconhecido desde sexta-feira, embora a Renamo assegure que está bem de saúde e a controlar o partido, apelando à não retaliação.
Este é o segundo incidente em menos de duas semanas que envolve o líder da Renamo, depois de no dia 12 a comitiva de Dhlakama ter sido atacada perto do Chimoio, também na província de Manica. Na altura, a Frelimo acusou a Renamo de simular a emboscada, enquanto a polícia negou o seu envolvimento, acrescentando que estava a investigar.
Em entrevista ao semanário Savana, o ministro da Defesa, Salvador Mtumuke, também negou o envolvimento do exército. Moçambique vive sob o espetro de uma nova guerra, devido às ameaças da Renamo de governar pela força nas seis províncias do Centro e Norte do país onde reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de outubro de 2014. Diário de Notícias
Subscrever:
Mensagens (Atom)