quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

FRELIMO nega linchamento de membro do MDM em Tete

O MDM acusa a FRELIMO de assassinato por linchamento de Sousa Matola, chefe de informação do partido da oposição em Tete, no centro de Moçambique. O partido no poder nega as acusações e exige a apresentação de provas. 

Segundo o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) em Tete, a morte de Sousa Matola ocorreu no bairro Matudo, nos arredores daquela cidade, a 21 de dezembro, duas semanas depois de o partido ter recebido um despacho do secretário do bairro Matundo, que informava que todas as atividades políticas da oposição naquele local dependiam da sua autorização.
Celestino Bento, delegado político provincial do terceiro maior partido moçambicano em Tete, diz não ter dúvidas de que o crime foi cometido pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). "Fomos falar com o secretário do Bairro Matundo para o informar que iríamos inaugurar a nossa sede e ele deu-nos um despacho a dizer que, se inaugurássemos a sede, este não se responsabilizaria pelas consequências", informou Bento.
Celestino Bento adianta ainda que naquele dia houve várias tentativas de incendiar a sede do MDM no Bairro Matundo. "Colocaram gasolina, tentaram arder as paredes, mas não foi possível porque são paredes de tijolo queimado, rasgararam todos panfletos".
Para o delegado provincial do MDM, estas são provas suficientes para que as investigações prossigam.

Detido membro do MDM

Em entrevista à DW África, o porta-voz do comando provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Tete, Luís Núdia, revela que já foi feita uma detenção relacionada com este caso. Diz que se trata de um membro do MDM, que é suspeito de ter tido uma briga com a vítima no dia da sua morte, a 21 de dezembro.
"Segundo informações a que a polícia teve acesso, as pessoas com quem ele esteve a conviver antes da sua morte não eram pessoas de outro partido. Podemos até admitir que são pessoas do mesmo partido, com quem se dava mais", afirma Luís Núdia. Por isso, exclui "a hipótese de que ele tenha sido impedido de realizar as suas atividades naquele bairro".
Celestino Bento nega que o jovem detido seja membro do MDM e diz que a polícia está a mentir."Quem disse à polícia que ele é membro do MDM?", interroga o delegado político do terceiro maior partido moçambicano.
"A polícia está a tentar encobrir, está ser usada pelo partido FRELIMO. A polícia não tem provas de que foi aquele jovem que praticou aquela acção. Nós temos provas de pessoas que nos ameaçaram", sublinha.
O MDM em Tete diz que os seus membros são torturados e impedidos de exercer as suas atividades políticas nos distritos de Tsangano, Mágoe, Changara, Chiúta e Mutarara.

FRELIMO nega acusações

Ofélio Jeremias, primeiro secretário do partido FRELIMO na cidade de Tete, nega que a sua formação política tenha linchado Sousa Matola.
"A FRELIMO não está contra os partidos políticos. Em nenhum momento a FRELIMO impede actividades políticas de outros partidos. Com que base há essa acusação?"; questiona Ofélio Jeremias, acrescentando que o Governo está a trabalhar para esclarecer quem são os autores deste crime.
Por outro lado, o partido no poder considera importante que o MDM encontre os assassinos de Sousa Matola. "Quem acusa tem que provar. Isso é imaturidade política daqueles que não têm política. São partidos falso", conclui Jeremias. Deutsche Welle

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Camponeses moçambicanos preocupados com investimentos externos

Temem que suas terras sejam entregues aos mega-investimentos.

Em Moçambique, os receios de que as famílias residentes em locais onde vai ser desenvolvido o projecto ProSavana possam perder as suas terras continuam, apesar das garantias do Governo de que tal não vai acontecer.

O projecto será desenvolvido ao longo do chamado Corredor de Nacala, abrangendo as províncias de Niassa, Nampula e Zambézia, e prevê a disponibilização de cerca de 14 mil hectares a mega-empresas, para a produção de soja, milho e outros produtos de rendimento.
"Estamos preocupados porque essa terra não está disponível, uma vez que a mesma é usada pelas famílias, recorrendo à técnica de pousio", disse à VOA, Laita Omar, da União Nacional dos Camponeses.
Num recente seminário sobre o ProSavana, representantes de camponeses de diferentes províncias moçambicanas, levantaram inquietações relacionadas com o receio de perda de terras.
"Vamos perder as nossas terras, seremos reassentados e muitos de nós seremos transformados em empregados rurais das empresas que vão ficar com as nossas terras", lamentou Luís Nota, da província central da Zambézia.
A Liga Moçambicana dos Direitos Humanos diz que essas situações já ocorrem e, em muitos casos, resultam em conflitos, por exemplo, na província de Tete, onde estão em curso projectos de exploração de carvão, como também em outros países africanos.
Em Tete, organizações da sociedade civil acusam empresas envolvidas na exploração de carvão de violarem os direitos e liberdades fundamentais das famílias afectadas pelos projectos.
Em muitos casos, as comunidades protestam contra as infraestruturas de má qualidade e más condições de habitação, entre outras situações.
Para o arcebispo de Maputo, Dom Francisco Chimoio, os mega-projetos têm negligenciado a questão da responsabilidade social, mas considera que a situação pode ser ultrapassada se se prestar particular atenção a esses investimentos.
De acordo com o religioso, "o país precisa de estar muito atento aos acordos que se assinam com os investidores".
Numa situação de conflito entre os mega-projetos e as comunidades, as mulheres são as que sofrem mais, pelo que precisam de todo o apoio do judiciário, segundo o Fórum Mulher e Desenvolvimento.
Por seu lado, o Governo diz que nenhuma porção de terra pertencente a camponeses vai ser atribuída a empresários porque o Estado possui terra para o efeito.
No entender do Governo, com o desenvolvimento do ProSavana, alguns camponeses poderão optar pelo agro-processamento, uma vez que nem todos os camponeses que estão hoje a trabalhar a terra fazem-no porque gostam, mas porque não têm outras opções
Mas mais do que isso, o executivo diz-se preocupado com o elevado crescimento populacional, sobretudo nas regiões centro e norte de Moçambique.
Segundo as projeções do Governo, em 2030, a população daquele corredor quase que duplicará e essa população está-se a tornar cada vez mais educada, o que significa que se não forem criadas oportunidades ao nível dos distritos, vai haver muita emigração para as cidades, com todos os problemas daí decorrentes.
Cerca de 4.5 milhões de pessoas vivem nas regiões onde vai ser implementado o ProSavana. Voz da América

Consumo de drogas é a terceira causa de perturbações mentais

O CONSUMO de drogas no país é a terceira causa de perturbações mentais que afecta 3,4 por cento da população, disse à LUSA fonte do Ministério da Saúde, que admite a falta de centros de reabilitação de toxicodependentes.
“As drogas continuam a ser a terceira causa das doenças mentais no nosso país”, disse, em entrevista à LUSA, a chefe do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Lídia Gouveia, lamentando o facto de o nível de consumo de estupefacientes entre as camadas mais jovens estar a aumentar no país.
Mais de 3,4 por cento da população sofrem de psicoses em todo o país, Lídia Gouveia considerou que Moçambique precisa de centros de reabilitação para toxicodependentes, assentes em infra-estruturas que disponham de recursos técnicos e financeiros para assistir doentes mentais, em particular.
“Na maioria dos casos, os familiares têm receio de levar os dependentes aos centros psiquiátricos, alegando que eles não são doentes mentais”, afirmou a médica, justificando, por isso, a necessidade de se instalar “pelo menos um centro de reabilitação de toxicodependentes” em Moçambique. Actualmente, o país conta com seis centros para assistência de doentes mentais integrados num Serviço Nacional de Saúde (SNS), composto apenas por 373 profissionais da área mental, entre psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras, num território com mais de 24 milhões de habitantes, dos quais 1,6 por cento da população sofre de atraso mental.
Lídia Gouveia apontou a epilepsia e a esquizofrenia como os principais diagnósticos nos últimos tempos em Moçambique, destacando, a título de exemplo, que a maior parte das mais de 70 mil consultas psiquiátricas de 2014 apresentou sintomas relacionados a estas duas doenças.
“A epilepsia, por exemplo, é uma outra doença que nos preocupa bastante”, admitiu a médica, acrescentando que, tal como a toxicodependência, na maioria dos casos os familiares do doente têm vergonha de apresentá-lo nos centros psiquiátricos.
A epilepsia afecta cerca de 3,11 por cento da população moçambicana e, embora em muitos países seja separada das doenças mentais, em Moçambique é tratada pelo Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde.
Além de tratar epilépticos, esquizofrénicos e toxicodependentes, o Departamento de Saúde Mental assiste também pessoas com doenças afectivas, casos de depressões, causa da maioria dos suicídios no país.
“Por exemplo, estamos agora a assistir pessoas com SIDA, que enfrentam estigma, e também fazemos assistência a mulheres que sofreram traumas devido à violência doméstica”, salientou Lídia Gouveia, acrescentando que um dos principais desafios do seu elenco é a falta de recursos humanos e financeiros para fazer face à situação. Notícias

Dhlakama garante: Presidente sul-africano e igreja Católica vão mediar diálogo Renamo-Governo

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, garantiu hoje que o Presidente sul-africano Jacob Zuma e a igreja Católica manifestaram "prontidão" para mediarem o conflito político-militar em Moçambique, e acusou o Governo de "fintar" o diálogo.

"Sim, já tive resposta. A igreja Católica já manifestou a prontidão, só que não pode por si só, estas coisas de mediação sabem, é preciso que ambos lados estejam disponíveis. É preciso que a Frelimo e o Governo demonstrem também esta boa vontade. E também tenho indicações que o Presidente (Jacob) Zuma está disposto a ajudar os irmãos moçambicanos", disse Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição.
Falando durante a abertura de uma reunião de quadros do partido ao nível da cidade da Beira, Sofala, centro de Moçambique, a primeira que orienta por telefone este ano, a partir de Sadjundjira, na Gorongosa, província de Sofala, Afonso Dhlakama, disse que só após a constituição da nova equipa de mediação e "avaliarmos bem, algumas coisas podem andar".
Contudo condicionou a realização dos encontros na serra da Gorongosa, onde fica o quartel-general do partido, e onde voltou a viver há três meses, após o cerco e invasão da sua casa na cidade da Beira por forças especiais da Polícia moçambicana, de onde levaram 16 armas.
"Não estou no lugar incerto. Eu sai da Beira a andar porque não gostei daquelas coisas todas (cerco e invasão), eu havia de mandar explodir tudo por completo, havia de fazer massacre (em resposta), mas evitei, por isso estou cá (Sadjundjira), até porque é quartel-general estou mais seguro", insistiu Afonso Dhlakama, sobre o seu paradeiro e o condicionamento do local para o diálogo.
Afonso Dhlakama acusou o Presidente moçambicano de estar a fazer "falácia enganosa e fantochada" quanto aos convites endereçados à Renamo, questionando que "se tivesse morrido no dia 12 ou 25 de setembro (incidentes com a caravana da Renamo em Manica, onde o Governo contabilizou 25 mortos) ele havia de negociar com quem?".
Avisou entretanto, que a sua governação a partir de março próximo não está condicionada ao diálogo com o Governo, afiançando que a prioridade "do momento é tomarmos conta das nossas províncias", que garante querer implantar "tranquilamente e sem tiros".
"Março já chegou e as coisas estão preparadas. Jacob Zuma não é para resolver tudo, é para ajudar, estar no meio entre a Renamo e a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, no poder) e o convidamos para ser mediador, a Frelimo está a dar voltas", precisou Afonso Dhlakama, reconhecendo que Jacob Zuma tem fortes ligações com a Frelimo, pela irmandade com o Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul.
O líder da Renamo disse que a questão da ilegalidade e inconstitucionalidade da sua administração, que levou a maioria da Frelimo a chumbar na Assembleia da República um projeto de lei de criação de autarquias provinciais e um projeto de revisão pontual da Constituição da República, vai ser ultrapassada durante as negociações.
Adiantou que debaixo de uma árvore em Sadjundjira pode se acrescentar à Constituição "a clausula que diz que o partido que tiver uma maioria numa província governa com os seus manifestos".
"Digam o que é preciso, primeiro vamos governar, se é para legalizar, vamos legalizar enquanto já estamos a governar. Também não é legalizar quando se trata da Renamo, porque não obrigam a Frelimo, que já governa o país desde 1994 através do roubo, as pessoas só vão levantar cabeça quando é Dhlakama que diz vamos governar as províncias onde ganha?", questionou, sustentando que se fosse belicista já teria tomado o poder pela força militar, e alertou para que o Governo não use armas.
Exemplificando a governação que pretende por em prática, Afonso Dhlakama disse que "é só chegar em Maringue, de dia, dizer ao administrador 'olha já não és administrador, quem te substitui neste momento é esta senhora Teresa, da Renamo'. Isto irá acontecer também com o comandante (da força) de intervenção rápida ou da esquadra e assim será na Beira, Tete, Nampula e outros lugares".
Moçambique vive uma crise política e militar desde 2013, que se manteve com a recusa da Renamo em reconhecer a derrota nas eleições gerais de outubro de 2014, e insiste na criação de seis províncias autónomas no centro e norte do país, onde reivindica vitória eleitoral e elegeu 81 dos 89 deputados para o Parlamento. Diário de Notícias

sábado, 9 de janeiro de 2016

Parlamento português chumba voto de condenação do regime angolano

PSD, CDS-PP e PCP votaram contra o pedido de apoio aos activistas detidos.

O Parlamento português rejeitou nesta sexta-feira um voto de condenação à “repressão em Angola com um apelo à libertação dos activistas detidos”.
A proposta foi apresentada pelo Bloco de Esquerda, mas foi chumbada pelos partidos da direita, PSD e CDS-PP, e do PCP, enquanto o PS e os Verde se abstiveram.
"É preciso travar e dar por finalizado este arrastado processo que visa intimidar, deter e punir aqueles que criticam a governação de José Eduardo dos Santos, que tem tido interferência directa ao longo de todo o processo, dando ordens no sentido de prolongar indefinidamente as audiências", pode ler-se no voto da bancada bloquista, que teve o apoio de sete deputados socialistas e do representante do PAN.
O PCP, além de votar contra, apresentou uma declaração de voto em que advertiu os outros partidos que “não poderão contar" com os comunistas "para operações de desestabilização de Angola".
Os comunistas entenem que a  Assembleia da República não deve “interferir sobre o desenrolar” do processo entregue à justiça angolana, “prejudicando as relações de amizade e cooperação entre o povo português e o povo angolano. Voz da América

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Portugal pactuou com o apartheid contra a libertação de Angola e Moçambique

Portugal apoiava o regime de apartheid na África do Sul, este ajudava Lisboa na luta contra a independência nas colónias portuguesas. O acordo secreto continua a ser pouco conhecido pelo grande público. 

O regime de Salazar considerava relevante prestar apoio à África do Sul na era do apartheid, nome que se dava à segregação racial da sociedade total, em detrimento da maioria negra. Portugal esperava, em contrapartida, o apoio de Pretória para derrotar os movimentos de libertação que lutavam pela independência de Angola e de Moçambique, nos anos 60 e 70 do século passado. Hoje, o acordo secreto assinado em 1970 pelos dois regimes e o que era então a Rodésia, actual Zimbabué, com a designação portuguesa de ALCORA, ou Aliança Contra as Rebeliões em África, não obstou a que na África do Sul crescesse a dúvida de que Portugal tinha capacidades para manter as colónias.
O investigador português Luís Barroso dedica a sua tese de doutoramento “Marcelo Caetano e a origem do exercício ALCORA – as desconfianças da África do Sul quanto ao futuro de Angola e de Moçambique”, a este capítulo pouco conhecido da História portuguesa: “O exercício ALCORA trazia atrás de si um empréstimo de cerca de 120 milhões de rands, em ouro ou dinheiro, que Portugal deveria usar para comprar armamento. Nos anos 70 os portugueses contactaram os franceses para adquirir os aviões Mirage-3, para poderem ser utilizados na luta contra a subversão”. Segundo o investigador, os franceses não queriam que os aviões fossem usados na Guiné: “Mas era com esse dinheiro que Portugal iria tentar encontrar material de primeira linha essencial para o esforço de guerra”, diz Luís Barroso.

Pretória desconfia das capacidades de guerra portuguesas

No início dos anos 70 tornava-se cada vez mais evidente que a pressão política por parte da oposição e dos movimentos estudantis, mas sobretudo a insatisfação dos militares, aliados a dificuldades financeiras, colocavam em dúvida a capacidade do Governo de Marcelo, que sucedera a Salazar, de suportar as guerras em África.
Daí os receios de Pretória de que o esforço de guerra pudesse ser abrandado –, acrescenta Barroso, tenente-coronel de infantaria, que foi professor no antigo Instituto de Altos Estudos Militares: “Tanto é que quando o Caetano entra para Presidente do Conselho, o ministro sul-africano da Defesa Pieter Botha perguntou ao seu homólogo português o seguinte: afinal, vamos continuar a contar com vocês, ou vai haver alguma mudança?” Luís Barros ressalta que Pretória tinha a “noção da descoordenação entre o poder político e as chefias militares nos teatros das operações”.

Aliança secreta

O Plano de Defesa para a África Austral, suportado pela África do Sul e a Rodésia, foi a génese do exercício ALCORA. De acordo com Luís Barroso, que desempenha funções no quartel-general da NATO na Holanda, ainda existe uma vasta área de investigação sobre aquele projeto secreto, no âmbito dos estudos das guerras que envolveram países da África Austral, como Angola e Moçambique, e as potências regionais e globais de domínio branco.
Convém explicar que ALCORA era uma aliança político-militar tripartida com o objetivo principal de estudar os mecanismos de coordenação de esforços na luta contra-subversiva, visando a derrota dos movimentos de libertação da região austral, na qual se inseriam Angola e Moçambique: “Foi uma aliança mantida em segredo. Não conheço nenhuma referência, por exemplo, na documentação norte-americana ou britânica”.
Mas sabe-se já que a perspetiva com que a ofensiva era encarada pela África do Sul e a Rodésia era substancialmente diferente da visão portuguesa. Ressalta o investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário
de Lisboa: “Do lado sul-africano era mais uma tentativa de – entre aspas - comprar a estratégia portuguesa, ou seja, de definitivamente entrar na condução estratégica das ações em toda a África austral. Do lado português era visto mais como uma muleta, como um apoio essencial em termos financeiros e militares para os problemas em Angola e em Moçambique”. Deutsche Welle

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Líder do MDM defende eleição de governos provinciais em Moçambique e critica governo central

"Num verdadeiro Estado de Direito, governa quem tem aval do povo e isto se faz através de voto nas urnas, de forma transparente, livre e justa" defendeu Daviz Simango, líder do MDM, que acusou o governo de "violar os direitos humanos e empurrar o país para parte incerta".

Beira - O líder do terceiro maior partido moçambicano, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, reiterou nesta terça-feira (05) o apoio à criação de províncias autónomas, com eleição dos governadores provinciais, insistindo que a medida vai introduzir "cultura de responsabilidades" no Estado.
"Moçambique vive uma forte cultura centralista e hegemónica. É preciso contrapor esta mentalidade, para um caminho consensual e uma política correcta", precisou Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), defendendo que só através do "voto do povo" o importante cargo administrativo poderá ser exercido de maneira democrática.
O também autarca da Beira, afiançou que Moçambique precisa de um Estado "menos centralizado e menos burocratizado", sustentando que a revisão constitucional, poderia permitir "regras de jogo limpo", com oportunidade de diversidade do mapeamento político, sem ferir a soberania do Estado.
"Num verdadeiro Estado de Direito, governa quem tem aval do povo e isto se faz através de voto nas urnas, de forma transparente, livre e justa" defendeu Daviz Simango, criticando o desrespeito desta ferramenta democrática no país e acusou o Governo de "violar os direitos humanos e empurrar o país para parte incerta".
Na sua primeira intervenção do ano, Daviz Simango, também membro do Conselho do Estado - indicado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi - defende ainda que com os novos órgãos eleitos pode melhorar a "interferência partidária", que se aprofunda cada vez mais no Estado, fazendo com que os cidadãos cada vez menos critiquem, denunciem ou reclamem a violação dos seus direitos.
Contudo Simango deplorou o uso da palavra "paz" como moeda de troca para manutenção da situação política no país, acrescentando que Moçambique precisa alcançar uma paz verdadeira "pensando em se educar para a Paz, mostrando que o espectáculo diário das guerras, das tensões, das ameaças, das divisões, apenas semeiam dúvidas e quebram a confiança" entre os intervenientes políticos e a população.
"Infelizmente os gestos de Paz das autoridades governamentais e daqueles que protagonizam as negociações, continuam irrisoriamente impotentes para mudar o rumo das coisas, devido a resistência de introduzir reformas necessárias para a convivência democrata", precisou Daviz Simango.
Contudo manifestou-se solidário com as vítimas da "intolerância política", em alusão às mortes, feridos e deslocados dos confrontos entre a guarda da Renamo (Resistência nacional Moçambicana), principal partido da oposição, e as forças de defesa e segurança, renovando o compromisso da sua luta por "Moçambique para Todos".
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, insiste que a partir de Março próximo vai governar as seis províncias do norte e dentro do país onde reivindica vitória nas eleições de Outubro de 2014, apesar da Assembleia da República em duas ocasiões, em Abril e Novembro de 2015 - por intermédio dos votos da bancada maioritária, a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) - ter rejeitado os projectos-lei submetidos nesse sentido. África 21

Angop

Analistas defendem investigação profunda dos moçambicanos com sete milhões de dólares

A prisão de dois moçambicanos no dia do Natal na fronteira sul-africana de Lebombo, com cerca de sete milhões de dólares não declarados, continua a suscitar incógnitas e debates.

Em Maputo, acredita-se que uma investigação minuciosa ao caso pode levar ao esclarecimento de várias situações do submundo do crime organizado, que está a assumir contornos alarmantes.
Os dois moçambicanos são de origem asiática e um deles tem uma relação familiar com o líder de uma mesquita de Maputo.
Eventualmente, esta pode ser uma pista para os investigadores.
Ao nível da comunidade muçulmana em Maputo, o silencio é absoluto.
O investigador Laurindos Macuácua acredita que os detidos tenham feito referência a um eventual envolvimento de lideres muçulmanos, "porque não é á toa que um maulana está a ser investigado”.
O semanário moçambicano Savana noticiou que o maulana Nazir Lunat, da mesquita Masjid Taqwa está a ser investigado, em conexão com o caso.
Para o decano dos jornalistas moçambicanos, Paul Fauvet, se as investigações a este caso forem feitas até às últimas consequências muita coisa poderá ser esclarecida, relativamente aos contornos do crime organizado em Moçambique.
Fauvet destacou ser "necessário que as polícias sul-africana e moçambicana investiguem este caso para se descobrir a proveniência deste dinheiro, porque este pode ser dinheiro sujo".
Refira-se que as investigações já estão em curso, envolvendo entidades sul-africanas e moçambicanas, e os detidos foram ouvidos em tribunal. Voz da América

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Moeda angolana tem forte desvalorização

O kwanza, a moeda angolana, caiu para o valor mais baixo desde setembro de 2001, desvalorizando 15% para 158,7 kwanzas por dólar, que acresce à quebra de 24% em 2015, de acordo com a Bloomberg.

Luanda - O kwanza, a moeda angolana, caiu para o valor mais baixo desde setembro de 2001, desvalorizando 15% para 158,7 kwanzas por dólar, que acresce à quebra de 24% em 2015, de acordo com a  Bloomberg, informa a agência portuguesa Lusa.
Segundo a Bloomberg, a moeda nacional angolana caiu 15% no primeiro dia útil deste ano, somando à queda de 24% registada durante o ano passado, uma tendência que já dura há oito anos.
Na semana passada, o kwanza vendeu-se a uma taxa média de 156,3, o que compara com os 135,9 na semana anterior, segundo disse o Banco Nacional de Angola no final de dezembro, e representa "a maior desvalorização desde que as autoridades monetárias começaram a cortar o câmbio em vários momentos durante 2015, que [a consultora] Grupo Eurasia estima ter representado 25% antes da última redução", diz a Bloomberg.
De acordo com a Bloomberg, o banco central angolano está a tentar esbater a diferença entre a taxa oficial de câmbio e a variação no 'mercado negro', no qual um dólar pode valer 270 ou 280 dólares, cerca do dobro da taxa oficial.
Em novembro, o banco central começou a limitar o acesso aos dólares, restringindo o montante que disponibilizava aos bancos comerciais, em resultado da descida de mais de 65% no preço do petróleo desde junho de 2014, o que reduziu drasticamente a disponibilidade da moeda norte-americana.
A limitação imposta pelo banco central, que na prática decide quais os setores que mais precisam de dólares, deixou as empresas à mercê da discricionariedade das autoridades, disse o presidente da Associação Industrial de Angola, José Severino, em declarações à Bloomberg, em dezembro. África 21

Polícia sul-africana investiga possível financiamento do terrorismo a partir de Moçambique

Dois moçambicanos detidos com cerca de 7 milhões de dólares são apresentados hoje ao tribunal.

Os dois moçambicanos de­tidos no dia do Natal no lado sul-africano na fronteira de Ressano Garcia, na posse de cerca de sete milhões de dólares não declarados, voltam hoje ao Tribunal Magistral de Berbarton, em Mpumalanga, para mais uma audiência, na qual deverão ser adoptadas medidas de coacção, enquanto aguardam em liberdade o julgamento do caso.
No momento da prisão, Assane Momad, de 50 anos de idade, e Abdul Ahmed, de 37 anos, tinham em seu poder 4,9 milhões de dólares americanos, 2,2 milhões de euros e 20 mil randes.
Eles foram acusados, na altura, de lavagem de dinheiro.
O porta-voz da unidade especial da polícia sul-africana Hawks, o brigadeiro Hangwani Mulaudzi, admitiu que o dinheiro podia destinar-se a activistas terroristas.
"Onde e como eles conseguiram esse dinheiro é o que estamos a tentar determinar", disse Mulaudzi , citado pelo portal sul-africano domingo iol.co.za, adiantando ainda que “podem usar esse dinheiro para actividades terroristas.
Outra pista seguida pela polícia sul-africana é que o valor poderia ter sido obtido a partir de resgates dos vários sequestros assolam, desde 2011, as principais cidades moçambicanas, em particular Maputo e Matola.
As vítimas, na sua maioria, são empresários de origem asiática ou seus parentes e enormes somas em dinheiro foram exigidas em resgates. Voz da América